domingo, 16 de setembro de 2018

O dia que eu deixei de ser a preferida

Tudo começou há pouco mais de dois meses, quando comecei a trabalhar. Meio que invertemos algumas funções: a partir de então, o papai passou a ser o responsável por acordar, vestir, dar o café da manhã e levar à escola. No fim do dia, é ele quem busca na casa das avós e leva para casa. Parece besteira, mas essas horinhas são super importantes. É quando a gente conversa, conta coisas, ouve música no rádio. E eu fiquei fora disso.

Aconteceu então que o Pedro começou a se identificar muito com o pai. Começaram a falar de futebol, discutir música (?), ter interesses em comum. E eu, que reinei pelos últimos cinco anos no coraçãozinho do menino, fiquei em segundo lugar. Foi assustador, não vou mentir. Na hora de dormir, ele chorava quando percebia que eu quem ficaria no quarto com eles, e não o pai. Na hora de se dividir para fazer alguma coisa, ele nem pensava duas vezes para escolher o lado dos meninos. Certa vez até a Maria Luísa, que ainda mantém um certo grude comigo, disse: Pedro, hoje é a mamãe que vai dormir com a gente porque nosso preferido vai andar de bicicleta. Nosso preferido!!!


Ao mesmo tempo que me dá uma tristeza ser a segunda opção, eu vejo a alegria do papai - até então a segunda opção - e entendo. Eles têm o direito de ter esse momento. Eu monopolizei as atenções por tanto tempo. em sido interessante também ver a minha afinidade com a Maria crescer. Nós somos melhores amigas e ela sempre me chama para as brincadeiras dela, que estão cada dia mais fofas e engraçadas, sempre envolvendo xícaras de chá e historinhas que ela conta. Eu me divirto com ela, a gente se dá super bem. 

E falando como uma adulta sensata e madura, passado o choque inicial, trabalhar fora tem sido bom até mesmo por isso, para dar chance ao pai de se aproximar deles, para entender que o Pedro me ama mesmo que não chore mais porque quer ficar grudado comigo (ele mesmo me explicou isso). A relação que a gente construiu até agora é pra sempre, é forte, é de verdade.

domingo, 1 de julho de 2018

2 anos 10 meses e uns bons dias

A ideia era fazer um post quando ela fizesse 2 anos e meio, mas nem sei exatamente quando foi isso. Ontem? No ano passado? Daí pensei em deixar para os 3 anos, mas seria injusto não falar dessa fase tão rica que está Maria Luísa. Eu acho os dois anos a idade mais fofinha e mais irritante de uma criança. Maria não fugiu da regra: faz as coisas mais lindas e engraçadinhas do mundo, fala, canta, aprende coisas novas todos os dias. Mas também se joga no chão e segue todo o protocolo de birras dos terrible two.  Enfim, a gente vai vivendo cada fase e, assim como eles, aprendendo. Sobra Mariazinha:

- só aceita ser chamada de Maria ou Maria Luísa. Só Luísa nem pensar. 
- canta TODAS as músicas que aprende na escola. Dançou tão bonitinha na festa junina, de vestidinho xadrez. Mas também ensaiou muito em casa, o que foi muito fofo também!
- ela está super integrada na escola, adora a sala dela, fala com carinho dos amigos, que também gostam dela e ficam felizes quando a encontram. É a mais empolgada na hora da entrada. 
- raramente fica doente, mas quando fica tem febres altíssimas, beirando os 40 graus. Não fica apática, fica quase normal, só que super quente. Esse ano teve febre duas vezes e só em uma delas precisou ir ao médico e tomar antibiótico.
como boa irmã mais nova que é, adora provocar o Pedro. Chuta a figurinhas que ele acabou de organizar, pega o prato que ele escolheu, veste a roupa dele, essas coisinhas bem irritantes.
- mas no geral se dão muito bem. Eles adoram se encontrar na escola e fiquei feliz em saber que ficam um tempo juntos no integral. Se eu não posso estar, que pelo menos estejam os dois juntos.
- tem uma perspectiva de tempo muito legal, super diferente. Diz assim: "quando eu 'ser' a mamãe Juliana... vou gostar de sopa/fazer pilates/usar esse sapato". Ela entende que quando crescer vai ser a mamãe Juliana, e não a Maria adulta. Na mesma linha de raciocínio, o Pedro vai ser o papai Juliano. E não pára aí. Ela me diz: "quando você 'ser' a Maria...", como num ciclo, no qual eu volto a ser pequena um dia e viro a Maria. Genial, né?
- vestir Maria Luísa passou de um prazer para um pesadelo. Tá, menos drama, mas ela quem escolhe o que vai usar, todo santo dia, e tem gostos bem específicos: as roupas que eram do Pedro. Ela não liga para cor, glitter, lacinho, quer desenhos legais e valor afetivo (e está errada?).
- apesar de provoquenta, é uma boa irmã. Consola o Pedro quando ele fica mal, manda ele comer salada quando o espertinho fica separando o alface no prato... 
- odeia ganhar beijo, e avisa isso pra todo mundo, até a professora. E quando a gente não resiste, ela limpa o beijo com força e ainda briga. Mas como resistir a essa coisinha delícia? Eu burlo as regras e beijo mesmo, mesmo ouvindo bronca depois.
- é a miss independência. Faz tudo sozinha: escolhe a roupa, veste o uniforme, põe sapato, aperta o botão do elevador, come, escova os dentes, carrega a própria mochila. Difícil convencê-la que precisa de ajuda em alguma atividade. Até na hora de dormir: enquanto o Pedro quer abraço ou segurar a mão, ela vira de costas pra mim na maior.
- mas, apesar de não parecer, é super carinhosa. Me abraça, penteia meu cabelo, fica perto da gente, gosta de colo (mesmo com os 13 quilinhos...). Eu aproveito muito essa fase, por que sei que vão ficando menos grudados com a gente no futuro.
- falando em grude, desde que voltei a trabalhar ela está num nível de grude jamais visto (mentira, o Pedro ficou assim três anos atrás, numa situação parecida). Da hora que ponho os pés em casa até a hora de ir pra cama eu faço quase tudo com ela no colo ou agarrada na minha perna.
- ela dora brincar de mamãe e filhinha comigo. Eu sou a filhinha, é claro, e ela cuida de mim, põe band aid no meu machucado imaginário, me protege do escuro, me abraça. É tipo a coisa mais fofinha do mundo. 
- o desfralde foi um sucesso. Poucos escapes (alguns nos primeiros dias e outros quando passei a ficar longe deles o dia todo). Ela já entendeu todo o processo e acho que foi fundamental esperar a hora certa.
- fala palavras erradas ainda, pra meu deleite: inicórnio, álgum de fotos, precurar, Gabirela...
- tem um corte de cabelo incrível (que eu escolhi hahah), bem curtinho, cacheado. Achei que ficou perfeito nela, que é segura, moderna, segura super um estilo. Claro que em todo lugar tem gente achando que ela é um menino, chamando de 'ele', mesmo que esteja de cor de rosa da cabeça aos pés (o que é difícil acontecer, vai), mas a gente não liga, corrige e continua a vida.
- tenho muito orgulho dessa menina, sabe? Mesmo pequena, vejo que tem personalidade, é decidida, se vira bem. 

É isso!
Logo minha última bebê faz 3 anos e eu volto pra contar tudo ;)

terça-feira, 19 de junho de 2018

The Office

E então que eu voltei a trabalhar. Foi tudo super rápido, mandei o currículo na segunda, fiz entrevista na quarta e na quinta-feira eu já estava de crachá da firma. Mencionei que é uma multinacional... em outra cidade? 

Daí que foi preciso um plano de emergência para acertar a rotina das crianças. Decidimos que eles ficariam na escola por um período semi-integral, até 15h30, e o restante do dia com minha sogra, que nossa, tem sido a melhor pessoa do mundo e nos ajudado muito! Para mim sobraram as duas horinhas finais do dia deles, quando já estão cansados, nem se lembram mais o que fizeram na escola e não querem muito saber de conversar. Filme que eu já vi antes e não gostei muito não.

Claro que desde então já tivemos acordadas na madrugada, no caso da Maria, e xixis na calça, no caso dos dois. Aliás, fiquei bem impressionada com a sensibilidade que as crianças têm. Antes mesmo de eu informá-los que iria trabalhar fora, a Maria sentiu o clima estranho na casa e passou a acordar de madrugada, coisa que ela nunca faz, só quando está doentinha mesmo. Com os xixis na calça não fiquei impressionada não.

Enfim, depois de três anos de home office e muitas brincadeiras, filminhos e piqueniques à tarde, volto a acordar cedíssimo (4h40, pra ser exata), sair antes do sol e só voltar depois dele. Que vida é essa, né? Faz uns quatro dias que comecei e já fico cheia de dúvidas existenciais, pensando qual é o propósito de tudo isso. 

Por outro lado, tenho ido ao trabalho mais tranquila do que nunca por causa do Juliano. Não me surpreendeu porque já o conheço há séculos, mas o cara assume a tarefa que for e faz bem feito. Negociou tudo na escola, tratou com as professoras, faz sozinho toda a rotina da manhã deles, leva os dois na escola antes de bater o sinal, vai nas reuniões e ainda arruma tempo pra trabalhar na empresa.

O que me acalma é que essa é uma vaga temporária, pra cobrir licença maternidade (minha especialidade), então tem começo, meio e fim (10 de dezembro, a quem interessar possa). Aí eu faço um balanço da vida, vejo como foi, como me senti, como as crianças se sentiram e penso no nosso futuro.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

5 anos de Pedro

Pedro completou 5 anos no dia 25 de março e até agora não tive tempo para escrever sobre como ele está e o que tem feito da vida (por mais incrível que pareça, minha vida de mãe/freela/dona de casa tem sido bem corrida). Mas cá estou e vamos aos muitos feitos recentes de Pedroca!

- Acho que a coisa mais impressionante que aconteceu com Pedro nos últimos tempos foi aprender a ler e a escrever. Começou oficialmente em dezembro de 2017, ainda com 4 anos, e evoluiu muito, mas muito rápido. Em uma semana já não precisava mais dizer as letras (tipo B e A = BA), em janeiro já era o maior soletrador que já vi. Hoje lê livros, placas, rótulos e gibis sozinho (está o maior fã da Turma da Mônica, para orgulho dos pais), sem a menor dificuldade, em letra de forma maiúscula ou minúscula. Tem ensaiado ler letra manuscrita também e confesso que já ensinei algumas para ele. Quanto à escrita, sabe se expressar bem, mas confunde S e C, S e Z (quem nunca?), faz o J ao contrário, etc. A gente brinca de escrever cartas um para o outro (e eu morro de rir com as dele, com coisas do tipo "Baixe engir bardis no seu celular") e essa semana eu ditei e ele escreveu a lista de compras de supermercado para mim ;)
- Teve outras conquistas recentes dignas de nota: aprendeu a amarrar o cadarço dos tênis (começamos a treinar em dezembro e hoje ele já faz com certa rapidez), a se limpar no banheiro (tá quase lá hahah faltam alguns detalhes) e a assobiar (foram MESES de prática até conseguir, foi lindo ver o empenho). 
- Está menino grande, comportado, companheiro. Nos acompanha em tarefas (mercado, feira, loja de alguma coisa), fica super bem em restaurantes, ajuda a guardar brinquedos e sapatos, obedece quando damos alguma ordem, não chora para ir embora dos lugares. Uma super evolução!
- Porééém... deu para chorar por alguns motivos que não esperávamos. Tipo porque queria determinada colher (?), ou porque a roupa favorita está lavando. É esporádico, mas estranhamos. Na reunião de pais do começo do ano da escola foi falado sobre esse 'retrocesso' da criança de 5 anos, essa dor de crescer e a vontade de voltar a ser bebê. Por aqui, talvez exista um extra, que é um pouco de ciúme da Maria Luísa. De qualquer forma, estou tratando com cuidado, sempre oferecendo abraço e conversa, e tem funcionado muito bem. 
- Fui chamada pela primeira vez pela professora para uma conversa sobre o comportamento do Pedro na classe. Quase morri de susto. Ela me disse que ele tem brincado muito de luta com os amigos, que está muito 'intenso' e não está respeitando as opiniões dos colegas, sendo agressivo alguma vezes. Juro, quase comecei a chorar na frente dela. O Pedro sempre foi calmo, na dele, e o problema na escola era apanhar dos amigos, não bater. Em resumo, como outros meninos também estavam nessa vibe, a professora tem trabalhado em rodas de conversa como expressar as emoções e respeitar os demais. Conversei com minha mãe (que também é professora), com o pediatra dele (que não achou nada de alarmante) e infinitas vezes com o Juliano. Depois de muito pensar, acredito que seja uma fase típica da idade, mas que deve ser trabalhada em casa também. Por isso tenho conversado muito com ele, que tem sido bem aberto a conversas e me conta bastante do que acontece na escola. Enfim, tô tentando!
- Como sabe ler, tem estudado sobre as coisas que o interessam, como animais. Abre uns dois ou três livros e fica comparando informações sobre eles, vendo as imagens, juntando com dados que aprendeu em outros lugares (aka Irmãos Kratts), lindo de ver!
- Pedro é bem curioso com as coisas do mundo, quer saber quem é o presidente, onde ficam os países, que línguas falam, que horas são lá, do que é feito o sol, o que tem debaixo da terra, porque não tem vulcão no Brasil, quem inventou as coisas, qual foi o primeiro animal do mundo, qual o maior número etc etc etc etc etc etc etc. Haja Google pra poder responder esse menino.
- Apesar de toda essa maturidade, dorme abraçado com um hipopotaminho de pelúcia, dois cachorrinhos e dia desses vi um mini canguru por lá também. Gosta de histórias e de segurar minha mão para adormecer. 
- Ele e a Maria passaram a brincar juntos com mais frequência e gostam de ver os mesmos desenhos na TV ("Lelê e Linguiça" e "Masha e o Urso" são os favoritos do momento), mas daí saem brigas maiores do que antes. Isso porque o Pedro finalmente aprendeu a se defender e revida as provocações da irmã e muitas das brincadeiras já começam erradas (tipo guerra de almofadas). Mas ele continua sendo cuidadoso e gentil com ela, sempre cede o prato azul no café da manhã, ajuda quando ela precisa de alguma coisa, tem uma postura de irmão mais velho mesmo. E eu amo quando eles contam que se encontraram no parque da escola ou que ele assistiu alguma atividade dela.
- Sabe fazer várias coisas sozinho, como comer, tomar banho, se vestir, mas morre de preguiça. O início vai bem, mas Pedro é muito distraído, começa a conversar, se empolga, levanta da cadeira e já não se lembra mais o que estava fazendo. Eu me seguro para não fazer as coisas por ele (nem sempre consigo), para deixá-lo viver cada aprendizado no seu tempo, especialmente quando não temos pressa de sair ou fazer outra coisa. É um desafio diário para mim.
- Gosta muito de desenhar, mas superou os desenhos de leões e animais e agora só faz Hulk, Capitão América e inimigos deles. Fica concentrado por um longo tempo fazendo detalhes e faz balõezinhos das falas deles, inspirado nos gibis.  
- Tivemos consulta com o pediatra (um ano depois da última consulta, me julguem) e ele está saudável, com 18,8 kg e 1,12 cm. 

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Filhas, por que tê-las?

Tive um gostinho ~amargo~ do que é ter filha menina (e contei logo para minha mãe, que é para ela se sentir vingada). Fui buscá-los na escola e Maria Luísa me olha com cara de desconfiada:

- Que blusa é essa, mamãe?
- Ué, minha blusa. 
- Hmmm, não gostei. 

quinta-feira, 29 de março de 2018

Cético (mas não muito)

Pedro, no lanche da tarde de ontem (três dias depois de fazer 5 anos e quatro dias antes da Páscoa):

- O Coelhinho da Páscoa não existe, mamãe, é só um personagem que inventaram.

- Oi??? Como assim, filho? Então quem é que traz os ovos de chocolate para a nossa casa?
- É... hmmmm... o Papai Noel?

quinta-feira, 22 de março de 2018

5 razões para viajar com seus filhos

(e aí, mandei bem no título todo trabalhado no marketing-digital-para-atrair-leitores-preguiçosos?)

Neste ano, decidimos tirar férias no fim de fevereiro e viajamos para a Colômbia, onde passamos 13 lindos dias entre as cidades de Bogotá, San Andrés e Cartagena. Foi uma delícia e me fez ter mais certeza ainda de quão importantes são as viagens que fazemos só nós quatro. Reforça o vínculo, faz com que a gente se conheça melhor, sabe? Sem entrar em detalhes de cada destino, vou listar cinco motivos legais para viajar com as crianças. 

1. Conhecer novos costumes
Crianças são super observadoras e desde o momento que chegamos em um país novo o Pedro já começou a prestar atenção ao redor e perceber as diferenças em relação ao Brasil e à vida que ele está acostumado. Os táxis não têm cinto de segurança? As pessoas falam com outra voz aqui (ele confunde língua com voz e eu acho tão engraçado)? Os pássaros são maiores? Por que está escrito 'salida' nas placas? Só tem peixe para comer? O que é 'ruta de evacuación'? Foi bem bacana enxergar coisas pelo ponto de vista dele e ir juntos descobrindo costumes diferentes dos nossos.

2. Exercitar a paciência
Começa já no aeroporto, depois no voo e assim por diante. É preciso esperar quando se viaja. A gente almoça e janta em restaurantes todos os dias, tem que ser atendido, fazer o pedido, esperar o prato com calma. E salvo raras exceções - como a viagem de avião, não tem razão para usar o celular para passar o tempo. Motivo um é que somos absolutamente contra o uso de eletrônicos na hora das refeições e motivo dois é que a gente não tinha internet fora dos hotéis mesmo. Daí que é a oportunidade perfeita para conversar, inventar jogos, falar besteira, se distrair com um canudo ou um papelzinho na mesa, observar o mundo, enfim, colocar a imaginação para funcionar. Inclusive a nossa.

3. Experimentar novas comidas 
Qual a graça em viajar se não for para comer coisas diferentes? As crianças comem em casa todos os dias. Bem, modéstia à parte, mas não tenho aquela criatividade e habilidade em variar tanto o cardápio. Mal chegamos em Bogotá e já entramos em um restaurante mexicano. A fome do Pedro era tanta que comeu uma quesadilla de carne feliz da vida. Em San Andrés e Cartagena o forte da cozinha era o peixe, e Maria adorou. Até eu e Juliano nos aventuramos em pratos que não estamos acostumados. O resultado é que os pequenos voltaram para casa apaixonados por limonada de coco e banana verde frita. 

4. Aprender uma nova língua
Sabe aquela história que criança aprende idioma magicamente em pouco tempo? Então, em dois ou três dias meus filhos estavam cumprimentando desconhecidos com um alegre 'hola, cómo estás?'. O Pedro, que está num momento leitor-maluco, não parou de ler placas e perguntar o que significavam. Assistiram desenhos em espanhol sem problemas, nos viram tirando dúvidas com o pessoal do hotel (como lembrar que 'faca' se fala 'cuchillo', meodeos?) e conversando com taxistas. Foi muito impressionante ver quantas palavras eles (em especial ele, que é o mais velho) aprenderam em tão poucos dias. Além do espanhol, tivemos a oportunidade ver muitos turistas falando inglês, alemão, russo e outras línguas que não faço ideia de onde são, e foi bem interessante para eles perceber que eram tão diferentes do português. 

5. Criar piadas internas
Todo o tempo passado juntos rende situações que ficam na memória, seja pelo bem ou pelo não tão bem (como o passeio-perrengue para a ilha de Johnny Cay, em San Andrés). Dessa vez, tivemos a certeza que o Pedro é uma criança exótica com tendência para ser nerd. Mal terminamos de ver o Museu Botero inteiro e ele perguntou se poderíamos ver tudo de novo (a Maria, não tão fã desses lugares, dormia placidamente no carrinho). Mas foi da Maria Luísa que veio a piada mais fofinha. Vendo o irmão soletrar sem parar todas as palavras do mundo (tipo 'eu quero tomar L-I-M-O-N-A-D-A: limonada'), ela resolveu arriscar e, quando pedi para que escolhesse um sapato para usar, ela soltou um engraçadíssimo 'L-O-L-O-L-O: sandália'. Como não amar?


(Cumplicidade na Plaza de Bolívar, em Bogotá)