quarta-feira, 16 de abril de 2014

Das coisas legais

Esse post é para quando você for adolescente e gritar que me odeia, que eu sou uma chata, etc. 

Coisas legais que fazemos juntos:

- dançamos ao som da máquina de lavar roupas
- dormimos juntos à tarde
- conversamos com todos os cachorros que encontramos pela rua
- fazemos panquecas de tarde e comemos com geléia 
- fazemos caretas no espelho do elevador
- viramos cambalhota na minha cama
- abrimos as janelas da nossa casa todas as manhãs
- tocamos violão, mesmo sem nenhum dos dois saber tocar violão
- fazemos guerra de almofadas na sala
- damos comidinha para o seu peixe
- inventamos sabores de sucos
- jogamos bola na varanda
- fingimos que a sua banheirinha inflável é uma piscina bem grande e legal

;)

domingo, 30 de março de 2014

Doze

Um ano de filho Pedro! O post está atrasado, mas é que a semana foi cheia de comemorações e emoções, então acabei deixando para escrever só hoje.

Filho, fico muito emocionada em te ver assim, grande, alegre, todo independente, um garotinho já! Esse ano foi, sem dúvida, o mais legal e desafiador da minha vida, e mesmo sabendo que tudo mudaria quando você nascesse, eu não esperava que seria assim tão radical. Claro que há momentos difíceis, como quando você chora e eu não sei o que fazer, mas a vida ficou tão mais cheia de gracinhas, sorrisinhos, abracinhos e colinhos que eu esqueço todas as dificuldades e sorrio de felicidade pensando em você. Te amo, Pedroca. Depois de você chegar eu virei amor, da cabeça aos pés. 

Vamos aos feitos desse 12⁰ mês de Pedro:

- inventou uma gracinha sozinho! Faz um gestinho com a mão (desde que fez 11 meses, aliás) que eu ainda não sei o que significa hahahha. Faz com as duas mãos e se acha super engraçado! Chamando cachorro? Pedindo dinheiro? Sei lá, sei que é fofo!
- passou dos 9 kg. Nossos braços perceberam;
- curte, finalmente, ser ninado no colo antes de dormir, igual bebezinho. Bem agora, que passou dos 9 kg;
- falou 'banana' e 'vovó', e ensaiou falar 'água';
- odeia trocar fralda;
- usa tudo como martelo, e tem uma força surreal para uma pessoa tão pequena;
- aprendeu a fazer caretas para fotos!! hahah eu morro! Faz bico, sorrisinho engraçado, muito legal!
- sobe no sofá sozinho, com grande destreza. E no raque, no pufe, no que conseguir;
- ficou doente pela primeira vez. Tosse e peito cheio. Mas sem febre ou perda de apetite ou amuação. Continuou loucão, só que precisou tomar xarope e fazer inalação;
- odiou a inalação. Muito.
- comeu coisas tipo cupcake, brigadeiro, pizza, carne, pão, presunto e outras que provavelmente te deram sem eu ver;
- tá, confesso que eu mesmo dei algumas dessas coisas;
- está com uns 12 dentes, acho. Oito na frente e uns 4 (ou mais) no fundo. Não me deixa ver, mas tem alguns grandes nascendo e te dando trabalho. Deve doer horrores;
- quaaaaaaase foi para a escola. Eu quase consegui um emprego e daí, por pouco, não tive que te pôr na escolinha. Mas, por sorte (?), não deu certo e você continua em casa comigo;
- mas irá em breve para a escola, se tudo der certo;
- e irá desmamar também, se tudo der certo;
- #choramamãe
- ama abrir e fechar portas;
- passa algumas noites sem acordar para mamar. Antes acordava umas 6 horas da manhã, mamava e dormia de novo. Agora acorda umas 7, mama e fica agitadão, querendo começar o dia. Daí o dia começa, né.
- se comportou maravilhosamente bem na sua festa de aniversário, que foi ontem. E foi muito legal, por sinal. Muitos amigos, família e doces! Todo mundo curtiu!

E hoje, tchãrã, tchãrã, deu seus primeiros passinhos!!! Na casa da vó Maria, uns dois passinhos mais lindos do mundo =)    

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Onze

Não tem mais volta: você virou uma criança. Daquelas que quase andam, que fazem gracinhas, que comem bolachinhas. Sobrou pouco do meu bebezinho pequeno, levinho, que só chorava. Apesar de ainda ser magro, você está bem pesadinho, Pedroca, e te carregar por muito tempo cansa! E seu pai e eu nos surpreendemos todos os dias com as coisas fofas e geniais que você faz. Parabéns pelo seu último aniversário de mês. No próximo não tem só um bolinho não, tem festona! 

Pois bem, sobre você...

- QUAAAAASE anda! Há dois dias consegue andar segurando apenas em uma de nossas mãos. E vai embora, todo rapidinho e desengonçado. Falta pouco, mas apesar da pressão do pessoal ("já anda???/"não anda ainda???), entendo que você tem seu tempo e vai andar quando for sua hora;
- adora colocar os brinquedos dentro do baldinho de brinquedos;
- faz 'brumm, brummm, brummm' com a boca boa parte do dia;
- brinca de carrinho;
- ama comer bolo (e eu amo fazer bolo para você);
- assopra!; 
- adora apertar botões;
- acenda a luz do quarto sozinho (o interruptor fica acima do seu berço);
- quando preciso ir ao banheiro, você corre atrás de mim e fica me esperando na porta, dando batidinhas para me apressar;
- escala a caixa de brinquedo, sobe no raque e tenta derrubar a tv, que fica grudada na parede;
- entende quando pedimos para você tirar a chupeta e guardar na gaveta (e faz feliz da vida);
- também entende e nos entrega os brinquedos quando pedimos;
- penteia o cabelo sozinho!! hahahah! Eu penteio seu cabelo depois do banho e você pega a escova da minha mão para dar seu toque final;
- empilha brinquedos para conseguir subir no sofá;
- está com mania de se jogar dos lugares, tipo da minha cama ou do sofá. Se não fico esperta, cataploft.
- segura sozinho o copinho ou a mamadeira para beber água ou suquinhos;
- já tem movimento de pinça. Pega coisinhas pequenas com (quase) destreza; 
- mama no peito, ainda. De duas a quatro vezes por dia;
- no geral acorda uma vez só por noite, entre 4 e meia e 6 da manhã. Mama por uns 10 minutinhos e dorme de novo;
- faz escândalo, tenta pular do colo ou sair do carrinho quando está bravo. Especialmente em shopping, rua, restaurante etc etc. E me deixa morta de vergonha. Sim, terrible two aos 11 meses;
- dança! Não pode ouvir uma musiquinha, nem que seja o toque do celular, e já começa a remexer hahahah; 
- fala 'au au', 'banana' e 'água', tudo em silêncio, só fazendo mímica com a boca;
- odeia escovar os dentes;
- adora ver a gente escovando os dentes;
- brinca de pega-pega, mas nas suas próprias regras: quando a gente fala 'Pedro, vou te pegar!', você grita e sai correndo... na nossa direção!;
- fica de boa no colo das avós, dos tios, dos conhecidos;
- pesamos e medimos na médica nova (a sua está em licença-maternidade), e está com 8,820 kg e 72,5 cm;

PS.: você tem um dente novo, um do fundo! Não me deixou ver direito ainda, mas isso justifica as noites que dormiu mal e as mãozinhas na boca.
     

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Sobre mães e eufemismos

Nós, mães, tentamos ser sinceras e diretas com vocês, filhos, a maior parte do tempo. Mas para não assustá-los, um eufemismo às vezes cai bem. Por exemplo:

"- Hmm, que meleca, Pedro! Caiu um pouquinho de suco?"
(termo dito constantemente enquanto eu lavo a cozinha após seus lanchinhos)

"- Fez um cocozinho, filho?"
(frase usada quando é preciso trocar sua camiseta, a calça, o lençol, a coberta, o colchão e te enfiar no chuveiro) 

"- Êêê, pulou!"
(usado no dia que você se agarrou ao banquinho que seu pai usa ao lado da cama para guardar livros e puxou com tanta força que caiu t-u-d-o em cima de você: livros, revistas, garrafinha de água, luminária, banco... O que eu gostaria de dizer: "- Ahhhhhhhhhhh, Pedro!!!!!! Caiuuuuu! Machucou?? Ahhhh meu deus, o banco caiu na sua cabeça!!! Tem um galo! Tá roxo! Hospital? Ligo para a minha mãe? Julianooooooooo!")

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Cronologia

Hoje você aprendeu a fechar a minha garrafa de água, ontem a subir degraus, antes de ontem a abrir a tampa da privada, antes antes de ontem a guardar a chupeta na gaveta de chupetas, antes antes antes de ontem a apertar botões, antes antes antes antes de ontem a brincar de carrinho no chão da sala, antes antes antes antes antes de ontem a fechar portas, antes antes antes antes antes antes de ontem a segurar sozinho e levar à boca sua bolachinha e o copo de suco.

Não há um dia de tédio nessa casa.  

PS.: nos dias que seguiram esse post, você aprendeu a assoprar, a abrir as gavetas da sua cômoda e a bater com a mão aberta nas portas. 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Bebê pagão

Dia desses a avó do seu pai, que é super-mega-ultra católica, me perguntou quando vou batizar o menino (você, no caso). Engasguei e mudei de assunto. "Ele está grande, tem que ser logo", me falou. O problema é que não dá, não vai rolar batizado. Embora eu goste de comprar roupinhas temáticas para você e ame organizar uma festinha, seu pai e eu somos ateus. E ateus não batizam os filhos.

Sabe, filho, de todas as minorias excluídas, acho que os ateus são os mais excluídos. Excluídos pelas minorias excluídas. Nesse nível. Li uma vez uma pesquisa que dizia que o povo brasileiro aceitaria uma mulher na presidência (oi, Dilma), um negro (oi, Obama), quem sabe até um gay (oi, Feliciano? hahahah), mas nunca um ateu. Por quê?

Ateus são pessoas que não acreditam em deus. Mas isso não significa que são pessoas más. Não, não somos. Simplesmente achamos que não existe uma força maior que criou o universo. E que não há céu (céu há, Pedroca, mas não no sentido de 'paraíso para onde vão as pessoas que morrem'), inferno, missa, confissão, nada disso. O que há é a vida aqui e agora.

Eu já era, seu pai também e foi uma felicidade nos encontrarmos. Não sei como seria me casar com alguém religioso. Deixo claro que não tenho preconceito. Eu tento me livrar de todo tipo de preconceito. Minha família é católica, meu irmão mais novo é chefe do grupo de jovens da igreja e ministro (junto com aqueles velhinhos de roupinha branca). Isso com 20 anos de idade. O que eu acho disso? Bonito, ele gosta e se dedica à religião. Assim como acharia bonito se ele se dedicasse a outra coisa. O que me deixa feliz é a dedicação. E também o fato de ele, nem meu irmão do meio (que também é católico super praticante), terem problema nenhum com o fato de eu ter conseguido escapar da crisma e não ser religiosa. A gente vive bem e feliz assim. Temos uma relação de respeito muito legal.

E aí que eu chego num ponto importantíssimo: respeito. É a palavra que lidera meu jeito de te criar. Quero que você seja um homem que respeite. As diferenças, as religiões, as não religiões, as pessoas, a natureza, as cidades, a vida. Não vou te dar uma educação religiosa, mas isso não significa que não vou te educar para ser um homem educado, respeitoso, sensato. 

Nunca vamos te incentivar a isso, mas, se quando grande você quiser fazer parte de alguma religião, vou respeitar. É assim que funciona. Liberdade e respeito.  

Nunca esqueço que li isso em "Os Maias", do Eça de Queiroz: o avô decide criar o neto sem religião, isso na sociedade portuguesa do final do século 19, loucamente católica. E explica para as carolas que não se conformam com o fato que nada impedirá que ele ensine o menino a não matar, não roubar, não trair, porque isso é ser um homem bom, independente de religião (deixo claro que faz uns 10 anos que li o livro e escrevi como me lembrava). Lindo!

Então é isso, bebê pagão.