segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Curtinhas


Expectativa: Uma barriguinha discreta, que surge lá pelos 6 meses de gravidez e não cresce muito além disso.


Realidade: A barriga já cresceu, assim, com só dois meses de gravidez. Calças já não fecham mais, tamanho 36 ficou no passado. Por enquanto parece que comi muita lasanha, mas logo vai ficar claro que é um bebê mesmo. 

Expectativa: Sempre achei o máximo grávida que enjoa. O que pode ser mais típico de uma gravidez do que enjoos matinais?

Realidade: Tortura define o que é ter enjoo. Que matinal o quê, é toda hora, manhã, tarde e noite. Não posso olhar para um cacho de uva que corro vomitar. Pera, mamão, limão e maracujá estão na minha lista negra. Sem contar doces, bolachas e chocolate. Quase morri quando uma colega de trabalho me ofereceu um bombom.

*

Bebê Gergelim é pequeno e tem um coraçãozinho forte. O ultrassom foi legal, eu sempre fico nervosa nesses momentos. Gostamos do médico também. Ele é do tipo humanista-humanizado-herói-das-ativistas-que-não-faz-cesárea-por-nada-no-mundo. Brincadeiras à parte, se tudo der certo desta vez o parto vai ser normal, como eu quero. Não sou radical, entendo que a cesárea salva vidas, mas é para quando vidas precisam ser salvas. Eu confio nesse médico e sei que só vai ser cesárea se precisar salvar vida mesmo.  



Cheiros, me deixando louca desde sempre. Nunca gostei de cheiro de nada, nem de perfume. Grávida então, é um sofrimento. Entre os que estou mais odiando é o desodorante do Juliano, maracujá, manga, fritura, comida, meu sabonete, produto de limpeza e, pasmem, o cheiro do Pedro. É triste, mas como esse blog não tem leitores mesmo, eu vou confessar. Eu morro com o cheiro do Pedro. Se ele está fedido (nesse calor do inferno), eu não suporto o cheiro do suor, se ele está limpinho, de banho tomado, eu não suporto o cheiro de xampu. Claro que isso não impede que o pegue no colo, brinque, fique com ele. Mas eu paro de respirar um pouco nesses momentos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O Incrível Dicionário Pedrístico

Parece mágica. Até dezembro ele balbuciava uma ou outra palavrinha, falava bem só o básico mesmo – mamãe, papai, vovó, água. Mas aí, mais do que de repente, um belo dia Pedro acordou e resolveu que sabia falar tudo. Desde então temos um papagaio loiro em casa, repetindo todas as palavras que ouve e formulando frases cada vez mais complexas. Existe coisa mais linda de se ver do que uma criancinha aprendendo a falar?

Como o vocabulário está extenso – ele fala praticamente tudo, resolvi listar somente as palavras mais engraçadas ou fofinhas ditas por ele. Conheça então o Incrível Dicionário Pedrístico: 


água boco = água de coco 
cuco = suco
penloco = pernilongo
nanina = carninha
amena = ameixa
coquita = cossiquita = cosquinha
Nho = tio Fabinho
Aul = Raul, amigo da escola
Nana Nenê = a música preferida dele
bicho papai = bicho papão, aquele que fica no telhado
aluz = luz
lula = lua
estea = estrela, para quem ele grita quando olha para o céu
pão pão pão pão = pão (eu falava assim para ele quando tinha uns 7 meses, e ele nunca falou de outro jeito)
bolaji = bolacha
mião = caminhão
pepel = papel
peteta = chupeta (mas ele percebeu, sozinho, que não era bem assim e agora fala ‘upeta’)
Vaití = vovô Valter
ou ou ou = Papai Noel
pão Mamãe pato Pebo = Mamãe, coloca o pão no prato do Pedro. Eu coloco, e ele come meu pão
mamain tudo aoiz  = mamãe comeu todo o arroz
papapaio = papagaio
papo = sapo
cato = gato
nanina = Galinha Pintadinha, que na verdade é uma desculpa para ele usar meu iPad
nanina = carninha
lar = celular
diligi = dirigir
tatu tatu = a música ‘Besta é Tu”, dos Novos Baianos, que ele ama
elão = leão
cacaé = jacaré
badalo = cavalo

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Novidades

A notícia já está meio velha - ficamos sabendo há umas duas semanas -, mas faço questão de contar aqui ainda nesse ano: Pedro vai ganhar um irmãozinho!!!  Ou irmãzinha, ainda não se sabe. Em agosto de 2015 chega mais um bebê para deixar essa casa ainda mais maluca! 

Bom ano novo para nós! 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O drama da escola - parte 1/467

Pedro ama a escola. Vai sem problemas, dá tchauzinho para a gente no portão, vira as costas e entra. Gosta das tias, fala o nome de alguns amigos, uma beleza. Tudo tranquilo para a rematrícula no ano que vem, correto? É, meio correto. Eu também gosto da escola. Todo mundo lá é gente boa, de bom coração e me passa confiança. Tem cuidado com o  meu filho mesmo, sabe. Mas os pequenos ‘poréns’ que não me deixavam completamente feliz com a escola viraram grandes problemas, ressaltados bem no dia que fizemos a rematrícula. Explico: Pedro mudou de fase, agora é do maternal. O que significa que a partir do ano que vem terá... apostila! Sim, um bebê de menos de 2 anos vai estudar, ter lições e atividades em apostila. 

Além disso, começam as atividades extras, como futebol e balé. Para meninos e meninas, respectivamente, como deixou claro a diretora. Que ano é hoje, Brasil? Em 2014 tem gente que ainda acha que atividades de meninos e meninas devem ser diferentes. Como pode? E para completar o absurdo, ela ainda ressaltou que, apesar de ter apostila, as crianças terão muito tempo para brincar livremente... os meninos com ferramentas de plástico e as meninas com cozinhas de brinquedo. Oi? Morri, né. 

Ela, a diretora, é uma super fofa, simples e com boas intenções, mas erra. Erra ao dividir as crianças por gênero no mundo de hoje. Eu sei que damos bons exemplos em casa sobre igualdade de gêneros (papai e mamãe trabalham fora, cozinham, lavam roupas, cuidam da cria), mas as crianças passam muito tempo na escola e não dá para desconsiderar as influências que recebem de lá. E a última coisa que eu quero é que meu filho ache que homens e mulheres têm papeis diferentes na sociedade. Mais um ponto negativo para a escolinha.


Por motivos diversos – logística, possibilidade de horário semi-integral já que devo trabalhar fora até maio do ano que vem, facilidade para as avós buscarem, etc – Pedro continua na escola (de 1940) até junho próximo. Depois disso veremos. Dá dó tirá-lo de lá, mas dá dó deixá-lo. Bom, veremos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Ou isto ou aquilo

Das coisas mais fofas:

- Sabe cantar ‘Nana Nenê’ sozinho, a letra toda. E canta a qualquer hora;
- Ganhou um DVD com músicas boas para criança, chamado ‘Tu Toca o Quê?”, e assiste repetidamente, curtindo cada musiquinha;
- Foi a um show de música (boa também) para crianças no teatro do Sesc e adorou. Prestou atenção, bateu palma e só fugiu da cadeira umas poucas vezes, para sentar na escada;
- Tem um vocabulário bem amplo já. Não tem problemas em se fazer entender. De tanto confundirem a sua pronúncia de ‘bolacha’ com ‘bola’, resolveu chamar então de ‘bolaji’, para não ter erro;
- Repete todas as palavras que falamos. Algumas ficam engraçadas (tipo ‘puta’ para ‘desculpa’, ‘mono’ para moto, ‘Nho’ para ‘Fabinho’ e ‘bolo cato’ para ‘banho de gato’) e outras quaaase certinhas (como ‘diligi’ para ‘dirigir’).

Das coisas mais difíceis:

Criança doente é a pior coisa do mundo. E ter que trabalhar e deixar a criança doente em algum lugar – a casa das avós, que seja – é a segunda pior. Pedro, menino forte que até 1 ano de idade não tinha ficado doente, teve que tomar antibiótico de novo, culpa de uma garganta inflamada. E lá se foram dias de febre, chorinhos, falta de apetite, uma tristeza só. Eu não ligo de acordar de madrugada (e acordamos, por três dias, às 4 da manhã para atender um bebê quentinho e choroso, que só conseguiu dormir de novo às 6, hora essa que começamos a nos arrumar para ir ao trabalho), ligo de ver meu filho passando mal. 

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

1 ano 7 meses 13 dias

Fui deixando esse post para depois, por motivos de força maior. Parece desculpa, né, mas não é. A vida corre, não anda, e com o advento da mãe-que-trabalha-fora eu acabo deixando coisas sem fazer (oi, guarda-roupa desarrumado). Mas eis que 1 ano e meio de Pedroca se passou e nada de post. Então 1 ano e 7 meses e cadê o post? Bom, sem mais delongas, esse dia chegou, já que esse blog secreto tem um motivo para existir: registrar as coisas mais legais que acontece com o Pedro, para que ele possa ler quando crescer. Vamos aos facts de Pedro então, que hoje está com 1 ano, 7 meses e 13 dias.

- fala o próprio nome: Pebo. Ou Pepo, às vezes.
- sabe contar (!) até dez. Tá, não até dez, mas até 3 com certeza (um, doi, tei...), e quando eu conto ele ajuda e comemora quando chega no dez.
- aliás, eu uso a técnica de contar para várias coisas, tipo escovar os dentes (“vai, filho, fica bonzinho que só vai demorar dez”), tomar remédio (“só contar até três que acaba, filho”), etc, e ele adora. Acho que passa segurança para ele saber que aquele ‘sofrimento’ tem fim, sabe, que acaba no dez. Mamãe gênia!
- tem um poder de convencimento incrível com as avós. Se bem que com avó não precisa muito, mesmo... enfim, ele as segura pela mão e leva até o armário com as bolachas. Aí estica o bracinho, pedindo para subir no colo, e fala “bôla”.
- usa o tal charme para fazer outra atividade que ama: tomar banho de bacia. A Denise, coitada, sempre cai nessa e tem que dar banho no menino todo santo dia.
- aliás, ama tomar banho. Leva uns brinquedinhos e fica entretido por um tempão. Menos na hora de lavar o cabelo. Aí o bicho pega.
- está com o cabelo gigante. Loirinho, lisinho e comprido, parece um dos Beatles.
- todo dia vem alguém (da família) dizer que ‘está na hora de cortar esse cabelo’...
- o filho é meu, eu decido a hora de cortar (hahá, sempre quis falar isso).
- fica entretido com os próprios brinquedos. O preferido do momento é a Casa das Chaves (ganhou de aniversário, mas a ideia do brinquedo é velha, da minha época). Ele ainda não dominou as tais chavinhas, então ama ficar tentando. Pedro gosta de desafios.
- fica cantando sozinho pela casa. às vezes composições próprias, às vezes músicas do cancioneiro popular. É muito legal ouvi-lo e reconhecer as músicas (“filho, que legal, você está cantando ‘Atirei o Pau no Gato’!”).
- não teve jeito, o bichinho AMA a Peppa Pig. Culpa minha, que insisti. E que também curto assistir a porquinha mais chata do momento. Ele fica feliz quando vê que está passando na TV e fica apontando e me contando quem são os personagens (‘Peppa, mamãe, papai’).
- aproveito esse importante espaço e meio de comunicação que é o meu blog para falar que os demais desenhos do Discovery Kids são um lixo. Chatos, bobos, emburrecedores, apesar de tentares ensinar coisas o tempo todo, especialmente a falar inglês (Super Why) e a dançar como um retardado (Backyardigans).
- gosta da Galinha Pintadinha. Sério. Culpa da faxineira, que há mais de um ano deu para ele uma pelúcia gigante que canta. E culpa da mamãe, que fica apertando a barriga da pelúcia gigante para ela cantar. E que baixou no iPad um aplicativo com as músicas da penosa (três de graça, as outras centenas pagas, que eu não paguei e não vou pagar).
- sabe mexer no iPad, agora oficialmente. Antes só sabia jogar o iPad no chão, mas agora sabe sozinho mudar de página e escolher o aplicativo. E colocar a “Nina” para cantar.
- chama ‘mamãe’ e ‘papai’ o dia i-n-t-e-i-r-o. Várias vezes seguidas. De manhã, de tarde e de noite. E de madrugada. Quando a gente está longe ou perto dele. Ás vezes quando está deitado na nossa cama, com a gente ao lado. Tipo só para conferir se a gente está lá mesmo, se está vivo, se está prestando atenção nele.
- adora ver a lua. Papai que ensinou. Aí ele pega a gente pela mão e leva até a varanda, para mostrar a ‘lula’. E fica gritando, claro, ‘lulaaaaaa’. Fofura extrema.
- simula falta nele mesmo. Está andando e de repente se joga no chão, fingindo que caiu (ou caindo de fato hahahah).
- coleciona roxos, galos, arranhões pelo corpinho. Eu não tô nem aí, ele menos ainda (só trato quando é mais sério mesmo).
- tem paixão louca por jogar bola. É só ver uma bola que fica muito feliz, sorri, fala ‘bola’ e sai chutando. E chuta forte! Gosta muito de jogar futebol na sala de casa, junto com a gente, e de mãos dadas. Não sei de onde ele tirou isso, mas jogar bola com a mamãe só se for segurando a mão.
- sua comida preferida é arroz. Sim, arroz. Pelo menos fome não vai passar no Brasil, né?
- tem dia que come, tem dia que não come, tem dia que ama tomatinhos, tem dia que odeia, não gosta muito de maçã mas às vezes come uma inteira, cospe fora alface mas come brócolis. Uma criança normal, cheia de esquisitices.
- Já comeu de tudo nessa vida, desde Sonho de Valsa até joelho de porco. Mas nunca tomou refrigerante. E nem comeu no McDonalds (Shake Shak não é Mc Donalds, só para esclarecer).
- é o amor dos avós. Nessa semana, quando fui buscá-lo na casa dos meus pais, minha mãe se gabava por o Pedro ser ‘tão bonzinho, tão bacana, um doce de criança’, tudo isso enquanto ele jogava as pedras do jardim no portão da garagem. Juro.
- é a alegria do meu avô, que o leva no quintal para pegar ovos das galinhas. Pedro também ajuda a alimentar as bichinhas, jogando milho com muita força na cabeça delas.
- minha avó, tadinha, não sabe mais o que se passa ao redor, então não consegue aproveitar o bisneto que ela tanto queria, apesar de ele ir na casa deles umas três vezes por semana.
- as outras duas bisavós também o adoram, mas não gostam de serem chamadas de ‘bisa’. Elas são muito jovens para isso. A avó do Juliano o vê aos domingos, depois da feira, e fica tentando apertá-lo e pegá-lo no colo, o que ele odeia. A minha outra avó fica tentando conquistá-lo com bolo e suco de laranja, e sempre consegue.
- se diverte muito com a gente, e diverte a gente também. Um programa delicinha nosso é ficar sentados no chão do quarto do Pedro jogando conversa fora enquanto ele brinca. De vez em quando até ganhamos uns abraços dele.
- adora livros e ouvir histórias que a gente lê para ele. Tem um revisteiro no quarto dele, ao lado do cesto de brinquedos, e pega com frequência os livrinhos de lá para brincar. Esses dias mesmo eu peguei um livro meu e sentei na poltrona do quarto dele, achando que ia ler em paz enquanto ele brincava de carrinhos. Ele me viu, ficou todo empolgado e tacou uns três livros dele em cima do meu, para lermos juntos.
- fala ‘alô’ no telefone.
- para me deixar feliz, fica repetindo ‘oi’, ‘oi’, ‘oi’, ‘oi’, várias vezes.
- ama cosquinhas e ataque de beijos.
- não gosta de pizza (?).
- tenta repetir todas as palavras que a gente fala. ‘Liz’ para luz, ‘beta’ para chupeta, ‘nau’ para miau, ‘babato’ para sapato, ‘dai dai’ para high five, ‘di di’ para tim-tim, ‘dia’ para tia, ‘dia’ para bom dia, assim por diante.
- precisou faltar da escola um dia e, consequentemente, eu precisei faltar do trabalho. Passamos o dia em casa, com a faxineira, e a diversão dos dois foi: ele gritar o nome dela bem alto e ela vir correndo para ver o que era. Infinitas vezes. 
- esses dias estava no colo do meu irmão, que lia uma matéria no computador, e começou a gritar ‘dedê, dedêêê!’ e apontar a tela. Era um banner promocional com a foto da lata do leite que ele toma.
- celebra muito quando descobre que é hora do tetê, e mais ainda quando vê a mamadeira cheia.
- ficou bem doentinho esses tempos. Teve febre, resultado da rinosinusite, e está tomando antibiótico, depois de ter tomado uma infinidade de xaropes e ter feito inalação. Mas não parou de comer, nem de correr, de bagunçar a casa etc.
- foi na piscina de novo, depois de meses sem ir, na chácara do avô. Apesar da água estar geladíssima (eu não aguentei ficar lá dentro), amou! Ficou felizão no colo do pai, e aprendeu a pular da borda (‘um, doi, tei, já!’), um perigo! hahah! Providenciamos boinhas de braço.
- está com 81 cm e 12,145 kg. Uma bolotinha. E sempre é o mais alto do parquinho.
- perdeu todas as roupas de verão do ano passado. Tive que fazer um esforço (ham, ham) e comprar roupas novas para ele, assim como chinelinhos e sandálias.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Limites

Família é uma coisa curiosa. Quando me casei, achava a família do meu marido completamente diferente da minha. Enquanto meus pais (e tios, avós, primos) eram extremamente próximos, sempre sabendo e se metendo em todos os assuntos de todo mundo, os dele eram liberais, davam privacidade aos filhos, não telefonavam cem vezes por dia.

Balela. B-a-l-e-l-a. Pedro nasceu e as diferenças entre eles, agora avós, desapareceram. Meus pais continuam a se meter em cada detalhe da vida (dos outros) e os pais dele se mostraram bem participativos também.

O "limites", do título do post, não se refere aos que trabalho (duro) para dar ao meu filho, mas os que eu (e meu marido, I suppose) gostaríamos de ter respeitados. Veja bem, nós somos um núcleo familiar independente. Temos casa, filho, vida própria. E isso, por si só, imporia limites para quão invasivos podem ser nossos pais (e parentes no geral). Mas não impõe. Não faz nem cosquinha.

Não tenho muita vivência com famílias de outros países, mas tenho certeza que essa invasão de privacidade é coisa de brasileiro. Sabe ir chegando, entrando, sentando, sem nem avisar? Junte essa cultura de proximidade extrema com o fato de Pedro, nosso pequeno e adorável filhinho, ficar duas vezes por semana na casa de cada avó. Pedro esse que é o único neto, única criança das duas famílias.

Resultado: não há jeitinho de impor regras na casa das avós (e dos avôs, que estão sempre por perto também). São elas que cuidam, que vivem o dia a dia com ele, enquanto nós dois passamos a semana enfiados em escritórios dignos de The Office. E aí, como faz?

Exemplo da falta de limites aconteceu na semana passada, quando meus tios deram uma bicicleta ao Pedro. Bem na semana do Dia das Crianças. Uma bicicleta. Nós, os pais, demos um singelo carrinho de madeira e um livro. Penso eu que em qualquer lugar do mundo é proibido por lei dar presentes do tipo para crianças alheias. Aqui não. É legal, é bacana, é normal. Pedro tem 1 ano e, na mesma semana, ganhou uma bicicleta e um triciclo (dos avós paternos). Minha mãe ainda falou: "Sua tia estava com medo de você ficar brava". Brava, eu? É claro que eu fiquei! Claro também que não falei para minha tia que fiquei brava. Eu sou minimamente educada. Mas fiquei puta da vida. Dar uma bicicleta ao meu filho é invadir a privacidade da minha família, é ultrapassar os limites, é passar por cima de nossas ideias e decisões.

Mas o que podemos fazer? O jeito é sorrir amarelo e agradecer, porque ai de quem se recusa a tratar as crianças como pequenos imperadores. Ai de quem acha que livro é um excelente presente de Natal, ai de quem acha um absurdo comprar um tablet de mil reais para uma pessoinha de menos de 5 anos.