Eles cresceram e eu nem vi isso acontecendo. Saí de casa quando Maria Luísa não tinha nem 3 anos ainda, Pedro tinha 5. Fiquei um ano e meio trabalhando em outra cidade, voltando para casa (morta e acabada) à noite. Uma mágica aconteceu nesse tempo e só agora eu pude ver - e ainda estou surpresa. Eles cresceram.
O momento mais revelador para mim foi quando, no meio de janeiro, eu levei sozinha os dois para brincar no Sesc. Eu fazia isso sempre, quase toda semana, e lembrava de ser muito gostoso e muito trabalhoso. E vendo os dois brincando no ginásio e no parquinho me dei conta que eles não precisam mais de ajuda para subir, descer, se pendurar. Eu não tenho mais medo de perder um deles, não preciso mais segurar a mão o tempo todo, não preciso levar ao banheiro. Eles vão. Sobem, pulam, vão ao banheiro, tomam água sozinhos. Eu só vejo. Não choram para ir tomar lanche, para sair do brinquedo, para ir para casa. Eles conversam. Entendem. Argumentam. E o Pedro quase que nem cabe mais nos brinquedos. A brinquedoteca da parte interna é para crianças até 6 os anos. Ele faz 7 daqui a um mês e poucos dias. Ele, que eu levava bebezinho ainda e fica maluca tentado protegê-lo de ser pisado pelas crianças grandes. Ele é a criança grande agora.
Voltei a levar e buscar na escola, coisa que eu também adorava e também lembrava como sendo super canseira. Não queriam ir embora (da escola, juro!), davam trabalho pra entrar no carro, colocar o cinto de segurança, sair do carro na garagem de casa. Um dia era um que queria sair pela janela, outro dia o outro que queria dirigir um pouco antes de subirmos para o apartamento. Sem contar que tinha que estar com o almoço pronto exatamente às 12h00, porque a Maria Luísa chegava exausta e dormia logo depois. Essa semana fui liberada pelo médico para dirigir (eu fiz uma cirurgia) e minha memória já me preparou para o caos de antigamente. Fui surpreendida. Saem felizes da escola, colocam sapato, pegam as mochilas. Vão direto para o carro, colocam os cintos sozinhos (!), conversam comigo. Ontem a Maria entrou, tirou o sapato na lavanderia e ficou surpresa com a sujeira do próprio pé (estava trágico mesmo). Tirou o uniforme e me avisou 'vou tomar um banhinho rápido, estou muito suja'. E tomou, sozinha.
Estou achando o máximo e também me achando meio sobrando nessa dinâmica. Não tem mais fralda para trocar. Eu não preciso mais vestir ninguém, dar colheradas no almoço. Eles cresceram e eu preciso sim repetir isso para mim umas mil vezes para entender e para evitar entrar no caminho deles. Já entendi que eu tenho nova função como mãe. Não dá pra me dispensar (ainda), mas eu preciso achar agora o meu novo caminho.