Eu vivo exclusivamente para eles. Até quando eu não sei. Todas as horas do meu dia, da minha noite, da minha vida são deles. Morro de saudade da Juliana só minha, que podia almoçar tranquila, trabalhava, tinha dinheiro, tinha tempo para pensar. Não tenho mais tempo para pensar. Todos os momentos são completos com refeições, brincadeiras, escovação de dentes, banhos, sono, livrinhos, mais refeições. Sobra tempo é para arrumar a casa, catar sapatos jogados por aí.
Mas hoje Pedro veio conversante da escola, contando causos. E eu fiz um almoço delícia para eles. E passamos um bom tempo falando da vida, da aula dele, de quando eu era criança, dos nossos bolos favoritos, nossas coisas favoritas. A Luísa junto, querendo falar, fazendo parte da conversa. E eu pensei que não teria nada disso se trabalhasse fora, se ficasse longe deles das 7 da manhã até as 6 da tarde. Quem teria o prazer de ter esses momentos, essas pequenas confissões? As avós? Ninguém? A professora, quem sabe?
Eu já trabalhei depois de ter filhos, por 10 meses, pra ser exata. Foi tão bom e tão horrível. Eu me vestia, maquiava, tinha reuniões, salário, me sentia adulta, importante. E não me perdoava por estar longe do meu filho, que não tinha nem 2 anos. Ele passava o dia todo na escola, almoçava lá, tomava a mamadeira, tirava a sonequinha da tarde. Num colchãozinho no chão da classe, no chão de piso frio. Em dia de sol ou chuva. Meu coração partia todos os dias pensando nisso.
Agora eu estou aqui, cozinhando para eles, sabendo que estão bem, confortáveis, perto de mim. Eu surto às vezes. Não aguento mais montar quebra-cabeça, não quero mais passar o dia de Havaianas, não quero estar à disposição para amamentar a qualquer momento. Fico brava, choro, começo a procurar emprego loucamente.
Mas daí a conta não fecha, não dá para ter tudo. Não existe emprego de meio período, eu não sou empreendedora, não sei inventar meu próprio negócio. Não dá para estar lá e aqui. Eu respiro fundo e vou ficando por aqui. E não me sinto mal por isso. Não sei de deles, mas parece cedo demais para mim cortar esse nosso laço. Eu tenho inveja das mães maquiadas na porta da escola, mas tenho pena. O que eu estou vivendo neste momento é impagável, insubstituível e acontece só uma vez. É a infância dos meus filhos.
No fundo do coração eu sei que uma hora o emprego virá e que vai ser bom para todo mundo. E enquanto ele não vem eu vou vendo essas coisinhas crescerem, vou morrendo de amor a cada dia, mesmo que uns dias sejam mais difíceis que os outros.
terça-feira, 29 de novembro de 2016
Pequeno coração
24 de novembro de 2016
Maria Luísa,
Há uma semana você passou por uma cirurgia no coração. Foi um cateterismo para fechar um canalzinho que deveria ter se fechado sozinho quando você nasceu. Você tinha uma cardiopatia congênita, chamada PCA (persistência do canal arterial).
Descobrimos aos quatro meses, quando mudamos da pediatra não muito experiente (e fã de leite em pó) para o Dr. Osvaldo, que é super atencioso, a favor do aleitamento materno e não dá remédio para qualquer coisa. Foi ele quem ouviu o sopro no seu coraçãozinho e nos indicou a cardiopediatra, a Dra. Maria Helena. E foi a Maria Helena que achou que estava na hora de conhecermos o Dr. Pedra, um super especialista no assunto. Agendamos com ele em SP e ele nos pareceu muito confiante, o que nos passou muita confiança. Eu sempre encarei tudo isso de forma positiva, e não foi diferente no dia.
Você foi forte, continuou feliz e sorridente no hospital. Ficou brava só com o jejum, porque queria mamar e não podia. Foi difícil te fazer tirar uma soneca sem peito, já estamos tão acostumadas ao mamazinho da manhã. A pior parte foi te deixar na sala de cirurgia. Você tão pequena, aquela roupinha de hospital, desacordada pelo gás. Papai e eu ficamos tão triste, tão tensos.
Mas era necessário. E foi tudo tão rápido que a gente até se assustou. Depois de uma hora o Dr. Pedro nos chamou. A gente chegou ofegante, ansiosos. Dr. Pedra saiu da sala com um sorriso satisfeito, com cara de que deu tudo certo. E tinha dado mesmo. Fim, o canalzinho fechou com uma molinha em formato de rolha de champanhe.
Comemoramos. Sem mais sopro nesse coração tão lindo. Você se recuperou bem, no dia seguinte já andava pelo hospital toda animada. Todo mundo comentava como você é linda e feliz. E a gente finalmente pode respirar aliviado.
Maria Luísa,
Há uma semana você passou por uma cirurgia no coração. Foi um cateterismo para fechar um canalzinho que deveria ter se fechado sozinho quando você nasceu. Você tinha uma cardiopatia congênita, chamada PCA (persistência do canal arterial).
Descobrimos aos quatro meses, quando mudamos da pediatra não muito experiente (e fã de leite em pó) para o Dr. Osvaldo, que é super atencioso, a favor do aleitamento materno e não dá remédio para qualquer coisa. Foi ele quem ouviu o sopro no seu coraçãozinho e nos indicou a cardiopediatra, a Dra. Maria Helena. E foi a Maria Helena que achou que estava na hora de conhecermos o Dr. Pedra, um super especialista no assunto. Agendamos com ele em SP e ele nos pareceu muito confiante, o que nos passou muita confiança. Eu sempre encarei tudo isso de forma positiva, e não foi diferente no dia.
Você foi forte, continuou feliz e sorridente no hospital. Ficou brava só com o jejum, porque queria mamar e não podia. Foi difícil te fazer tirar uma soneca sem peito, já estamos tão acostumadas ao mamazinho da manhã. A pior parte foi te deixar na sala de cirurgia. Você tão pequena, aquela roupinha de hospital, desacordada pelo gás. Papai e eu ficamos tão triste, tão tensos.
Mas era necessário. E foi tudo tão rápido que a gente até se assustou. Depois de uma hora o Dr. Pedro nos chamou. A gente chegou ofegante, ansiosos. Dr. Pedra saiu da sala com um sorriso satisfeito, com cara de que deu tudo certo. E tinha dado mesmo. Fim, o canalzinho fechou com uma molinha em formato de rolha de champanhe.
Comemoramos. Sem mais sopro nesse coração tão lindo. Você se recuperou bem, no dia seguinte já andava pelo hospital toda animada. Todo mundo comentava como você é linda e feliz. E a gente finalmente pode respirar aliviado.
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
1 ano e (quase) 3 meses de Lulu
A Maria Luísa está tão fofa, mas tão fofa, que acho que merece um postzinho sobre ela, para ficar para a posteridade. No dia 13 de novembro ela completa 1 ano e 3 meses, uma criança moça já, como Pedro diz hahaha! O tempo está passando bem rapidinho, especialmente depois que ela fez 1 ano, mas eu tenho aproveitado cada fofura dela, acompanhado de perto o desenvolvimento e a interação com o irmão, enfim, mãe 24/7 tem que servir pra isso pelo menos, né.
- Está muito independente. Gosta de comer sozinha, ou com as mãos, ou usando garfo e colher. E está boa nisso! Hoje mandei para as famílias um videozinho dela comendo mamão de colher e fazendo caretinhas felizes. Quem aguenta?
- Está completamente apaixonada por um par de Crocs vermelhinho que era do Pedro e guardei justamente para ela (e está quase servindo). Pega na gaveta, coloca nos pezinhos (!) e sai pela casa feliz da vida. Também coloca nossos sapatos e sai passear.
- Sobe sozinha no sofá, deita nas almofadas e fica sorrindo de satisfação enquanto relaxa hahha. Um sarrinho!
- Ela sabe quando está fazendo gracinha, na verdade.
- Está cheia dos cachinhos dourados nos cabelos. Pensa numa criança linda.
- Sabe para que os objetos funcionam: pega a escova de dentes e leva à boca, usa o pente no cabelo, aponta o controle remoto para a TV, pega lenço umedecido quando estamos trocando a fralda dela e tenta se limpar...
- Aliás, sempre descobre quando o Pedro está no banheiro e corre lá para ajudar. Pega um mini pedaço de papel higiênico e se a gente não segura ela quer limpar o irmão hahahah. 'Assistente de vaso', o apelido dela por aqui.
- Gosta de pegar coisas pesadas e andar com elas pela casa, tipo caixas de leite, mochilas, etc.
- É rainha de trocar objetos de lugar. Controle remoto em gaveta da cozinha, carrinhos de brinquedo no banheiro, sapatos na varanda. Eu passo o dia inteiro desfazendo as artes dela.
- Come tudo o que encontra pelo chão. Pecinhas pequenas de brinquedos, giz de cera, resto de comida, um perigo. Outro dia ficou meio tossindo, meio ensgasgada, não conseguia mamar direito, estava incomodada com a soneca da tarde, e no fim tossiu tanto que eu consegui ver um adesivo dentro da boca dela! Um homem aranha, colado na garganta da menina, por horas! Quase morri do coração.
- Teve duas viroses recentemente, uma em setembro e outra em outubro. Vomitou, teve diarreia, ficou mal, tadinha. O Pedro também teve dessa última vez, e até eu e o Juliano pegamos. Acabou emagrecendo um pouco.
- Estava pesando 8,250 kg, na última consulta que fomos, no fim de outubro.
- Dança para qualquer música. E gosta de girar em volta dela mesma até ficar tonta.
- Brinca com brinquedos na sala, colocando coisas dentro de caixinhas, montando bloquinhos, essas coisas.
- Brinca de areia e adora ficar enchendo os baldinhos. E gosta de ir nos brinquedos dos parques como se fosse menina grande.
- Fala! hahahha, tipo isso:
. mamã = mamãe
. papa = papai
. memé = Pedro
. esse = esse (apontando e exigindo as coisas que vê)
. tetê = mamadeira ou copinho
. xixi = ué
. bibibi = barulhinho que faz a chave eletrônica do prédio
Ah, e a cirurgia está marcada para dia 17 de novembro, em São Paulo. Eu estou super confiante que vai dar tudo certo e Maria Luísa estará livre de cardiologistas em breve!
- Está muito independente. Gosta de comer sozinha, ou com as mãos, ou usando garfo e colher. E está boa nisso! Hoje mandei para as famílias um videozinho dela comendo mamão de colher e fazendo caretinhas felizes. Quem aguenta?
- Está completamente apaixonada por um par de Crocs vermelhinho que era do Pedro e guardei justamente para ela (e está quase servindo). Pega na gaveta, coloca nos pezinhos (!) e sai pela casa feliz da vida. Também coloca nossos sapatos e sai passear.
- Sobe sozinha no sofá, deita nas almofadas e fica sorrindo de satisfação enquanto relaxa hahha. Um sarrinho!
- Ela sabe quando está fazendo gracinha, na verdade.
- Está cheia dos cachinhos dourados nos cabelos. Pensa numa criança linda.
- Sabe para que os objetos funcionam: pega a escova de dentes e leva à boca, usa o pente no cabelo, aponta o controle remoto para a TV, pega lenço umedecido quando estamos trocando a fralda dela e tenta se limpar...
- Aliás, sempre descobre quando o Pedro está no banheiro e corre lá para ajudar. Pega um mini pedaço de papel higiênico e se a gente não segura ela quer limpar o irmão hahahah. 'Assistente de vaso', o apelido dela por aqui.
- Gosta de pegar coisas pesadas e andar com elas pela casa, tipo caixas de leite, mochilas, etc.
- É rainha de trocar objetos de lugar. Controle remoto em gaveta da cozinha, carrinhos de brinquedo no banheiro, sapatos na varanda. Eu passo o dia inteiro desfazendo as artes dela.
- Come tudo o que encontra pelo chão. Pecinhas pequenas de brinquedos, giz de cera, resto de comida, um perigo. Outro dia ficou meio tossindo, meio ensgasgada, não conseguia mamar direito, estava incomodada com a soneca da tarde, e no fim tossiu tanto que eu consegui ver um adesivo dentro da boca dela! Um homem aranha, colado na garganta da menina, por horas! Quase morri do coração.
- Teve duas viroses recentemente, uma em setembro e outra em outubro. Vomitou, teve diarreia, ficou mal, tadinha. O Pedro também teve dessa última vez, e até eu e o Juliano pegamos. Acabou emagrecendo um pouco.
- Estava pesando 8,250 kg, na última consulta que fomos, no fim de outubro.
- Dança para qualquer música. E gosta de girar em volta dela mesma até ficar tonta.
- Brinca com brinquedos na sala, colocando coisas dentro de caixinhas, montando bloquinhos, essas coisas.
- Brinca de areia e adora ficar enchendo os baldinhos. E gosta de ir nos brinquedos dos parques como se fosse menina grande.
- Fala! hahahha, tipo isso:
. mamã = mamãe
. papa = papai
. memé = Pedro
. esse = esse (apontando e exigindo as coisas que vê)
. tetê = mamadeira ou copinho
. xixi = ué
. bibibi = barulhinho que faz a chave eletrônica do prédio
Ah, e a cirurgia está marcada para dia 17 de novembro, em São Paulo. Eu estou super confiante que vai dar tudo certo e Maria Luísa estará livre de cardiologistas em breve!
Pedro, menino moço
Pedro descobriu os super-heróis. Não fomos nós que apresentamos - provavelmente foram os amigos da escola ou a publicidade da TV, olha só que beleza, mas sei que agora tudo envolve a força do Hulk, as cores do Homem Aranha, o escudo de sei lá quem. Ele come uma colherada no almoço e já dá uns pulos para ver se ficou forte igual o Super-Alguma-Coisa. Não brinca de lutar ou bater, mesmo porque nem assiste filmes ou desenhos com essa galera, mas que está todo adolescente, está.
Aliás, me disse esses dias: "Eu já cresci, não sou mais bebê. Agora sou um deficiente". Claro que morri de rir e ensinei a diferença das duas palavras. Ele adora quando a gente ensina coisas pra ele ou conta histórias da nossa infância. É tão bonitinho ver o interesse dele enquanto eu falo, me dá motivação para ensinar muito mais.
Na escola está aprendendo sobre o folclore. Se a gente pergunta muito ele não gosta de contar, mas sempre no caminho para casa me fala uma coisa ou outra que aprendeu ou que aconteceu. Esses dias perdi alguma coisa na cozinha e fiquei maluquinha procurando. Ele falou calmamente: "Só pode ser coisa do Saci". hahahah, é muita lindeza! E lindeza também é a escola dele, que ignora bobagens tipo apostila, Halloween, televisão e dá coisas de verdade para aquelas crianças fazerem. Fazem tinta natural, massinha, aprendem brincadeiras de outros países, rolam na terra, fazem colagem com folhas e galhos, ouvem histórias todos os dias. Não sei quem gosta mais, Pedro ou eu.
É verdade que ele teve alguns problemas com alguns amigos recentemente. Eu fiquei de coração na mão, sofrendo sem poder ajudar. Alguns meninos da sala dele são meio agressivos, manhosos, aka chatos mesmo. Uma sala de 8 alunos, veja bem. E Pedro foi mordido por um deles algumas vezes, e reclamou também que jogam areia nele no parque. Eu tentei conversar, pedi para ele avisar os amigos que não quer mais isso, que é feio, etc. Falei com a professora e ela faz o que pode, mas tem um ponto: ele precisa aprender a se defender sozinho. Eu dou apoio, digo na hora que acontece para ele se posicionar, falar bravo com o amigo, ela me diz. Eu concordo, mas minha vontade é eu mesma morder aquele pequeno mala. Por fim, mudamos de estratégia: Pedro, quando o fulano te morder, morda de volta. Mas forte, bem forte, para doer. Quando jogar areia, grite com ele e jogue areia nele. Mas bastante areia. Certeza que ele não fez nada disso, não faz parte dele ser assim, mas pelo menos ele sabe que pode fazer se sentir necessidade. Tem meu apoio.
No mais, continua sendo a criança mais inteligente do mundo, de acordo comigo. Monta quebra-cabeças grandes em segundos (minutos, hahaha, na verdade), conversa sobre variados assuntos, quer saber de países, planetas, músicas, comidas, tudo tudo tudo. Dia desses pegamos uns livros para crianças sobre compositores e lemos sobre Mozart. No fim da história, um pequeno questionário tipo interpretação de texto. Fiz de brincaderia com Pedro e o cara acertou TODAS as questões. Não porque chutou, mas porque entendeu o livro e achou óbvia cada resposta. Dois dias depois, lemos sobre Chopin e a mesma coisa, acertou tudo. Morro ou não morro de orgulho?
Resolveu também ajudar nas coisas da casa. Arruma camas, guarda coisas nas gavetas, pega coisas da geladeira, arruma brinquedos antes de dormir. Deus conserve.
Passa HORAS brincando com seus animais, avião e helicóptero. Ele ama tanto esses animais que até os dinossauros estão meio esquecidos.
A relação com a irmã vai bem, eles se gostam e aprontam juntos pela casa todos os dias. Mas às vezes ele puxa coisas da mão dela, derruba-a de propósito... deixo os dois sozinhos na sala enquanto cozinho, mas é sempre bom dar uma espiadinha. E antes de dormir, não tem um dia que eles não se deem beijos e abracinhos de boa noite. Não precisa de mais nada para derreter o coração da mãe, né.
São tantas coisas que Pedro faz e fala todos os dias que até me perco e não sei mais o que anotei, o que ele já fazia, o que começou a fazer agora. É muito feliz para mim ver meus filhos crescendo bem, espertos, felizes, e perto de mim.
Aliás, me disse esses dias: "Eu já cresci, não sou mais bebê. Agora sou um deficiente". Claro que morri de rir e ensinei a diferença das duas palavras. Ele adora quando a gente ensina coisas pra ele ou conta histórias da nossa infância. É tão bonitinho ver o interesse dele enquanto eu falo, me dá motivação para ensinar muito mais.
Na escola está aprendendo sobre o folclore. Se a gente pergunta muito ele não gosta de contar, mas sempre no caminho para casa me fala uma coisa ou outra que aprendeu ou que aconteceu. Esses dias perdi alguma coisa na cozinha e fiquei maluquinha procurando. Ele falou calmamente: "Só pode ser coisa do Saci". hahahah, é muita lindeza! E lindeza também é a escola dele, que ignora bobagens tipo apostila, Halloween, televisão e dá coisas de verdade para aquelas crianças fazerem. Fazem tinta natural, massinha, aprendem brincadeiras de outros países, rolam na terra, fazem colagem com folhas e galhos, ouvem histórias todos os dias. Não sei quem gosta mais, Pedro ou eu.
É verdade que ele teve alguns problemas com alguns amigos recentemente. Eu fiquei de coração na mão, sofrendo sem poder ajudar. Alguns meninos da sala dele são meio agressivos, manhosos, aka chatos mesmo. Uma sala de 8 alunos, veja bem. E Pedro foi mordido por um deles algumas vezes, e reclamou também que jogam areia nele no parque. Eu tentei conversar, pedi para ele avisar os amigos que não quer mais isso, que é feio, etc. Falei com a professora e ela faz o que pode, mas tem um ponto: ele precisa aprender a se defender sozinho. Eu dou apoio, digo na hora que acontece para ele se posicionar, falar bravo com o amigo, ela me diz. Eu concordo, mas minha vontade é eu mesma morder aquele pequeno mala. Por fim, mudamos de estratégia: Pedro, quando o fulano te morder, morda de volta. Mas forte, bem forte, para doer. Quando jogar areia, grite com ele e jogue areia nele. Mas bastante areia. Certeza que ele não fez nada disso, não faz parte dele ser assim, mas pelo menos ele sabe que pode fazer se sentir necessidade. Tem meu apoio.
No mais, continua sendo a criança mais inteligente do mundo, de acordo comigo. Monta quebra-cabeças grandes em segundos (minutos, hahaha, na verdade), conversa sobre variados assuntos, quer saber de países, planetas, músicas, comidas, tudo tudo tudo. Dia desses pegamos uns livros para crianças sobre compositores e lemos sobre Mozart. No fim da história, um pequeno questionário tipo interpretação de texto. Fiz de brincaderia com Pedro e o cara acertou TODAS as questões. Não porque chutou, mas porque entendeu o livro e achou óbvia cada resposta. Dois dias depois, lemos sobre Chopin e a mesma coisa, acertou tudo. Morro ou não morro de orgulho?
Resolveu também ajudar nas coisas da casa. Arruma camas, guarda coisas nas gavetas, pega coisas da geladeira, arruma brinquedos antes de dormir. Deus conserve.
Passa HORAS brincando com seus animais, avião e helicóptero. Ele ama tanto esses animais que até os dinossauros estão meio esquecidos.
A relação com a irmã vai bem, eles se gostam e aprontam juntos pela casa todos os dias. Mas às vezes ele puxa coisas da mão dela, derruba-a de propósito... deixo os dois sozinhos na sala enquanto cozinho, mas é sempre bom dar uma espiadinha. E antes de dormir, não tem um dia que eles não se deem beijos e abracinhos de boa noite. Não precisa de mais nada para derreter o coração da mãe, né.
São tantas coisas que Pedro faz e fala todos os dias que até me perco e não sei mais o que anotei, o que ele já fazia, o que começou a fazer agora. É muito feliz para mim ver meus filhos crescendo bem, espertos, felizes, e perto de mim.
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