segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Irmão mais velho (e o mais fofo do mundo)

1) Matriculamos Maria Luísa na natação e seu primeiro dia de aula caiu bem em uma sexta-feira pós feriado, a família toda em casa. Enquanto eu preparava a mochila com as roupas e toalhas, Pedro foi até à irmã, que brincava no chão do quarto, e disse: 

- Maria, hoje é uma dia muito importante para você, seu primeiro dia na natação. Vai dar tudo certo! 

2) No domingo, chegamos na casa da minha avó por volta do meio-dia para o almoço, como fazemos toda semana, e Maria Luísa, que estava morrendo de sono, tinha tirado um cochilo na cadeirinha, mas curto, já que não levamos nem 10 minutos no trajeto. Resultado é que acordou quando a tiramos do carro e passou uns bons minutos num chororô chato até acordar de vez. 

Na sala, avós, tios e primos animados esperavam as crianças (as únicas da família, vale dizer). Meu tio pegou o Pedro no colo e começou a brincar de ventríloquo, fazendo gracinhas do tipo 'agora o Pedro é meu! Ele vai morar na minha casa!', e todos riam. A Maria Luísa, num mau humor, não achou nada engraçado e fechou a cara. Pedro se comoveu no mesmo momento, saiu do colo e veio em nossa direção, abaixando na altura da irmã:

- Maria, não fique triste, é brincadeira do tio Julinho, eu vou ser seu irmão pra sempre!   

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Recompensa

Em uma conversa na hora do almoço, contei ao Pedro que ele já havia ficado na escola em período integral, igual a muitos dos amigos dele ficam. Foi na escola anterior, quando ele ainda era pequeno e a mamãe trabalhava em um escritório, igual ao papai. Eu saía cedo e voltava só quando já era quase noite. Ele ficava com as vovós depois da escola, e quando a gente se encontrava eu o abraçava muito, de tanta saudade. Sabe, filho, eu sentia muito sua falta durante o dia, foi por isso que decidi sair do trabalho e ficar cuidando de vocês. Ele deixou a colher ao lado do prato, se levantou da cadeira e me deu um abraço muito forte. Não se preocupe, mamãe, você vai ser meu amor da vida inteira.

It doesn't get any cuter

As crianças estão em uma fase deliciosa, os dois. 

Pedro, com quatro anos, está muito inteligente e amigo, sempre com uma tirada esperta, um desenho mais surpreendente que o outro, um carinho inesperado na gente. Ainda tem uns momentos de criança pequena, que é o que ele é, e chora, quer colo, faz escândalo porque ralou o joelho ou porque aquele não é seu garfo favorito. Tenho observado também sua relação com outras pessoas e percebo que tem se saído bem. Na escola, gosta de todos na classe, apesar de preferir brincar sozinho, mas tem falado de um ou outro amigo e, num mesmo dia, vi dois coleguinhas ficarem muito felizes em vê-lo. Para a festa de aniversário de uma amiga, para a qual todos nós fomos convidados, ele quis fazer um cartão especial e encheu uma sulfite de corações. Foi um momento engraçado, Juliano e eu não sabíamos bem como reagir e acabamos colocando o papel junto com o livro que compramos de presente. 

Maria Luísa, aos dois anos, fala coisas engraçadas o dia todo, desde a hora que acorda. Cedo, aliás, mesmo aos fins de semana. E sempre chamando o Pedro e pedindo mamadeira. De manhã, toma seu tetê e fica à espreita para ver se sobra um pouco de leite no copo do Pedro, o que acontece com frequência. Ela é tão esperta, sempre atenta ao que está acontecendo. Já sabe inventar letras de músicas para melodias conhecidas, velha brincadeira minha e do irmão. E adora dar um jeito de provocá-lo em suas composições, algo como "...o Pedro é feio e quer casar". Todos os dias inventa moda para ir à escola: um chapéu, um lacinho, um guarda-chuva, óculos de sol, galochas. Às vezes tudo ao mesmo tempo. Vai caminhando com seu andarzinho de bebê e todo mundo em volta sorri, elogiando a fofura dela. 

Tem sido fácil sair com os dois e mesmo ficar em casa. Inventamos brincadeiras, corremos na garagem no fim da tarde e eles sempre obedecem, dão as mãos na hora de sair na rua, choram pouco quando chega a hora de ir embora. Entrar e sair do carro também não é mais um desafio, nem almoçar. Maria Luísa tem colaborado e essas tarefas deixaram de ser um peso, olha que coisa. Na sexta-feira Pedro irá dormir na escola, e eu não sei como vou reagir. Sempre me achei uma mãe super bacana, que deixa os filhos livres, mas acho que não sou bem assim. Tenho medo que ele sinta medo, que passe frio, que fique sozinho. Mas assinamos a autorização, ele está empolgado, vamos arrumar a mala e colocar o hipopotaminho de pelúcia lá dentro, que vai nos representar durante a noite fora de casa.

Da até dó de pensar nos dois crescendo, ficando mais independente, menos grudados em mim. É uma sensação maravilhosa ser a pessoa mais amada na vidinha deles, eu secretamente sorrio quando eles choram porque querem dormir com a mamãe, ficar com a mamãe, sentar no colo da mamãe, fazer qualquer coisa do mundo com a mamãe. Faz quatro anos e meio que eu sou loucamente apaixonada por esses dois.