Pedro e papai na garagem, observando o céu numa noite estrelada.
- Olha, filho, a lua!
- E as estrelas, papai!
- E um avião! Você viu o avião passando?
- Avião vermelho!
- Ele não é vermelho, a luzinha dele que é vermelha.
- Luzinha no avião não, 'luzinha' tá na barriga da mamãe!
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Menina grande
Até pouco tempo você nem se mexia. Vez ou outra eu sentia uma cosquinha na barriga. Mas então você começou a crescer - assim como seu irmão - e virou menina grande. Grande também ficou minha barriga, que não deixa mais dúvidas sobre ter um bebê aqui dentro. Agora tem espaço e você aprendeu a se mexer, dar chutinhos e cambalhotas. Seu pai também consegue sentir, quando coloca a mão na minha barriga. Só Pedro, que ainda não entende bem como essas coisas funcionam e não vê a menor graça de encostar na barriga grande da mamãe.
Aos poucos estou comprando suas coisinhas, um pouquinho de vermelho, um lacinho cor-de-rosa, um vestidinho, um sapatinho dourado. Seu berço também já é seu, com o aval do ex-dono. Já que ele tem cama de menino grande, por que não deixar a cama de bebê para a Luisinha? "Boa ideia, né, filho?", "Boa ideia, mamãe".
E assim a gente vai vivendo, te esperando e pensando como vai ser essa nova vida. Sempre achei que quem tem um filho tem dois, três, quatro... o trabalho mesmo é o primeiro, que é muita novidade. Agora repenso. Será? Chega o segundo, mas o primeiro está lá ainda, dando trabalho! E Pedro tem dado trabalho. Crise dos dois anos? Ciúme de uma barriga que não para de crescer? Tédio? Presença constante da mãe, que agora não trabalha mais? Não sei. Mas sei que ele já te considera alguém da nossa família, Luísa, e nunca esquece de te mencionar. "Casa da mamãe, do papai, do Pebo e da nenê". Independente de como será esse nosso começo, tenho certeza que vai ter muito amor para superar o que for preciso.
Aos poucos estou comprando suas coisinhas, um pouquinho de vermelho, um lacinho cor-de-rosa, um vestidinho, um sapatinho dourado. Seu berço também já é seu, com o aval do ex-dono. Já que ele tem cama de menino grande, por que não deixar a cama de bebê para a Luisinha? "Boa ideia, né, filho?", "Boa ideia, mamãe".
E assim a gente vai vivendo, te esperando e pensando como vai ser essa nova vida. Sempre achei que quem tem um filho tem dois, três, quatro... o trabalho mesmo é o primeiro, que é muita novidade. Agora repenso. Será? Chega o segundo, mas o primeiro está lá ainda, dando trabalho! E Pedro tem dado trabalho. Crise dos dois anos? Ciúme de uma barriga que não para de crescer? Tédio? Presença constante da mãe, que agora não trabalha mais? Não sei. Mas sei que ele já te considera alguém da nossa família, Luísa, e nunca esquece de te mencionar. "Casa da mamãe, do papai, do Pebo e da nenê". Independente de como será esse nosso começo, tenho certeza que vai ter muito amor para superar o que for preciso.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Menino grande
A cama de menino grande chegou quando ele estava na escola. Arrumei o lençol de animais, o edredom azul, coloquei o cachorrinho de pelúcia em cima e esperei a reação do meu bebê que, naquela noite, seria promovido a menino grande. Ele chegou, achou tudo legal, e disse que agora tinha duas camas. A noite transcorreu bem, algumas acordadinhas esporádicas, nada além do já esperado, assim como as demais.
Aos poucos, ele foi curtindo a ideia de ver o quarto por outro ângulo ('Olha, mamãe, um quadro de barcos'), de poder subir e descer sozinho (embora na maior parte dos dias ainda nos chama quando acorda), de ter uma mesinha com um abajur e uns poucos brinquedos bem ao lado, ao alcance das mãos. Aos poucos, eu fui parando de sofrer com a ideia, de achar que ele poderia cair a qualquer momento, de pensar que ele vai crescer e nunca mais vai ser um bebê de berço. Mesmo porque já era. Já cresceu. Já é menino grande.
Mas ainda cabe no meu colo.
Aos poucos, ele foi curtindo a ideia de ver o quarto por outro ângulo ('Olha, mamãe, um quadro de barcos'), de poder subir e descer sozinho (embora na maior parte dos dias ainda nos chama quando acorda), de ter uma mesinha com um abajur e uns poucos brinquedos bem ao lado, ao alcance das mãos. Aos poucos, eu fui parando de sofrer com a ideia, de achar que ele poderia cair a qualquer momento, de pensar que ele vai crescer e nunca mais vai ser um bebê de berço. Mesmo porque já era. Já cresceu. Já é menino grande.
Mas ainda cabe no meu colo.
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Controle de natalidade
Quando decidi ver logo no ultrassom que meu bebezinho se tratava de uma menininha, logo começaram a surgir os comentários. O mais comum deles:
- Um casalzinho? Que bom, assim já dá pra 'fechar a fábrica'!
De quem?
Da faxineira.
Da mãe da esposa do meu tio.
Da mãe da esposa do tio do meu marido.
Da moça do caixa das Lojas Americanas.
Da menina do RH da empresa que eu trabalhava.
De uma senhorinha que me viu no supermercado.
Da moça da barraca de caldo de cana da feira de domingo.
Dá pra acreditar? Nunca imaginei que ia ser alvo da patrulha do controle de natalidade. E sobre fechar a fábrica, confesso que quando passei três/quatro meses com enjoo e vômito, e quando a cama chegou e deixou o quarto das crianças bem apertadinho, eu pensei que dois está bom. Mas decidir mesmo eu não decidi. De qualquer forma, é um assunto bem particular, não é não?
- Um casalzinho? Que bom, assim já dá pra 'fechar a fábrica'!
De quem?
Da faxineira.
Da mãe da esposa do meu tio.
Da mãe da esposa do tio do meu marido.
Da moça do caixa das Lojas Americanas.
Da menina do RH da empresa que eu trabalhava.
De uma senhorinha que me viu no supermercado.
Da moça da barraca de caldo de cana da feira de domingo.
Dá pra acreditar? Nunca imaginei que ia ser alvo da patrulha do controle de natalidade. E sobre fechar a fábrica, confesso que quando passei três/quatro meses com enjoo e vômito, e quando a cama chegou e deixou o quarto das crianças bem apertadinho, eu pensei que dois está bom. Mas decidir mesmo eu não decidi. De qualquer forma, é um assunto bem particular, não é não?
terça-feira, 12 de maio de 2015
Pra contar
Tem umas coisas que a gente vive e diz 'isso é para contar para os filhos'! Então, Pedro e Luísa, conto agora coisas legais que já aconteceram comigo em viagens que fiz:
_ Nadei com tartarugas e arraias no mar de Fernando de Noronha.
_ Vi meu ônibus parar para uma manada de bois atravessar a estrada no Mato Grosso do Sul.
_ Vi meu ônibus parar para um alce atravessar a estrada, desta vez em Alberta, no Canadá.
_ Do alto do Arco do Triunfo, vi anoitecer em Paris e a Torre Eiffel se iluminar.
_ Presenciei panelaços nas praças de Buenos Aires.
_ Assisti, junto com um milhão de pessoas, um show dos Rolling Stones na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
_ Nadei com tartarugas e arraias no mar de Fernando de Noronha.
_ Vi meu ônibus parar para uma manada de bois atravessar a estrada no Mato Grosso do Sul.
_ Vi meu ônibus parar para um alce atravessar a estrada, desta vez em Alberta, no Canadá.
_ Do alto do Arco do Triunfo, vi anoitecer em Paris e a Torre Eiffel se iluminar.
_ Presenciei panelaços nas praças de Buenos Aires.
_ Assisti, junto com um milhão de pessoas, um show dos Rolling Stones na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Titibol
O que restou de fofura no vocabulário de um menino que fala quase tudo certinho:
- titibol = futebol
- caeda = cadeira
- bandão = grandão
- mamimais = animais
- memelho = vermelho
- de conca cabeça = de ponta cabeça
- farofia = farofa
- minhoquia = minhoca
- icultura = cobertura (do prédio, onde vamos brincar de patinete e bolinhas de sabão)
- titibol = futebol
- caeda = cadeira
- bandão = grandão
- mamimais = animais
- memelho = vermelho
- de conca cabeça = de ponta cabeça
- farofia = farofa
- minhoquia = minhoca
- icultura = cobertura (do prédio, onde vamos brincar de patinete e bolinhas de sabão)
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