Até pouco tempo você nem se mexia. Vez ou outra eu sentia uma cosquinha na barriga. Mas então você começou a crescer - assim como seu irmão - e virou menina grande. Grande também ficou minha barriga, que não deixa mais dúvidas sobre ter um bebê aqui dentro. Agora tem espaço e você aprendeu a se mexer, dar chutinhos e cambalhotas. Seu pai também consegue sentir, quando coloca a mão na minha barriga. Só Pedro, que ainda não entende bem como essas coisas funcionam e não vê a menor graça de encostar na barriga grande da mamãe.
Aos poucos estou comprando suas coisinhas, um pouquinho de vermelho, um lacinho cor-de-rosa, um vestidinho, um sapatinho dourado. Seu berço também já é seu, com o aval do ex-dono. Já que ele tem cama de menino grande, por que não deixar a cama de bebê para a Luisinha? "Boa ideia, né, filho?", "Boa ideia, mamãe".
E assim a gente vai vivendo, te esperando e pensando como vai ser essa nova vida. Sempre achei que quem tem um filho tem dois, três, quatro... o trabalho mesmo é o primeiro, que é muita novidade. Agora repenso. Será? Chega o segundo, mas o primeiro está lá ainda, dando trabalho! E Pedro tem dado trabalho. Crise dos dois anos? Ciúme de uma barriga que não para de crescer? Tédio? Presença constante da mãe, que agora não trabalha mais? Não sei. Mas sei que ele já te considera alguém da nossa família, Luísa, e nunca esquece de te mencionar. "Casa da mamãe, do papai, do Pebo e da nenê". Independente de como será esse nosso começo, tenho certeza que vai ter muito amor para superar o que for preciso.
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