quarta-feira, 20 de maio de 2015

Menino grande

A cama de menino grande chegou quando ele estava na escola. Arrumei o lençol de animais, o edredom azul, coloquei o cachorrinho de pelúcia em cima e esperei a reação do meu bebê que, naquela noite, seria promovido a menino grande. Ele chegou, achou tudo legal, e disse que agora tinha duas camas. A noite transcorreu bem, algumas acordadinhas esporádicas, nada além do já esperado, assim como as demais.

Aos poucos, ele foi curtindo a ideia de ver o quarto por outro ângulo ('Olha, mamãe, um quadro de barcos'), de poder subir e descer sozinho (embora na maior parte dos dias ainda nos chama quando acorda), de ter uma mesinha com um abajur e uns poucos brinquedos bem ao lado, ao alcance das mãos. Aos poucos, eu fui parando de sofrer com a ideia, de achar que ele poderia cair a qualquer momento, de pensar que ele vai crescer e nunca mais vai ser um bebê de berço. Mesmo porque já era. Já cresceu. Já é menino grande.

Mas ainda cabe no meu colo. 

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