Pedro está curiosíssimo com a morte. Por que morremos? Quando? Quem morre? Todo mundo? Até a mamãe e o papai? E depois, o que acontece?
Estamos fazendo nosso melhor para sermos verdadeiros (sim, todo mundo morre. Não, não acontece nada depois que a gente morre) e sensíveis (mas ó, a gente morre quando fica beeem velhinho...) com ele nesse momento, e ele já está mais tranquilo com o assunto.
Nessa semana fomos visitar meus avós e ele foi, com toda a pureza dos seus 4 anos, explicar coisas da vida para meu avô, de 88 anos.
Vô Zito, sabia que você é muito, muito, muuuito velhinho, mas ainda está vivo?
Meu vô riu e o abraçou, e foi uma das coisas mais bonitas que eu vi acontecer.
sábado, 29 de julho de 2017
segunda-feira, 24 de julho de 2017
Três mudanças que devo à maternidade
É fato que cada uma reage de uma forma à maternidade, mas eu posso afirmar sem a menor dúvida: ter filhos fez de mim uma pessoa melhor. Por mais trabalho e desafios que eles me proporcionem todo santo dia, eu vejo a chegada do Pedro e da Maria Luísa como um antes/depois na minha vida. Eu nasci de novo, virei outra, me redescobri. Entre os milhares de benefícios que esses dois pequenos me trouxeram, quero destacar três.
Fim da preguiça
Eu era demais de preguiçosa, confesso. Quando nos casamos, nosso sábado era basicamente dormir até 11 da manhã, almoçar fora, dormir até 5 da tarde, ficar de bobeira no sofá, se arrumar e sair às 10 da noite. Depois voltar pra casa e dormir de novo. O domingo era uma reprise, menos a parte do sair à noite. Emocionante, não? (ok, não era ruim, mas com número reduzidíssimo de atividades). Mas aí as crianças chegaram.
Tem sábado que não deu meio-dia ainda e a gente já saiu, foi ao parque, ao centro, ao sesc, fez exame médico, tomou café fora, comprou não sei o que, visitou sei lá o que mais. E tem mais à tarde: não dá pra deixar os dois vendo TV o dia inteiro, né. E lá vamos nós para mais parque, praça, contação de história, rua, livraria, garagem, etc etc etc. Eu, que demorava horas pra levantar do sofá ou me arrumar pra sair, agora tenho que estar sempre meio pronta e disposta a fazer alguma coisa legal com eles.
Mesa mais saudável
Once again: eu vivia MUITO cansada quando trabalhava fora, especialmente antes do Pedro nascer. Saía cedo de casa, chegava de noite, morta, sem coragem de fazer mais nada da vida além de me jogar no sofá - quem dirá cozinhar. E a gente nem era muito bom nisso mesmo, faltava prática. Então era risoto, massa e coxinha da Real com muita frequência. Mas aí virei mãe.
Como alimentar um bebê com coxinha todos os dias? Apesar de ter comido muito Mc Donald's na gravidez, eu estava decidida a dar uma alimentação legal para o meu filho. Perto do Pedro completar seis meses, começamos a fazer feira. Era até esquisito, eu não fazia a menor ideia de como escolher as coisas. Mas em pouco tempo pegamos prática em comprar e cozinhar coisas saudáveis e gostosinhas para ele e para nós dois também. Paramos de comprar porcarias no supermercado (se tem em casa com certeza a gente come. Se não tem, nem sente falta), aprendemos a congelar alimentos e estabelecemos horários fixos para as refeições de todos. E comemos todos juntos, o que além de tudo é bem legal!
Tchau, timidez
Eu nunca fui lá muito simpática e sorridente. Tinha gente que até me achava metida, mas era medo mesmo de falar com quem não conhecia. Tímida, muito tímida. Até meu ex-chefe tratou isso como um ponto negativo num feedback que me deu. E juro que até tentava mudar, mas era bem difícil. Mas aí essas duas figurinhas apareceram.
Não dá pra ser tímida e cantar 'O Sapo Não Lava o Pé' no meio da rua. Ou apostar corrida com as crianças na calçada, ou brincar de esconde-esconde no meio de um parque cheio de outras mães. Ou tentar acalmar uma criança berrando no meio do shopping. Ou viver com um menininho que fala para desconhecidos no elevador: "Onde você vai? No supermercado? Comprar o quê?". Não dá. É claro que eu ainda não sou a Miss Simpatia, mas passei a distribuir mais sorrisinhos por aí, a puxar assunto com outros pais e mães na natação e coisas do tipo. Estar um pouco mais velha também ajuda, mas com certeza foi a convivência com eles e toda essa espontaneidade que só as crianças têm que me deram um empurrãozinho para melhorar a timidez.
Fim da preguiça
Eu era demais de preguiçosa, confesso. Quando nos casamos, nosso sábado era basicamente dormir até 11 da manhã, almoçar fora, dormir até 5 da tarde, ficar de bobeira no sofá, se arrumar e sair às 10 da noite. Depois voltar pra casa e dormir de novo. O domingo era uma reprise, menos a parte do sair à noite. Emocionante, não? (ok, não era ruim, mas com número reduzidíssimo de atividades). Mas aí as crianças chegaram.
Tem sábado que não deu meio-dia ainda e a gente já saiu, foi ao parque, ao centro, ao sesc, fez exame médico, tomou café fora, comprou não sei o que, visitou sei lá o que mais. E tem mais à tarde: não dá pra deixar os dois vendo TV o dia inteiro, né. E lá vamos nós para mais parque, praça, contação de história, rua, livraria, garagem, etc etc etc. Eu, que demorava horas pra levantar do sofá ou me arrumar pra sair, agora tenho que estar sempre meio pronta e disposta a fazer alguma coisa legal com eles.
Mesa mais saudável
Once again: eu vivia MUITO cansada quando trabalhava fora, especialmente antes do Pedro nascer. Saía cedo de casa, chegava de noite, morta, sem coragem de fazer mais nada da vida além de me jogar no sofá - quem dirá cozinhar. E a gente nem era muito bom nisso mesmo, faltava prática. Então era risoto, massa e coxinha da Real com muita frequência. Mas aí virei mãe.
Como alimentar um bebê com coxinha todos os dias? Apesar de ter comido muito Mc Donald's na gravidez, eu estava decidida a dar uma alimentação legal para o meu filho. Perto do Pedro completar seis meses, começamos a fazer feira. Era até esquisito, eu não fazia a menor ideia de como escolher as coisas. Mas em pouco tempo pegamos prática em comprar e cozinhar coisas saudáveis e gostosinhas para ele e para nós dois também. Paramos de comprar porcarias no supermercado (se tem em casa com certeza a gente come. Se não tem, nem sente falta), aprendemos a congelar alimentos e estabelecemos horários fixos para as refeições de todos. E comemos todos juntos, o que além de tudo é bem legal!
Tchau, timidez
Eu nunca fui lá muito simpática e sorridente. Tinha gente que até me achava metida, mas era medo mesmo de falar com quem não conhecia. Tímida, muito tímida. Até meu ex-chefe tratou isso como um ponto negativo num feedback que me deu. E juro que até tentava mudar, mas era bem difícil. Mas aí essas duas figurinhas apareceram.
Não dá pra ser tímida e cantar 'O Sapo Não Lava o Pé' no meio da rua. Ou apostar corrida com as crianças na calçada, ou brincar de esconde-esconde no meio de um parque cheio de outras mães. Ou tentar acalmar uma criança berrando no meio do shopping. Ou viver com um menininho que fala para desconhecidos no elevador: "Onde você vai? No supermercado? Comprar o quê?". Não dá. É claro que eu ainda não sou a Miss Simpatia, mas passei a distribuir mais sorrisinhos por aí, a puxar assunto com outros pais e mães na natação e coisas do tipo. Estar um pouco mais velha também ajuda, mas com certeza foi a convivência com eles e toda essa espontaneidade que só as crianças têm que me deram um empurrãozinho para melhorar a timidez.
domingo, 23 de julho de 2017
Pequenos diálogos
Meio das férias, eu e as crianças brincando no parquinho. Chamo a atenção do Pedro, que estava se pendurando em algum brinquedo.
Eu: - Cara, desça daí, por favor, é perigoso.
Menino aleatório que estava ao lado: - Você chama seu filho de 'cara'?!?!
Pedro (fazendo cara de sapeca): - Aham, cara ou carinha.
*
No tapete da sala, nós três brincando de construir um hotel de bloquinhos para os animais (pequenos, de plástico) do Pedro passarem as férias. Piscina, quartos, restaurante (improvisado com as panelinhas da Maria Luísa) prontos. Os animais fazem fila para jantar e Pedro fica responsável pela comida.
Eu: - Mas filho, eles são animais... o que podemos cozinhar para eles?
Pedro: - Hmmm... pessoas!
😀
Eu: - Cara, desça daí, por favor, é perigoso.
Menino aleatório que estava ao lado: - Você chama seu filho de 'cara'?!?!
Pedro (fazendo cara de sapeca): - Aham, cara ou carinha.
*
No tapete da sala, nós três brincando de construir um hotel de bloquinhos para os animais (pequenos, de plástico) do Pedro passarem as férias. Piscina, quartos, restaurante (improvisado com as panelinhas da Maria Luísa) prontos. Os animais fazem fila para jantar e Pedro fica responsável pela comida.
Eu: - Mas filho, eles são animais... o que podemos cozinhar para eles?
Pedro: - Hmmm... pessoas!
😀
sábado, 8 de julho de 2017
A gente não precisa de tablet
Em nossa viagem para Petrópolis, ficamos hospedados em um hotel bem legal, com um restaurante delicioso - e bem chique. Daqueles com taças e talheres demais na mesa. Muito bom para um casal, por exemplo, ou um grupo de adultos que sabe se portar à mesa. Mas péssimo para quem tem duas criancinhas curiosas a tiracolo. No primeiro jantar, nem lembro direito o que comi, porque estava mesmo era tentando salvar copos de serem acidentalmente lançados no chão e lindos jogos de mesa de serem riscados com giz de cera.
Aí entra pela porta um outro casal com duas crianças pequenas, talvez um pouco maiores que as minhas, e eu me sinto aliviada. Tipo, ufa, não somos só eu e o Juliano os malucos que trazem a família toda nesses lugares. Assim como qualquer criança, aquelas menininhas que chegaram provavelmente ficariam andando pra lá e pra cá, derrubando comida do prato etc etc etc. Mas não. Nadinha disso. Mal sentaram e cada uma recebeu em suas mãozinhas um celular com um joguinho/desenho que as hipnotizou durante todo o jantar. Sim, estávamos sozinhos nessa, nesse caminho escolhido: o de não usar dispositivos eletrônicos para distrair crianças em restaurantes.
Foi uma decisão conjunta, nem precisamos discutir sobre o assunto. Nós queremos criar pessoas que saibam viver em sociedade, que consigam conversar à mesa, que saibam o que estão comendo, que possam se distrair com pequenas coisas, que usem a imaginação, que estejam presentes de corpo e alma no lugar. É difícil, muito difícil. Criança não tem paciência para ficar horas sentada batendo papo, mas a gente também já foi criança e bem antes de celular, tablet e até de mini-game. E já teve que se virar pintando sulfite com giz de cera, fazendo casinha com palito de dente e, veja só, até conversando com as demais pessoas da mesa. E sobrevivemos. Por isso temos total convicção que estamos fazendo a coisa certa por eles. Pedro e Maria Luísa vão a todos os lugares com a gente. Tem vez que se comportam melhor, outras vezes pior. Mas vão e a cada vez aprendemos todos um pouco mais sobre estar juntos.
E quer saber, a gente fica se achando os melhores pais do mundo por encarar qualquer tipo de restaurante com uma criança de 4 anos e outra de 1 e pouco. Ainda sobre Petrópolis, o fato de estar com eles ainda nos levou a uma situação que acabou sendo a coisa mais legal da viagem, que foi tomar café da manhã no lindo jardim do hotel, com uma única mesa só para nós. Sem medo de derrubar coisas no chão, de incomodar os vizinhos das mesas ao lado, de não ter o que fazer. Eles sentaram em suas cadeiras, comeram o que quiseram e depois puderam correr pelo gramado enquanto acabávamos o nosso café. Ponto pra gente!
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