Aí entra pela porta um outro casal com duas crianças pequenas, talvez um pouco maiores que as minhas, e eu me sinto aliviada. Tipo, ufa, não somos só eu e o Juliano os malucos que trazem a família toda nesses lugares. Assim como qualquer criança, aquelas menininhas que chegaram provavelmente ficariam andando pra lá e pra cá, derrubando comida do prato etc etc etc. Mas não. Nadinha disso. Mal sentaram e cada uma recebeu em suas mãozinhas um celular com um joguinho/desenho que as hipnotizou durante todo o jantar. Sim, estávamos sozinhos nessa, nesse caminho escolhido: o de não usar dispositivos eletrônicos para distrair crianças em restaurantes.
Foi uma decisão conjunta, nem precisamos discutir sobre o assunto. Nós queremos criar pessoas que saibam viver em sociedade, que consigam conversar à mesa, que saibam o que estão comendo, que possam se distrair com pequenas coisas, que usem a imaginação, que estejam presentes de corpo e alma no lugar. É difícil, muito difícil. Criança não tem paciência para ficar horas sentada batendo papo, mas a gente também já foi criança e bem antes de celular, tablet e até de mini-game. E já teve que se virar pintando sulfite com giz de cera, fazendo casinha com palito de dente e, veja só, até conversando com as demais pessoas da mesa. E sobrevivemos. Por isso temos total convicção que estamos fazendo a coisa certa por eles. Pedro e Maria Luísa vão a todos os lugares com a gente. Tem vez que se comportam melhor, outras vezes pior. Mas vão e a cada vez aprendemos todos um pouco mais sobre estar juntos.
E quer saber, a gente fica se achando os melhores pais do mundo por encarar qualquer tipo de restaurante com uma criança de 4 anos e outra de 1 e pouco. Ainda sobre Petrópolis, o fato de estar com eles ainda nos levou a uma situação que acabou sendo a coisa mais legal da viagem, que foi tomar café da manhã no lindo jardim do hotel, com uma única mesa só para nós. Sem medo de derrubar coisas no chão, de incomodar os vizinhos das mesas ao lado, de não ter o que fazer. Eles sentaram em suas cadeiras, comeram o que quiseram e depois puderam correr pelo gramado enquanto acabávamos o nosso café. Ponto pra gente!
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