É fato que cada uma reage de uma forma à maternidade, mas eu posso afirmar sem a menor dúvida: ter filhos fez de mim uma pessoa melhor. Por mais trabalho e desafios que eles me proporcionem todo santo dia, eu vejo a chegada do Pedro e da Maria Luísa como um antes/depois na minha vida. Eu nasci de novo, virei outra, me redescobri. Entre os milhares de benefícios que esses dois pequenos me trouxeram, quero destacar três.
Fim da preguiça
Eu era demais de preguiçosa, confesso. Quando nos casamos, nosso sábado era basicamente dormir até 11 da manhã, almoçar fora, dormir até 5 da tarde, ficar de bobeira no sofá, se arrumar e sair às 10 da noite. Depois voltar pra casa e dormir de novo. O domingo era uma reprise, menos a parte do sair à noite. Emocionante, não? (ok, não era ruim, mas com número reduzidíssimo de atividades). Mas aí as crianças chegaram.
Tem sábado que não deu meio-dia ainda e a gente já saiu, foi ao parque, ao centro, ao sesc, fez exame médico, tomou café fora, comprou não sei o que, visitou sei lá o que mais. E tem mais à tarde: não dá pra deixar os dois vendo TV o dia inteiro, né. E lá vamos nós para mais parque, praça, contação de história, rua, livraria, garagem, etc etc etc. Eu, que demorava horas pra levantar do sofá ou me arrumar pra sair, agora tenho que estar sempre meio pronta e disposta a fazer alguma coisa legal com eles.
Mesa mais saudável
Once again: eu vivia MUITO cansada quando trabalhava fora, especialmente antes do Pedro nascer. Saía cedo de casa, chegava de noite, morta, sem coragem de fazer mais nada da vida além de me jogar no sofá - quem dirá cozinhar. E a gente nem era muito bom nisso mesmo, faltava prática. Então era risoto, massa e coxinha da Real com muita frequência. Mas aí virei mãe.
Como alimentar um bebê com coxinha todos os dias? Apesar de ter comido muito Mc Donald's na gravidez, eu estava decidida a dar uma alimentação legal para o meu filho. Perto do Pedro completar seis meses, começamos a fazer feira. Era até esquisito, eu não fazia a menor ideia de como escolher as coisas. Mas em pouco tempo pegamos prática em comprar e cozinhar coisas saudáveis e gostosinhas para ele e para nós dois também. Paramos de comprar porcarias no supermercado (se tem em casa com certeza a gente come. Se não tem, nem sente falta), aprendemos a congelar alimentos e estabelecemos horários fixos para as refeições de todos. E comemos todos juntos, o que além de tudo é bem legal!
Tchau, timidez
Eu nunca fui lá muito simpática e sorridente. Tinha gente que até me achava metida, mas era medo mesmo de falar com quem não conhecia. Tímida, muito tímida. Até meu ex-chefe tratou isso como um ponto negativo num feedback que me deu. E juro que até tentava mudar, mas era bem difícil. Mas aí essas duas figurinhas apareceram.
Não dá pra ser tímida e cantar 'O Sapo Não Lava o Pé' no meio da rua. Ou apostar corrida com as crianças na calçada, ou brincar de esconde-esconde no meio de um parque cheio de outras mães. Ou tentar acalmar uma criança berrando no meio do shopping. Ou viver com um menininho que fala para desconhecidos no elevador: "Onde você vai? No supermercado? Comprar o quê?". Não dá. É claro que eu ainda não sou a Miss Simpatia, mas passei a distribuir mais sorrisinhos por aí, a puxar assunto com outros pais e mães na natação e coisas do tipo. Estar um pouco mais velha também ajuda, mas com certeza foi a convivência com eles e toda essa espontaneidade que só as crianças têm que me deram um empurrãozinho para melhorar a timidez.
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