quinta-feira, 29 de março de 2018

Cético (mas não muito)

Pedro, no lanche da tarde de ontem (três dias depois de fazer 5 anos e quatro dias antes da Páscoa):

- O Coelhinho da Páscoa não existe, mamãe, é só um personagem que inventaram.

- Oi??? Como assim, filho? Então quem é que traz os ovos de chocolate para a nossa casa?
- É... hmmmm... o Papai Noel?

quinta-feira, 22 de março de 2018

5 razões para viajar com seus filhos

(e aí, mandei bem no título todo trabalhado no marketing-digital-para-atrair-leitores-preguiçosos?)

Neste ano, decidimos tirar férias no fim de fevereiro e viajamos para a Colômbia, onde passamos 13 lindos dias entre as cidades de Bogotá, San Andrés e Cartagena. Foi uma delícia e me fez ter mais certeza ainda de quão importantes são as viagens que fazemos só nós quatro. Reforça o vínculo, faz com que a gente se conheça melhor, sabe? Sem entrar em detalhes de cada destino, vou listar cinco motivos legais para viajar com as crianças. 

1. Conhecer novos costumes
Crianças são super observadoras e desde o momento que chegamos em um país novo o Pedro já começou a prestar atenção ao redor e perceber as diferenças em relação ao Brasil e à vida que ele está acostumado. Os táxis não têm cinto de segurança? As pessoas falam com outra voz aqui (ele confunde língua com voz e eu acho tão engraçado)? Os pássaros são maiores? Por que está escrito 'salida' nas placas? Só tem peixe para comer? O que é 'ruta de evacuación'? Foi bem bacana enxergar coisas pelo ponto de vista dele e ir juntos descobrindo costumes diferentes dos nossos.

2. Exercitar a paciência
Começa já no aeroporto, depois no voo e assim por diante. É preciso esperar quando se viaja. A gente almoça e janta em restaurantes todos os dias, tem que ser atendido, fazer o pedido, esperar o prato com calma. E salvo raras exceções - como a viagem de avião, não tem razão para usar o celular para passar o tempo. Motivo um é que somos absolutamente contra o uso de eletrônicos na hora das refeições e motivo dois é que a gente não tinha internet fora dos hotéis mesmo. Daí que é a oportunidade perfeita para conversar, inventar jogos, falar besteira, se distrair com um canudo ou um papelzinho na mesa, observar o mundo, enfim, colocar a imaginação para funcionar. Inclusive a nossa.

3. Experimentar novas comidas 
Qual a graça em viajar se não for para comer coisas diferentes? As crianças comem em casa todos os dias. Bem, modéstia à parte, mas não tenho aquela criatividade e habilidade em variar tanto o cardápio. Mal chegamos em Bogotá e já entramos em um restaurante mexicano. A fome do Pedro era tanta que comeu uma quesadilla de carne feliz da vida. Em San Andrés e Cartagena o forte da cozinha era o peixe, e Maria adorou. Até eu e Juliano nos aventuramos em pratos que não estamos acostumados. O resultado é que os pequenos voltaram para casa apaixonados por limonada de coco e banana verde frita. 

4. Aprender uma nova língua
Sabe aquela história que criança aprende idioma magicamente em pouco tempo? Então, em dois ou três dias meus filhos estavam cumprimentando desconhecidos com um alegre 'hola, cómo estás?'. O Pedro, que está num momento leitor-maluco, não parou de ler placas e perguntar o que significavam. Assistiram desenhos em espanhol sem problemas, nos viram tirando dúvidas com o pessoal do hotel (como lembrar que 'faca' se fala 'cuchillo', meodeos?) e conversando com taxistas. Foi muito impressionante ver quantas palavras eles (em especial ele, que é o mais velho) aprenderam em tão poucos dias. Além do espanhol, tivemos a oportunidade ver muitos turistas falando inglês, alemão, russo e outras línguas que não faço ideia de onde são, e foi bem interessante para eles perceber que eram tão diferentes do português. 

5. Criar piadas internas
Todo o tempo passado juntos rende situações que ficam na memória, seja pelo bem ou pelo não tão bem (como o passeio-perrengue para a ilha de Johnny Cay, em San Andrés). Dessa vez, tivemos a certeza que o Pedro é uma criança exótica com tendência para ser nerd. Mal terminamos de ver o Museu Botero inteiro e ele perguntou se poderíamos ver tudo de novo (a Maria, não tão fã desses lugares, dormia placidamente no carrinho). Mas foi da Maria Luísa que veio a piada mais fofinha. Vendo o irmão soletrar sem parar todas as palavras do mundo (tipo 'eu quero tomar L-I-M-O-N-A-D-A: limonada'), ela resolveu arriscar e, quando pedi para que escolhesse um sapato para usar, ela soltou um engraçadíssimo 'L-O-L-O-L-O: sandália'. Como não amar?


(Cumplicidade na Plaza de Bolívar, em Bogotá)