quarta-feira, 22 de junho de 2016

Guerra e paz

Há um mês, mais ou menos, passamos por uns dias bem difíceis com o Pedro. Ele estava impaciente, petulante, respondão, desobediente. Tipo um terrible three. Não fazia nada sem brigar - escovar os dentes, se vestir, sair de casa, dormir, tudo era um drama, uma gritaria. E com um elemento novo: violência. Pedro começou a nos bater nos momentos de raiva. Foi horrível, especialmente nos fins de semana, quando o pai estava em casa. E para piorar estava chovendo muito, então a gente não conseguia sair de casa. E quanto mais entediado, mais irritado ele ficava. 

Foi bem tenso. Juliano e eu ficamos sem saber o que fazer, o que pensar, com uma sensação horrível de que aquilo nunca ia passar. Tive medo de meu filho virar aquelas crianças chatas do Supernanny, que batem nos pais e se jogam no chão por qualquer coisa. Pensei que poderia ser culpa da escola - na classe dele tem alguns meninos que têm crises de raiva, gritam, choram, sobem na mesa, batem nas outras crianças. Ele mesmo me contou isso (e ele mesmo já foi 'alvo' deles, recebendo mordidas no braço). Pensa só: se os amigos da escola fazem - mais de um, e com frequência, não deve ser tão ruim assim, certo?

Culpei a idade. Não achei muitas coisas nacionais, mas achei vários textos americanos dizendo que os três anos são muito piores que os dois. Que o terrible two não é nada perto de uma criancinha raivosa que, no alto de seus três anos, já tem força física e sabe brigar como ninguém. Pensa nisso: se ele grita, se joga e funciona, por que parar com essa técnica mágica?

E daí culpei a chupeta. Tudo começou uma semana antes da visita da 'Fada da Chupeta'. Ele encarou o fim super bem, em uns três dias nem pedia mais por ela. Mas o Pedro é assim. Ele nem sempre demonstra emoções na hora ou no foco certo. Ele guarda para mais tarde, transfere para outro momento, pega a gente de surpresa (e nem sempre conseguimos relacionar uma coisa com a outra na hora). Mas pensa comigo: o cara passou três anos da vida dele dependendo da chupeta para pegar no sono. Daí, de um dia para o outro, tem que aprender a dormir sozinho, sem sugar. Como faz? Dormir ele até dormiu, mas precisou descarregar essa tensão toda nos dias seguintes.

Por fim, me culpei. Não aquela culpa padrão de mãe, uma culpa honesta, porque eu errei mesmo. Eu tenho paciência com as crianças, amo ficar com elas em casa. Mas chega uma hora que a gente cansa. Eu sou um ser humano. Tem um momento que a paciência acaba, que não dá mais para acalmar um serzinho raivoso 24 horas por dia. E quem explodia de raiva era eu. Eu ia levando, respirando fundo, mas daí não dava mais: gritava, tomava coisas da mão dele, punha de castigo, escovava os dentes a força, gritava mais alto. E o Juliano também. E a casa ia virando um inferno. Gritos todos os dias. Eu tinha medo de dormir porque sabia que o dia seguinte seria péssimo também, como tinha sido o anterior. Um ciclo. E olha que coisa: se eu me dava o luxo de explodir de raiva, por que ele não podia fazer o mesmo? Se eu gritava para ser ouvida, por que ele não podia? Se eu jogava/tomava coisa, por que raios o menino não faria o mesmo? Ele fazia, e o tempo todo. E eu de novo. Ele de novo. Ahhhhhhhhhhh!

Juliano e eu então pensamos, discutimos, e vimos o óbvio. A culpa não é exclusiva de uma ou outra coisa, mas com certeza as nossas atitudes espelham as dele. Ele aprende vendo, assistindo, o dia todo. E por que não resolver as coisas com amor, com calma? Eu amo tanto esse menino que preciso que ele saiba disso, que eu estou do lado dele, nós somos do mesmo time. Todo mundo ganha com a paz da casa. 

O tempo foi passando e as coisas se resolvendo. Não completamente, porque ele ainda tem episódios de choros sem explicação (cansaço? tédio? tristeza?), ir embora dos lugares, tipo casa dos avós, ainda é difícil, mas tudo melhorou. Passamos as semanas bem, ele tenta se controlar, eu não gritei mais e foi ótimo pra mim mesma também. Me sinto tão mais inteligente e controlada quando fico calma. E eles sentem isso. A gente transpira segurança - ou insegurança. Criança capta essas coisas.

Maternidade é isso aí, um desafio por dia.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

10 meses

Bebeza mais linda e fofa e gente boa do mundo fez 10 meses no dia 13 de junho. Juro, nunca vi nenê mais de bem com a vida do que Maria Luísa. Ela acorda sorrindo, se diverte com qualquer coisa, não chora pra nada, não se estressa. Se está com sono, dorme. Se quer colo, estica os bracinhos. Ela é toda carinhosa, toda fofura!

- Maria Luísa come panos. Como não dei chupeta, ela resolve a hora do sono comendo uma fraldinha. Umas mordidinhas e pronto, já está dormindo. E o melhor: se não tem fraldinha por perto, ela arranca a própria meia, mastiga um pouco e dorme com a meia na boca. Hahahah! É demais! 
- diz a lenda que falou 'papai', duas vezes. Nas duas, enquanto brincava com o Juliano. Mas eu não sei, não...
- faz uma tossinha falsa que é uma fofura!
- enquanto mama, fica com o dedinho cutucando minha boca, meu olho, meu nariz.
- está comendo bem! Finalmente! Tipo uma banana inteira, meio mamão, comidinha igual a nossa (arroz, feijão, legumes). Está indo super bem, uma gracinha.
- descobri que gosta de comer sozinha, com as mãos. Eu nunca quis aplicar o método BLW, mas acabei dando frutas picadas para ela no cadeirão da cozinha e ela adorou. É uma muito fofo vê-la pegando sozinha, levando na boca, mordendo. Ela fica muito feliz com a independência. 
- comeu pão e bolacha. Acho que foi minha insistência, ou foi quando eu parei de tentar enfiar na boca dela e deixei em cima do cadeirão. Ou quando o Pedro deu uma bolacha na mão dela. Não lembro. Mas ela gostou. 
- toma chá, assim como eu e Pedro. 
- na última consulta, pesou 7,830 kg e mediu 71,5 cm. O pediatra achou bom, está dentro do gráfico (e pediatra adora um gráfico), bochechuda (mamães adoram bochechas). 
- anda super bem segurando na nossa mão. Sozinha, ainda não.
- adora uma baguncinha, espalhar brinquedos, ver o Pedro jogar coisa pra cima, jogar coisa no chão para eu pegar.
- odeia ficar parada para trocarmos a roupa dela.
- fica super quietinha no banho, brincando com uns brinquedinhos. Nunca chorou para tomar banho, aliás.
- fica fazendo experiências para descobrir o mundo: passa a mão em tudo para ver as texturas, come algumas coisas (tipo papel), esfrega um brinquedo no outro para ver o barulho, batuca na mesa, etc.
- tem uns 9 dentes. 'Uns' porque eu não consigo ver direito, ela não deixa. São 4 grandes em cima, quatro embaixo, e um no fundo (mas não lembro se em cima ou em baixo). Os dois de baixo deram um trabalhinho quando rasgaram. Ela ficou sem comer, dormindo mal, foi meio ruim.
- acorda umas 2 vezes por noite. E com o frio que está fazendo, isso é bem chato. Mas vamos lá, né.
- falando nisso, está um frio louco esse mês. Várias vezes precisei 'encapotar' a menina. E ela fica linda de toquinha. Parece que os olhos ficam mais azuis ainda. 
- foi na Festa Junina de Votorantim! Mas nem deu bola.
- segue mamando no peito. E toma o leite artificial também, mas no copo.
- passa o dia todo engatinhando pela casa e, de noite, está com os pezinhos super sujos. Eu até tento colocar meias, mas ela não deixa. 
- ama quando a gente brinca que vai pegá-la. Engatinha numa super velocidade e morre de rir!
- dorme uma soneca de manhã (quando levamos o Pedro na escola cedo; se não levamos, fica dormindo na minha cama até umas 9 e não tira mais soneca de manhã) e uma de tarde, por volta das 14h. Daí eu aproveito para lavar a louça e brincar com o Pedro.

Agora estamos na preparação da festa de 1 ano dela, que será um Chá da Tarde, e da viagem para o Chile, no fim de semana seguinte do aniversário. Imagina que linda essa menina de vestidinho de festa? E de roupa de neve? 

Bebeza, desejo que você continue feliz nos próximos muitos meses da sua vidinha! ;) 

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Terrenos com terrenos

Mais uma letra do Pedro:

"Escravos de Jó jogavam pra ficar
Tira, põe
Deixar ficar
Terrenos com terrenos fazem zig zig zá"

Eu só dou risada, bato palmas e torço para que ele demore para crescer.