quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Pedro, menino moço

Pedro descobriu os super-heróis. Não fomos nós que apresentamos - provavelmente foram os amigos da escola ou a publicidade da TV, olha só que beleza, mas sei que agora tudo envolve a força do Hulk, as cores do Homem Aranha, o escudo de sei lá quem. Ele come uma colherada no almoço e já dá uns pulos para ver se ficou forte igual o Super-Alguma-Coisa. Não brinca de lutar ou bater, mesmo porque nem assiste filmes ou desenhos com essa galera, mas que está todo adolescente, está.

Aliás, me disse esses dias: "Eu já cresci, não sou mais bebê. Agora sou um deficiente". Claro que morri de rir e ensinei a diferença das duas palavras. Ele adora quando a gente ensina coisas pra ele ou conta histórias da nossa infância. É tão bonitinho ver o interesse dele enquanto eu falo, me dá motivação para ensinar muito mais.

Na escola está aprendendo sobre o folclore. Se a gente pergunta muito ele não gosta de contar, mas sempre no caminho para casa me fala uma coisa ou outra que aprendeu ou que aconteceu. Esses dias perdi alguma coisa na cozinha e fiquei maluquinha procurando. Ele falou calmamente: "Só pode ser coisa do Saci". hahahah, é muita lindeza! E lindeza também é a escola dele, que ignora bobagens tipo apostila, Halloween, televisão e dá coisas de verdade para aquelas crianças fazerem. Fazem tinta natural, massinha, aprendem brincadeiras de outros países, rolam na terra, fazem colagem com folhas e galhos, ouvem histórias todos os dias. Não sei quem gosta mais, Pedro ou eu.

É verdade que ele teve alguns problemas com alguns amigos recentemente. Eu fiquei de coração na mão, sofrendo sem poder ajudar. Alguns meninos da sala dele são meio agressivos, manhosos, aka chatos mesmo. Uma sala de 8 alunos, veja bem. E Pedro foi mordido por um deles algumas vezes, e reclamou também que jogam areia nele no parque. Eu tentei conversar, pedi para ele avisar os amigos que não quer mais isso, que é feio, etc. Falei com a professora e ela faz o que pode, mas tem um ponto: ele precisa aprender a se defender sozinho. Eu dou apoio, digo na hora que acontece para ele se posicionar, falar bravo com o amigo, ela me diz. Eu concordo, mas minha vontade é eu mesma morder aquele pequeno mala. Por fim, mudamos de estratégia: Pedro, quando o fulano te morder, morda de volta. Mas forte, bem forte, para doer. Quando jogar areia, grite com ele e jogue areia nele. Mas bastante areia. Certeza que ele não fez nada disso, não faz parte dele ser assim, mas pelo menos ele sabe que pode fazer se sentir necessidade. Tem meu apoio.

No mais, continua sendo a criança mais inteligente do mundo, de acordo comigo. Monta quebra-cabeças grandes em segundos (minutos, hahaha, na verdade), conversa sobre variados assuntos, quer saber de países, planetas, músicas, comidas, tudo tudo tudo. Dia desses pegamos uns livros para crianças sobre compositores e lemos sobre Mozart. No fim da história, um pequeno questionário tipo interpretação de texto. Fiz de brincaderia com Pedro e o cara acertou TODAS as questões. Não porque chutou, mas porque entendeu o livro e achou óbvia cada resposta. Dois dias depois, lemos sobre Chopin e a mesma coisa, acertou tudo. Morro ou não morro de orgulho? 

Resolveu também ajudar nas coisas da casa. Arruma camas, guarda coisas nas gavetas, pega coisas da geladeira, arruma brinquedos antes de dormir. Deus conserve.

Passa HORAS brincando com seus animais, avião e helicóptero. Ele ama tanto esses animais que até os dinossauros estão meio esquecidos.

A relação com a irmã vai bem, eles se gostam e aprontam juntos pela casa todos os dias. Mas às vezes ele puxa coisas da mão dela, derruba-a de propósito... deixo os dois sozinhos na sala enquanto cozinho, mas é sempre bom dar uma espiadinha. E antes de dormir, não tem um dia que eles não se deem beijos e abracinhos de boa noite. Não precisa de mais nada para derreter o coração da mãe, né.

São tantas coisas que Pedro faz e fala todos os dias que até me perco e não sei mais o que anotei, o que ele já fazia, o que começou a fazer agora. É muito feliz para mim ver meus filhos crescendo bem, espertos, felizes, e perto de mim.

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