Logo que voltamos da Colômbia, no primeiro semestre do ano, o Juliano viu que tínhamos pontos no cartão e decidimos marcar uma viagem sem as crianças, a primeira em cinco anos. Escolhemos ir para Salvador em agosto, em uma sexta-feira feriado da nossa cidade.
Mas né, as coisas mudam. Em junho comecei a trabalhar fora e em julho soube que faria uma viagem de trabalho em agosto, quatro dias inteiros em Minas Gerais, justamente na semana seguinte do tal feriado em Salvador. Surtei, claro. Eu queria muito ir para Salvador, mas não ficaria tantos dias sem as crianças.
Solução: compramos as passagens para as duas pessoinhas e partimos os quatro para um fim de semana na Bahia, felizes da vida. Não seria justo com esses pequenos adoradores de música baiana deixá-los de fora dessa. E eu não ia conseguir ir sem eles mesmo.
Foi incrível, eu acho que a coisa que mais gosto de fazer no mundo inteiro é viajar com eles, meus três. Não consigo pensar em companhia melhor, em dias melhores, em sintonia melhor. Ficamos bem no meio do Pelourinho e era tudo aquilo que eu imaginava. Batuque na rua dia e noite, construções lindas, igrejas, uma energia, pessoas bonitas, coloridas, comida boa, sensacional.
E sempre tem as coisas que só acontecem em viagens e a gente vai sempre se lembrar. Nosso hotel era incrível, poucos quartos, todos lindos e espaçosos. Numa manhã Maria Luísa tenta apagar a luz mas não alcança o interruptor. "É que eu sou um pouco grande", se justifica. Como não amar essa ótica toda própria das crianças?
Pedro conversou com todos os motoristas de Uber que conhecemos. Puxou assunto, falou de futebol, contou a idade, fez uma voz diferente, mostrou que sabia dos assuntos. "Esse é o Pablo, do arrocha", disse Juliano me mostrando um cartaz, em uma sorveteria. Continuei com cara de interrogação. "Pablo?", disse Pedro, "eu só conheço um Pablo, o Picasso". Como não amar essa sinceridade nerd?
Herança acho que não vou conseguir deixar não, mas lembranças boas das nossas viagens durante a infância deles com certeza.
PS: uma menção especial ao meu novo chefe, que me deixou faltar um dia do trabalho sem nem perguntar o porquê (mas eu expliquei mesmo assim).
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