Mal sabe você que eu também sofro nas segundas-feiras, Pedro.
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Essa aconteceu no meio de agosto, logo que eu consegui um emprego em tempo integral. Mal comecei a trabalhar e já fui dando mostras da minha capacidade louca de viver em sociedade e fazer amigos:
- Noooossa, como você é corajosa de largar seu emprego por um ano inteiro para cuidar do seu filho!!!! - me disse uma colega recém-chegada da licença-maternidade.
- Corajosa é você, amiga, que largou sua filha de seis meses para voltar para o trabalho - respondi (não, eu não pensei em responder, eu respondi de fato).
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Na minha época de mãe em tempo integral, toda vez que eu saía dar uma volta com o Pedro pela manhã reparava que, por mais cedo que fosse, o carro de um de nossos vizinhos não estava na garagem. No nosso passeio do fim da tarde, eu espiava de novo e nada do carro chegar. Ele só voltava à noite, quando a gente já estava no conforto da nossa casinha. Agora, eu saio para o trabalho tão cedo que o bendito carro está lá, na vaga. E volto tão tarde que ele já está estacionado de novo no seu lugar. Vida dura.
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Aliás, o que me consolava em meus banhos da madrugada (das 5 e meia da manhã, na verdade) era espiar pela janela o prédio que fica há uns quarteirões do meu e ver que já tinha uma varanda com a luz acesa. Que bom que não sou só eu que tenho que acordar antes do sol nascer para sair de casa, pensei. Mas aí um belo dia acordei para um xixi no meio da noite, por volta das duas da manhã, e reparei que a luz da tal varanda estava acesa. Ué, que hora então que aquela pessoa acorda? Na noite seguinte, espiei pela janela do meu banheiro de novo e ahá, a belezoca larga aquela luz da varanda acesa dia e noite, todos os dias! Resumo da história: só eu mesmo acordo tão cedo para trabalhar.
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E sabe o que é pior? Eu estou gostando do meu trabalho.
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