sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O drama da escola - parte 1/467

Pedro ama a escola. Vai sem problemas, dá tchauzinho para a gente no portão, vira as costas e entra. Gosta das tias, fala o nome de alguns amigos, uma beleza. Tudo tranquilo para a rematrícula no ano que vem, correto? É, meio correto. Eu também gosto da escola. Todo mundo lá é gente boa, de bom coração e me passa confiança. Tem cuidado com o  meu filho mesmo, sabe. Mas os pequenos ‘poréns’ que não me deixavam completamente feliz com a escola viraram grandes problemas, ressaltados bem no dia que fizemos a rematrícula. Explico: Pedro mudou de fase, agora é do maternal. O que significa que a partir do ano que vem terá... apostila! Sim, um bebê de menos de 2 anos vai estudar, ter lições e atividades em apostila. 

Além disso, começam as atividades extras, como futebol e balé. Para meninos e meninas, respectivamente, como deixou claro a diretora. Que ano é hoje, Brasil? Em 2014 tem gente que ainda acha que atividades de meninos e meninas devem ser diferentes. Como pode? E para completar o absurdo, ela ainda ressaltou que, apesar de ter apostila, as crianças terão muito tempo para brincar livremente... os meninos com ferramentas de plástico e as meninas com cozinhas de brinquedo. Oi? Morri, né. 

Ela, a diretora, é uma super fofa, simples e com boas intenções, mas erra. Erra ao dividir as crianças por gênero no mundo de hoje. Eu sei que damos bons exemplos em casa sobre igualdade de gêneros (papai e mamãe trabalham fora, cozinham, lavam roupas, cuidam da cria), mas as crianças passam muito tempo na escola e não dá para desconsiderar as influências que recebem de lá. E a última coisa que eu quero é que meu filho ache que homens e mulheres têm papeis diferentes na sociedade. Mais um ponto negativo para a escolinha.


Por motivos diversos – logística, possibilidade de horário semi-integral já que devo trabalhar fora até maio do ano que vem, facilidade para as avós buscarem, etc – Pedro continua na escola (de 1940) até junho próximo. Depois disso veremos. Dá dó tirá-lo de lá, mas dá dó deixá-lo. Bom, veremos.

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