terça-feira, 4 de maio de 2021

Notícias do front

Queridos filhos,

Acabo de notar que meu último post foi um resumo do semestre... passado. Quase seis meses se passaram entre aquele relato e o dia de hoje. E, como se é de esperar, muita água passou por debaixo da ponte, mesmo porque estamos no Brasil, onde cada dia é uma surpresa (péssima) diferente. 

Lembram que eu disse que a situação da pandemia estava melhorando e logo a vida voltaria ao normal? Pois bem, não foi o que aconteceu. No começo do ano os dados até foram melhores e a gente esboçou um retorno à normalidade, com ocasionais visitas aos avós e aula presencial. Mas aí a segunda onde veio e voltamos todos para casa (hmm, quase todos... teve quem não quis e quem não pôde).

Escola: na fazenda e no apartamento

Para diminuir o número de crianças circulando pela escola, a diretora achou por bem fazer algumas aulas na fazenda onde ela mora, lá na estrada do Ipatinga. Vocês amaram estar em um lugar aberto, cheio de natureza, com aulas que envolviam árvores, formigas e cavalos. Era tudo rústico, um trabalho imenso para levá-los e buscá-los, mas uma possibilidade de ter aulas presenciais e conviver com outras crianças. 

Em fevereiro, no entanto, a coisa começou a dar ruim de novo. Alguns casos de covid nas famílias das crianças fez com que a escola suspendesse as aulas e voltasse para o online. Até que a escola precisou fechar de novo por umas semanas quando nossa cidade (nosso estado todo, na verdade) ultrapassou a fase vermelha e atingiu a 'emergencial'. Voltou depois, priorizando as crianças de famílias que não têm onde deixá-los para ir ao trabalho. Vocês, meus filhos, voltaram ao computador e às aulas online, passando quase o dia todo dentro de casa. 

Planejamos voltar para as aulas presenciais em junho, mas é o tipo de coisa que não dá para afirmar. Hoje, por exemplo, recebemos uma mensagem da diretora da escola dizendo que todas as classes do Ensino Fundamental voltaram ao online porque a coordenadora e uma criança estão infectadas, além de outros casos nas famílias de alguns alunos.  

Fada do dente

A Maria Luísa perdeu o primeiro dentinho de leite no começo do ano, no dia 23 de fevereiro. Fez uma festa, amou ter uma janelinha e encontrar umas moedas debaixo do travesseiro no dia seguinte. Em abril, caiu mais um, também de baixo. 

Aniversário (ainda) pandêmico

Pedro, você fez mais um aniversário em quarentena. A gente já está tão acostumado a viver assim, de máscara e em casa, que nem sei mais como é fazer uma festa. Bom, festa a gente fez: eu, você e a Maria fizemos desenhos dos Vingadores em papéis e colamos na parede da sala de jantar. Compramos copos e pratos do Hulk e toda a turminha de heróis pela internet e a vovó Denise mandou um bolo. Ah, até brigadeiro teve! 

Então nós quatro compramos pizza de quatro queijos para o jantar e cantamos parabéns com tios e avós pelo vídeo do Whatsapp. Depois, eles passaram na rua do nosso prédio para entregar presentes para você e pegar um pedaço do bolo. Foi o possível e acabou sendo legal. A gente aprendeu a fazer o melhor com o que temos.

Compramos uma casa

Sim, sim, criancinhas, nós temos um quintal pra chamar de nosso! Depois de alguns meses procurando (desde outubro ou novembro, se não me engano), fechamos negócio. Dá trabalho comprar uma casa, sabiam? Custa dinheiro e paciência, praticamente na mesma proporção. Pegamos as chaves no dia 23 de março. A ideia era boa, mas na prática deu medo, vou ser sincera. Você só vão ler isso quando adultos, não é? Deu frio na barriga sair do apartamento que ficamos por quase oito anos. Tive vontade de chorar toda vez que o Pedro chorou. Tentei me apegar à felicidade da Maria, mas não foi fácil.

Vamos morar em uma casa de três andares, olha a ousadia. No térreo, escritório (ou biblioteca, como preferirem), sala, sala de jantar, cozinha de conceito aberto - influência de centenas de programas de reforma assistidos nos últimos anos. E uma bela varanda com vista para o pôr do sol. No segundo andar, os três quartos e seus respectivos banheiros. No -1, como decidimos chamar o subsolo, por influência do tempo vivido em prédio, uma churrasqueira e um quintal gramado onde irá morar nosso futuro coelho.

Acampamos na casa da vovó

Só que obra não segue o planejado (anotem essa informação, por favor). Foi preciso uns ajustes na casa assim que pegamos as chaves, mas não era muita coisa. Só que era muita coisa: a casa visita anotávamos mais e mais pequenos (e não tão pequenos) reparos, a começar pela colocação de portas nos banheiros. Sim, as suítes não tinham portas, minha gente. Agendamos a mudança com a transportadora, mas a casa nova não ficou pronta a tempo, o que nos levou a surtar passar uns dias na casa da vovó e do vovô. Viemos na sexta-feira e o plano era passar uma ou duas noites. Hoje é terça e ainda estamos aqui, acampados.

Quer dizer, acampados não, porque a casa deles é bem grande e o andar de cima está vazio desde que meus irmãos foram embora. Tem sido ótimo ficar aqui, eles têm sido muito gentis e nos acolheram mesmo sabendo que a gente ocupa um espaço gigante, larga brinquedos pelo caminho e come como se o mundo fosse acabar. Hoje, se tudo der certo, é o nosso último dia aqui, o que faz de amanhã nossa estreia na casa nova. 

E aí, prontos para encarar mais esse capítulo da nossa vida?

Depois eu volto para contar ;)

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