segunda-feira, 23 de março de 2020

A melhor parte de viajar

O que mais gosto das nossas viagens de família é passar um tempo só nós quatro em situações completamente diferentes do cotidiano. E conhecer novos lugares e ficar sem lavar louça também, mas enfim, acho uma chance incrível da gente se conectar e se conhecer mais, além de ter assuntos que são nossos e coisas que só nós vivemos. E, claro, as pérolas das crianças. Essas são da Maria Luísa.


Estávamos sentados em (mais um) restaurante à espera do jantar, desta vez em El Chalten, nosso terceiro destino da viagem. Inventei (mais um) um jogo de letras para distrair as crianças, mas Maria Luísa, apesar da empolgação, não estava acertando muito as respostas. Quando pedi uma palavra com a letra B, Pedro resolveu ajudar. "Vai, Maria, o que tem na cara do papai?". Ela olhou para o Juliano, que está há dias com sinusite e gripe, tossindo sem parar, e gritou: "Tosse??? Virose???". Foi tão espontâneo e engraçado, o Pedro riu tanto que nem conseguiu contar pra ela que a resposta era barba.

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Vendo pela milésima vez a revista da Aerolíneas Argentinas no avião, eu e Maria nos deparamos com uma foto de mulheres usando os lenços verdes e roxos das manifestações feministas do país. Eu achei super legal e lembrei que vimos muitas mulheres protestando no dia 8 de março em San Telmo e na Plaza de Mayo, em Buenos Aires. Ela começou a rir e falou "ah, eu lembro, foi tão engraçado, todas elas gritando 'arrotamos, arrotamos'. Ri, claro, mas quando chegar a hora certa vou explicar direitinho o que elas estavam fazendo por todas nós, mulheres, e por que gritavam 'abortemos'.


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Cansados da viagem de mais de 3 horas de carro, chegamos ao hotel em El Chalten e fomos direto para o quarto relaxar um pouco e comer nossos sanduíches. As crianças abriram a porta e Maria Luísa viu que só tinham três camas e, veja só, nós somos em quatro pessoas. Toda trabalhada na autoestima e sem dar a mínima para o fato que a última a chegar na família foi justamente ela, gritou: "Ixi, só tem três camas! Coitado do papai, não tem onde dormir hoje."

Novas versões

Maria Luísa quase não fala mais palavras erradas e está perdendo os traços de bebê, virando oficialmente uma criança grande. Mas ela ainda canta umas versões engraçadíssimas das músicas e eu vou anotar aqui antes que eu esqueça. 

Carnaval
Quanto riso, oh, quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da colombina
No meio da mortidão...

Circo
Espetáculo público, com vocêêêês, a incríveeeeel Mariaaaa Luísaaaa....

Mais circo
Uma pirueta, duas piruetas
Bravo, bravo
Super piruetas, ultra piruetas
Bravo, bravo
Salta sobre a arquibancada e tomba de nariz
E a mostarda vai pedir bis...

Ficar ou não ficar

Adicionando um temperinho à minha eterna dúvida sobre ficar ou não ficar com as crianças, trabalhar ou não fora de casa o dia todo e etc, algumas frases dos meus filhos que me fazem pensar e repensar o tema.

Da Maria Luísa:

Quando eu crescer, vou ser jornalista e trabalhar em Tatuí, igual a mamãe. Mamãe, assim você vai ter uma companheira para ir para o trabalho com você.
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Fui a uma reunião que talvez vire um trabalho, mas é freela e total home office, como eu queria. Contei para as crianças que provavelmente a mamãe voltasse a trabalhar. Maria Luísa já perguntou toda animada: posso avisar amanhã na escola que eu estou de volta no integral?

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Pedro ponderou:
Eu já aproveitei bastante o integral, mas não aproveitei bastante ficar em casa ainda. Quando eu terminar de aproveitar, a gente pode voltar para o integral.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Sabedoria de fevereiro

"O carnaval é um presente pra gente."
(Luísa, Maria)

Sobrevivemos ao carnaval e garanto que aproveitamos muito! Ô gente pra gostar de ouvir Caetano, Pepeu Gomes e o que mais o banda do tio Caio tocar.  

Maria Luísa foi quem mais se esbaldou. Se vestiu de princesa para o baile da escola (que tem banda ao vivo e é muito legal), de Mulher Maravilha e de mágica para as matinês do Sesc. Fomos também em uma praça ver o Fantástico Conjunto e mais uma vez colocar glitter na cara.

Pedro, por outro lado, não estava tão animado. Foi feliz de Darth Vader para a escola, com sabre de luz vermelho e tudo (coisa de mãe, né, que não resiste a uma explicação técnica de como os sabres dos 'do mau' são vermelhos e por isso seria absurdo usar os sabres azul e verde que já tínhamos em casa). Mas para ir ao Sesc ele reclamou, choramingou, se opôs. Foi preciso muita insistência e a já célebre frase da Maria Luísa citada no começo do texto para convencer o pré-pré-adolescente a sair de casa. E ainda ficou emburrado lá, ignorando todos os confetes que eram jogados nas nossas cabeças. Mas acho bem bom registrar aqui, Sr. Pedro, caso no futuro você venha a ler esse humilde e semi abandonado blog, que EU VI VOCÊ DANÇANDO UM MONTE NA FILA DA PINTURA FACIAL NO PARQUE.

Agora me dão licença que tem confete pela casa ainda.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Eles cresceram

Eles cresceram e eu nem vi isso acontecendo. Saí de casa quando Maria Luísa não tinha nem 3 anos ainda, Pedro tinha 5. Fiquei um ano e meio trabalhando em outra cidade, voltando para casa (morta e acabada) à noite. Uma mágica aconteceu nesse tempo e só agora eu pude ver - e ainda estou surpresa. Eles cresceram. 

O momento mais revelador para mim foi quando, no meio de janeiro, eu levei sozinha os dois para brincar no Sesc. Eu fazia isso sempre, quase toda semana, e lembrava de ser muito gostoso e muito trabalhoso. E vendo os dois brincando no ginásio e no parquinho me dei conta que eles não precisam mais de ajuda para subir, descer, se pendurar. Eu não tenho mais medo de perder um deles, não preciso mais segurar a mão o tempo todo, não preciso levar ao banheiro. Eles vão. Sobem, pulam, vão ao banheiro, tomam água sozinhos. Eu só vejo. Não choram para ir tomar lanche, para sair do brinquedo, para ir para casa. Eles conversam. Entendem. Argumentam. E o Pedro quase que nem cabe mais nos brinquedos. A brinquedoteca da parte interna é para crianças até 6 os anos. Ele faz 7 daqui a um mês e poucos dias. Ele, que eu levava bebezinho ainda e fica maluca tentado protegê-lo de ser pisado pelas crianças grandes. Ele é a criança grande agora.

Voltei a levar e buscar na escola, coisa que eu também adorava e também lembrava como sendo super canseira. Não queriam ir embora (da escola, juro!), davam trabalho pra entrar no carro, colocar o cinto de segurança, sair do carro na garagem de casa. Um dia era um que queria sair pela janela, outro dia o outro que queria dirigir um pouco antes de subirmos para o apartamento. Sem contar que tinha que estar com o almoço pronto exatamente às 12h00, porque a Maria Luísa chegava exausta e dormia logo depois. Essa semana fui liberada pelo médico para dirigir (eu fiz uma cirurgia) e minha memória já me preparou para o caos de antigamente. Fui surpreendida. Saem felizes da escola, colocam sapato, pegam as mochilas. Vão direto para o carro, colocam os cintos sozinhos (!), conversam comigo. Ontem a Maria entrou, tirou o sapato na lavanderia e ficou surpresa com a sujeira do próprio pé (estava trágico mesmo). Tirou o uniforme e me avisou 'vou tomar um banhinho rápido, estou muito suja'. E tomou, sozinha. 

Estou achando o máximo e também me achando meio sobrando nessa dinâmica. Não tem mais fralda para trocar. Eu não preciso mais vestir ninguém, dar colheradas no almoço. Eles cresceram e eu preciso sim repetir isso para mim umas mil vezes para entender e para evitar entrar no caminho deles. Já entendi que eu tenho nova função como mãe. Não dá pra me dispensar (ainda), mas eu preciso achar agora o meu novo caminho. 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

4 anos (e 4 meses)

Eu poderia colocar a desculpa que estou super ocupada, e estou mesmo, mas confesso que estou um pouco esquecida também ultimamente. Me dei conta que a Maria Luísa fez 4 anos em agosto e até agora não escrevi nada sobre isso. Justo nessa fase tão legal, tão cheia de aprendizados e surpresas fofas! Falo então um pouquinho do se passou com a minha menininha no último ano:
- cresceu, fisicamente. E emagreceu. Perdeu a gordurinha de bebê e ficou uma criança comprida e magrinha.
- aprendeu a se virar ainda mais sozinha. E ter ficado mais alta contribuiu para esse aumento de independência, já que agora consegue abrir torneira, pegar coisas na cozinha etc.
- é uma exímia fazedora de bolos. Ela me ajuda e eu fico tranquila porque ela manja mesmo do negócio, sabe mexer a massa direitinho!
- está naquela fase mais fofa do mundo inteiro de brincar sozinha contando historinha para ela mesma. Faz voz para os personagens, faz eles conversarem, brigarem, se abraçarem, viverem altas aventuras. E fica horas nessa, super entretida.
- tem sido uma parceira do Pedro nas brincadeiras. Eles estão super amigos, brincam juntos de faz de conta (acho o máximo ela falando pra ele "Pedro, finge que..."). No momento as brincadeiras têm sido de Patrulha Canina ou Anima Zoo, quando eles pegam TODOS os brinquedos de animais da casa, seja plástico ou pelúcia, e arrumam no tapete da sala.
- está aprendendo inglês e achando isso super legal. Fala as cores e algumas palavrinhas e esses dias fez um trocadilho com 'hungry' que foi muito engraçado!
- está super contente na escola, gosta da professora Chris, da auxiliar nova, a Júlia, e das professoras do integral. Tem interagido bem com os amigos e tem afinidade com a Luiza e a Isabela, que não por coincidência ficam o dia todo na escola também.
- no geral é boazinha e educada sempre, mas teve uns momentos de ficar meio mal educada com a vovó quando estava muito cansada. A gente conversou algumas vezes e acho que isso foi melhorando.
- mas não gosta de ser contrariada não... Se sabemos que alguma coisa vai desagradá-la, já nos preparamos para enfrentar a pequena braveza.
- em casa eles assistem TV muito pouco, de dia de semana nunca e vez ou outra no fim de semana. Mas na casa dos avós... Chega e já liga a Patrulha Canina imediatamente. E todo mundo deixa...
- gosta muito de leitura à noite e chora se a gente diz que não vai ter livro antes de dormir (mas sempre tem). E gosta de ler gibi também. Apesar de ainda não saber ler mesmo, fica acompanhando os quadrinhos e 'lendo' em voz alta.
- dá um pouco de trabalho para comer, não gosta de experimentar coisas novas (nem eu...) e às vezes tem um pequeno stress em casa para comer feijão, salada, fruta... Na escola é caso perdido, vem anotado na agenda todo dia que só aceitou 'carboidrato e proteína'. Arroz e carne, resumindo.
- agora se o assunto é batata frita com maionese temperada... Aí vai que é uma beleza hahahah
- ama o próprio cabelo cacheado e não quer mais cortar, para 'fazer umas tranças bem compridas'.
- apreendeu muita música legal na escola esse ano e você cantando em casa. Até meu pai já decorou algumas! A minha favorita é Sombra Boa, que ela canta do jeito mais fofo do mundo.
- ainda troca algumas palavras e eu amo, como 'bife à limanesa' e 'contorfável'.
- apesar disso, é super articulada, expressa super bem suas opiniões, constrói frases complexas, vai bem nos plurais e conjugações.
- não tem muito interesse por ler e escrever ainda. Sabe escrever o próprio nome, mas de forma espelhada. Mas não faz muita pergunta sobre o assunto não...
- chega em casa super suja todos os dias. Isso porque tem dias que as avós dão uma lavadinha neles antes de entrarem nas casas delas, de tão sujos de terra que os dois ficam depois da aula.
- dorme cedo, às 20:30, super mega cansada. Quando está doente ou meio insegura, vem para minha cama no meio da noite, mas é raro. Ela adora a própria cama.
- tem ido super bem na aula de natação e ficou super orgulhosa de participar do festival e ganhar uma medalha. Está no nível 1, nadando na mesma piscina que o Pedro (mas em turmas diferentes).
- se deixar, só usa vestido todos os dias, em todas as ocasiões.

domingo, 29 de setembro de 2019

Indo almoçar em um lugarzinho perto de casa, os quatro andando a pé na rua, Maria Luísa e eu conversando:

- Nossa, eu gosto muito de fazer isso isso e aquilo (nem sei de que eu estava falando).
- Eu não.
- Sério, filha? Eu acho tão legal! Achei que você gostasse.
- Não, não gosto. As pessoas são diferentes, ué...