Você já tem cinco dias. E nós não dormimos direito há cinco dias. Ora te olhando loucamente apaixonados por você, ora te fazendo dormir ou mamar.
Ao fim do dia sinto dores nos braços, nas pernas, na cicatriz da cesárea. Penso na nossa vida e entendo que nunca mais será a mesma. Sinto medo, apesar de todo o amor.
Passamos dois dias e meio no hospital. O parto normal não aconteceu. Fiz minha primeira cirurgia da vida, a primeira anestesia. Seu pai do meu lado, segurando minha mão. Choramos quando você saiu da minha barriga, às 9h27, e veio para o colo do pai. Gordinho, roxo, cabeludo, lindo lindo lindo. E chorei de novo quando te colocaram no meu peito para mamar, ainda no corredor, antes de chegar no quarto. E você mamou, como se soubesse fazer isso desde sempre.
Aprendemos bastante nos dias que fiquei internada. A te vestir, dar banho, trocar a fralda, ninar. Em casa seu pai e eu somos uma dupla. E nem quero pensar como vai ser quando ele voltar a trabalhar, daqui a uma semana. A gente vai tentando, testando possibilidades, se ajudando. Um carrega e o outro busca a fralda, um te faz dormir enquanto o outro dorme, um te segura e o outro te ensaboa na banheira, enquanto você grita com todo sua força pra mostrar que odeia tomar banho.
Somos três agora, e todos os dias nos perguntamos: como é possível amar tanto alguém que só tem 50 cm?
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