segunda-feira, 16 de junho de 2014

A busca pela escola perfeita

(texto escrito no começo de maio)

Desde que decidi abandonar minha vida de socialite doméstica babá dona-de-casa-desesperada mãe em tempo integral e procurar um emprego, estamos em busca da escola perfeita para o Pedro. Mas aí nos deparamos com um fato assustador: ela não existe. Assustador para mim, especialmente, que até então nunca tinha pensado em ter que abandonar delegar largar deixar meu filho aos cuidados de estranhos.

Visitamos umas sete escolinhas na nossa cidade. Todas elas com pontos em comum: de bairro, pequenas, poucos alunos, com mensalidades pagáveis. Mas a cada visita eu voltava para casa desolada. Sabe o que é ter que escolher qual 'defeito' é o melhorzinho? Elas não são ruins, é verdade (exceto uma, que era pavorosa. Me deu vontade de resgatar as criancinhas de lá), mas têm detalhes que me deixam desconfortável. 

Por exemplo: horários demais de 'sala de vídeo' ('sala de vídeo' = criancinhas na frente da TV por um tempão vendo Backyardigans ou algo assim), salas pequenas demais para muitas crianças (era um quartinho numa casa e virou 'sala de aula' para uns 15 crianças mais umas três professoras), almoço e lanchinhos dados em um ex-closet (juro-por-deos! Um buraco sem janelas onde tinha um armário de roupas agora tem cadeirões de alimentação), crianças de idades muito diferentes na mesma sala (tipo de 4 meses e quase 2 anos, JUNTAS), parquinhos 'ao ar livre' sem ar livre, sem grama, sem cimento (só aquele onipresente e sem graça carpete de grama sintética), recados e bilhetes espalhados pela escola com erros de português (tá, gente, eu sei que o Pedro não vai aprender a ler e escrever com 1 ano na escolinha, não é meu propósito, mas eu tenho aflição-medo-pânico-pavor de erros de português, especialmente quando vêm de professoras).

A lista é infinita. E só reforça minha tese que lugar de criança pequena é em casa com a mãe. Que ninguém no mundo vai cuidar melhor do que eu. E nem me venham com essa que criança que vai para a escola "fica mais esperta/sabe dividir/come sozinha/fica independente". Criança que vai para a escola fica doente, isso sim.

Hunf!

UPDATE - No fim do mês escolhemos um das escolinhas (curioso para saber qual, entre todas as 'defeituosas'? A que tem tempo demais de TV, mas em compensação tem uma sala grande, com varanda ensolarada, crianças com idade bem próxima, e um pessoal bem bacana e acolhedor). E quer saber? Estamos todos felizes, ele e até eu, que ganhei umas horinhas para mim pela manhã (para arrumar a casa, lavar roupa, catar brinquedos pelo chão). 

(comecei a escrever no início de maio, mas acabei só hoje, meio de junho)

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