Antes de viajarmos para os Estados Unidos, avisei meu marido: os americanos são frios, não têm o costume de sorrir para criancinhas na rua, e nem gostam que a gente faça o mesmo. Encostar nas crianças, então, proibidíssimo! Então nem ligue se ninguém der bola para as fofuras do Pedroca.
Sério, eu não sei da onde tirei isso. Afinal, eu nunca tinha ido aos EUA (só ao Canadá, serve?). Só achei que seria assim. E fui surpreendida.
Não teve UM semáforo, UM metrô, UMA rua, UMA fila de farmácia que não parasse alguém para admirar meu filhinho. Ele, que adora atenção de desconhecidos, se desmanchava em sorrisinhos, gracinhas, frases na língua dos bebês. E todo mundo sorria de volta, falava com ele em inglês, até chegaram a agradar o cabelinho loiro dele.
Percebi que andar pelas ruas empurrando um carrinho de bebê em Nova York é a tarefa mais fácil do mundo. Primeiro porque as calçadas são maravilhosas, regulares, sem buracos, matos e cocôs de cachorros, a cidade é plana, há semáforos em TODOS os cruzamentos. Segundo porque as pessoas nos dão passagem, ajudam a levantar o carrinho quando preciso, abrem portas das lojas pra gente, um gentileza sem fim. Pra mim, não há lugar mais baby-friendly do que NY. A maior parte dos restaurantes têm cadeirão, giz de cera, copo com canudinho. Mesmo os mais formais e 'adultos'. Não é a toa que vimos muitas e muitas mães sozinhas com dois, três filhos (ou babás sozinhas com várias crianças, já que NY é o reino das babás), com aqueles carrinhos incríveis (e gigantes) que acomodam todos os filhos de uma só vez.
O mimimi da mamãe aqui começa quando voltamos para casa, e ainda estamos naquele espírito pós-viagem de "ah, em Nova York era tão lindo, ho ho ho, etc etc". Mas pudera, né, sair de casa na minha cidade (e aposto que na maior parte do Brasil) com um carrinho de bebê é pedir pra sofrer. Quando tem calçada, ela é muito estreita/esburacada/cheia de mato/suja com cocô de cachorro ou resto de comida (nojo master)/decorada com graminhas que entalam as rodinhas. E assim por diante. O fato de a cidade ser só subidas e descidas eu relevo, ninguém tem culpa. Mas o cuidado com as calçadas não. Tudo é pensado em carros, e não em pessoas. As pessoas não são bem-vindas nas ruas das cidades. Calçadas são só um espaço entre a rua e a garagem da casa. Não precisa ser decente para pessoas passarem. Como não ficar com raiva? Como não ter saudade de um lugar que te quer na rua? Que a rua te trata bem? Isso porque Pedro usa carrinho até, sei lá, dois, três anos? E cadeira de rodas, quem usa faz o quê? Não sai de casa, né, porque é impossível. Sinto falta de uma cidade mais acessível, mais acolhedora.
Isso porque nem comecei a falar da falta de parquinhos daqui, da falta de educação das pessoas... é mimimi sim, e pareço metida também, eu sei. Mas tudo o que eu queria era que meu filho pudesse aproveitar a cidade em que moramos.
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