terça-feira, 3 de maio de 2016

3 anos

Faz tanto tempo que não escrevo sobre o Pedro que nem sei mais onde parei. Já ensaiei alguns textinhos, fiz alguns rascunhos, mas parece que nenhuma descrição fica fiel a quem ele é hoje. As mudanças que vemos nele não são mais tão fáceis de explicar, como nos bebês (andar, falar, etc). São mais complexas e acontecem sutilmente, um pouquinho por dia. Nos últimos meses, ele começou a ter noção de relações familiares, a entender o tempo, a questionar a morte (!), a ter novos medos. É coisa pra caramba acontecendo nessa vidinha, e coisas tão fascinantes quanto dos bebês, mas mais difíceis de escrever sobre. 

Aliás, ter filhos é coisa louca, né? Ter a oportunidade de ver uma criança - duas, no meu caso - crescer e se desenvolver é enlouquecedor cansativo incrível. Vou tentar então falar um pouco sobre meu filho mais velho, Pedro, que completou 3 anos no dia 25 de março. 




  • fala super bem. Bom vocabulário, pronúncia boa das palavras, se comunica bem. Ainda erra umas concordâncias verbais, mas é fofo e eu sei que aos poucos, pela observação, ele aprende o correto. E tem cada jeito de montar frases que eu fico boba. Ele tem uma lógica própria, que fica engraçado mas funciona. Tipo: Todos os dias que eu não quero comer cenoura ou Eu sempre não quero que você cante essa música, mamãe.
  • ama a escola nova, e eu também. A escola é ótima, inteligente, sabe? Chega de apostila, lição de casa e Romero Britto. Lá tem mais de um parque grande, com terra, árvores, brinquedos. As atividades são espertas, muita tinta, argila, pedrinhas, areia. A professora dele é gente boa, mais velha, séria mas bacana. Gosto dela. Não tem essa de brinquedo/atividade de menino e de menina separado, é tudo para todos. E não tem televisão! Estamos muito felizes mesmo. Só tem um problema... o preço. Enfim, foi uma decisão bem pensada investir numa escola boa.
  • tem a melhor memória que eu já vi na vida. Lembra de coisas improváveis, é impressionante. 
  • come tudo, de tudo. Ele nunca deu muito trabalho para comer, na verdade. Come na cozinha, sem distrações eletrônicas, em prato de adulto, com salada, carnes, feijão. Simplinho, a comida preferida do momento é ovo frito, que era a minha, na idade dele hahah. Não liga para pizza, batata frita, hambúrguer, não gosta de cachorro quente, nunca tomou refrigerante, comeu bolacha recheada ou salgadinho e nem foi ao Mc Donald's. 
  • porém... gosta muito de doces, então temos que controlar. Aqui em casa não tem nada nunca, é fácil (vez ou outra um bolo, feito por mim). Mas quando visita as avós, nossa, se acaba no chocolate.
  • está com 1,01 cm e 15 kg. Muito bom, segundo o pediatra.
  • não fica doente quase nunca. Eventualmente tem tosse, nariz escorrendo, coisas de criança normal. Mas febre é bem raro.
  • desfraldou mas nem tanto. Tiramos a fralda (do dia e da noite, tudo de uma vez) em outubro passado, por pressão da escolinha velha. Eu sabia que não era hora, mas enfim, foi. Em dezembro estava tudo lindo, super desfraldado. Mas em janeiro, quando começou a escola nova, desandou. Começou tudo do zero. Agora está melhorando, mas ainda tem muitos acidentes. Muito estressante desfraldar, não curti não. Maria Luísa vai ficar de fralda até os 15 anos. 
  • não faz mais aquelas birras todas de quando tinha dois anos, mas ainda tem momentos de chatice. No geral quando está com muito sono ou se está para ficar gripadinho. Como já tem mais consciência de suas sensações, ele mesmo me explica: 'eu estou chorando porque estou cansado, mamãe'. 
  • está mais bonzinho, fácil de conviver, gente boa, mas ainda tem momentos de criancinha desobediente
  • ama festa de aniversário, até dos outros. A dele então, ficou mega feliz (ok, tinha um milhão de brigadeiros e uma cama elástica, até eu fiquei mega feliz). Nunca tinha aproveitado tanto uma festinha!
  • é o melhor amigo da irmã. Ela o ama loucamente, e ele gosta de tê-la por perto. Agora estão com a irritante mania de acordar um ao outro - de propósito - de manhã, no fim de semana. Ela acorda e fica gritando para ele, ou vice-versa. E os dois morrem de rir. Não tem mais muito ciúmes.
  • adora assistir Netflix no iPad. Aprendeu a mexer sozinho e fica lá, todo pimpão, escolhendo desenhos. Eu, que aprendi com a vida que TV não é tão ruim assim, aproveito ligar um filminho para ele quando preciso fazer coisas da casa ou fazer a bebê dormir.
  • gosta muito de desenhar. Pega os lápis de cor e giz de cera e fica um bom tempo pintando. Ainda não desenha coisas identificáveis, mas gosta de pintar beeem forte e de misturar as cores para ver que cor que vai dar.
  • aprendeu (sozinho) a brincar com brinquedos e gosta de ficar no chão da sala fazendo isso. Eu só observo (e acho lindo). Ele pega o avião, o trem, o helicóptero e enche de bonequinhos, dinossauros e mini animais dentro. Fica falando sozinho, inventando historinhas e depois tira todos de lá. Daí começa a colocá-los de novo e fica assim por horas. 
  • é carinhoso, gosta de colo, de carinho, de chupeta, mamadeira, de beijo. É a parte bebê que sobrou dele.
  • vai para a cama às 20h30, e como geralmente está cansado-acabado-morto, dorme na hora, mas não sozinho. Precisa de mim ou do papai ao lado dele, de preferência segurando a mão. Às vezes acorda de madrugada, mas é raro. 
  • tem medo de muitas coisas que não tinha antes. Rojão, barulhos altos, cachorros, mesas arrastando no apartamento de cima, escuro. E trovão, mas medo de verdade.
  • tá com mania de brincar de 'qual letra que começa qual coisa', que é basicamente dizer palavras que comecem com alguma letra. Ele ri, se diverte muito e até acerta várias palavras, uma fofura. 
  • pergunta 'por quê?' o DIA INTEIRO, para toda e qualquer coisa. Às vezes muda e pergunta 'o que é _____ (insira aqui qualquer palavra que vier na sua cabeça)?'. É legal, porque ele tem muita curiosidade pelo mundo. É chato, porque eu tenho que ficar explicando o mundo toda hora, todo dia. É legal, porque me faz repensar o mundo, já que eu tenho que explicá-lo. É chato, porque não passa uma única coisa sem que ele pergunte. É legal, porque sou eu que estou explicando o mundo para ele, dando a chance de ele interpretar da maneira dele. Assim vai.
  • é esperto, mas muito. Difícil de enganar, atento, presta atenção em tudo! Conta até 30 ou mais, sabe cores e números em inglês, faz continhas de mais no dia a dia, sabe quem é mãe de quem, pai, avó, primo. Tem noção de hoje, ontem, amanhã. 
  • é o cara, resumindo. E eu o amo muito, muito mesmo.

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