Ele já tinha dado um pequeno sinal quando fomos viajar para Petrópolis. Na ida, quando paramos em um restaurante no caminho para tomar o café da manhã e eu apareci com as duas mamadeiras para eles, Pedro não gostou. Fez cara feia, olhou envergonhado ao redor e me mandou guardar, para tomar em outro lugar, talvez no quarto do hotel.
Daí um belo dia (11 de julho, pra ser exata), em casa, veio todo decidido me dizer que queria escrever a carta para a Fada da Mamadeira. Titubeei.
- Mas, filho, tem certeza?
- Aham.
- Depois que ela leva a mamadeira embora, não tem mais volta.
- Aham.
- E onde você vai beber seu leite?
- No copo.
- E não vai ficar triste quando a Maria Luísa tomar a mamadeira dela perto de você?
- Não.
E assim foi, muito mais resolvido e seguro que eu. Pegou uma sulfite, ~escreveu~ para a Fada dizendo que poderia vir buscar a mamadeira e que deixasse um presente para ele: um carro de corrida muito rápido. Corri para meu telefone para avisar o ~fado~ para providenciar um carro de corrida muito rápido (e também para chorar minha dor de perder meu bebê).
No dia seguinte, ele acordou cedo e veio ao meu quarto gritando, feliz da vida, que ela tinha vindo mesmo, e que tinha dado a ele uma pista de corrida do Hot Wheels ('hot iús'). Comemoramos, brincamos com o brinquedo novo e ele nem quis leite no copo. Enfim, foi tudo melhor do que eu esperava. Chorou sim, no dia seguinte, quando percebeu que a mamadeira não ia mais voltar, mas estava tão feliz com o carrinho que achou que dava para superar. O único problema é que passou a tomar menos leite, porque em uns dias aceita o copo de canudo ou o de bico, mas não é sempre que quer. Mas foi bonito ver mais uma passagem importante na vidinha dele.
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