quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Limites

Família é uma coisa curiosa. Quando me casei, achava a família do meu marido completamente diferente da minha. Enquanto meus pais (e tios, avós, primos) eram extremamente próximos, sempre sabendo e se metendo em todos os assuntos de todo mundo, os dele eram liberais, davam privacidade aos filhos, não telefonavam cem vezes por dia.

Balela. B-a-l-e-l-a. Pedro nasceu e as diferenças entre eles, agora avós, desapareceram. Meus pais continuam a se meter em cada detalhe da vida (dos outros) e os pais dele se mostraram bem participativos também.

O "limites", do título do post, não se refere aos que trabalho (duro) para dar ao meu filho, mas os que eu (e meu marido, I suppose) gostaríamos de ter respeitados. Veja bem, nós somos um núcleo familiar independente. Temos casa, filho, vida própria. E isso, por si só, imporia limites para quão invasivos podem ser nossos pais (e parentes no geral). Mas não impõe. Não faz nem cosquinha.

Não tenho muita vivência com famílias de outros países, mas tenho certeza que essa invasão de privacidade é coisa de brasileiro. Sabe ir chegando, entrando, sentando, sem nem avisar? Junte essa cultura de proximidade extrema com o fato de Pedro, nosso pequeno e adorável filhinho, ficar duas vezes por semana na casa de cada avó. Pedro esse que é o único neto, única criança das duas famílias.

Resultado: não há jeitinho de impor regras na casa das avós (e dos avôs, que estão sempre por perto também). São elas que cuidam, que vivem o dia a dia com ele, enquanto nós dois passamos a semana enfiados em escritórios dignos de The Office. E aí, como faz?

Exemplo da falta de limites aconteceu na semana passada, quando meus tios deram uma bicicleta ao Pedro. Bem na semana do Dia das Crianças. Uma bicicleta. Nós, os pais, demos um singelo carrinho de madeira e um livro. Penso eu que em qualquer lugar do mundo é proibido por lei dar presentes do tipo para crianças alheias. Aqui não. É legal, é bacana, é normal. Pedro tem 1 ano e, na mesma semana, ganhou uma bicicleta e um triciclo (dos avós paternos). Minha mãe ainda falou: "Sua tia estava com medo de você ficar brava". Brava, eu? É claro que eu fiquei! Claro também que não falei para minha tia que fiquei brava. Eu sou minimamente educada. Mas fiquei puta da vida. Dar uma bicicleta ao meu filho é invadir a privacidade da minha família, é ultrapassar os limites, é passar por cima de nossas ideias e decisões.

Mas o que podemos fazer? O jeito é sorrir amarelo e agradecer, porque ai de quem se recusa a tratar as crianças como pequenos imperadores. Ai de quem acha que livro é um excelente presente de Natal, ai de quem acha um absurdo comprar um tablet de mil reais para uma pessoinha de menos de 5 anos.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Aleatórias sobre a vida

Mal sabe você que eu também sofro nas segundas-feiras, Pedro.

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Essa aconteceu no meio de agosto, logo que eu consegui um emprego em tempo integral. Mal comecei a trabalhar e já fui dando mostras da minha capacidade louca de viver em sociedade e fazer amigos:

- Noooossa, como você é corajosa de largar seu emprego por um ano inteiro para cuidar do seu filho!!!! - me disse uma colega recém-chegada da licença-maternidade.
- Corajosa é você, amiga, que largou sua filha de seis meses para voltar para o trabalho - respondi (não, eu não pensei em responder, eu respondi de fato).

*

Na minha época de mãe em tempo integral, toda vez que eu saía dar uma volta com o Pedro pela manhã reparava que, por mais cedo que fosse, o carro de um de nossos vizinhos não estava na garagem. No nosso passeio do fim da tarde, eu espiava de novo e nada do carro chegar. Ele só voltava à noite, quando a gente já estava no conforto da nossa casinha. Agora, eu saio para o trabalho tão cedo que o bendito carro está lá, na vaga. E volto tão tarde que ele já está estacionado de novo no seu lugar. Vida dura.

*

Aliás, o que me consolava em meus banhos da madrugada (das 5 e meia da manhã, na verdade) era espiar pela janela o prédio que fica há uns quarteirões do meu e ver que já tinha uma varanda com a luz acesa. Que bom que não sou só eu que tenho que acordar antes do sol nascer para sair de casa, pensei. Mas aí um belo dia acordei para um xixi no meio da noite, por volta das duas da manhã, e reparei que a luz da tal varanda estava acesa. Ué, que hora então que aquela pessoa acorda? Na noite seguinte, espiei pela janela do meu banheiro de novo e ahá, a belezoca larga aquela luz da varanda acesa dia e noite, todos os dias! Resumo da história: só eu mesmo acordo tão cedo para trabalhar.

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E sabe o que é pior? Eu estou gostando do meu trabalho.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

1 ano e 5 meses

Há tempos estou ensaiando escrever um post sobre como como vai o Pedro e o que ele tem feito de bom na vida. Mas me falta tempo (eu sou uma mãe que trabalha fora, agora) e paciência (eu sou uma trabalhadora que tem filho, agora). Tanta coisa acontece e muda com essa criancinha que eu nem sei mais onde parei, qual foi a última coisa que escrevi. Enfimmmm, chega de mimimi e vamos lá falar sobre Pedroca, que hoje completa 1 ano e 5 meses!

- Pedro faz graças, das mais variadas. Faz caretas para fotos, manda beijos para o espelho do elevador, grita "vovô" para os avôs, pede bolacha, pula na cama, sobe no sofá, sai correndo pelado pela casa... ad infinitum...
- me ajuda a lavar roupas. Segura de um lado do cesto e eu vou puxando os dois, Pedro e cesto, pela casa até chegar na lavanderia;
- ficou doente inúmeras vezes desde que entrou na escolinha. Gripinha, febrinha, sapinho, alergiazinha, virosezinha... 
- caiu da balança no parque e ralou o cotovelo. Sim, eu estava junto, mas aconteceu e um band aid resolveu;
- levou uma pancadinha da balança da escola na cabeça, ficou com um galo gigante e roxo. Eu, em minha primeira semana no trabalho novo, sofrendo loucamente, surtei. Chorei, briguei com a escola, um auê. Mas aí acalmei e me dei conta que ele é criança, a escola não teve culpa e isso vai acontecer mais mil vezes;
- lê os livrinhos dele, que ficam em um revisteiro no quarto. E já sabe qual livrinho fala do que (bebê, bolá);
- anda e corre de um jeito super engraçado e fofo;
- se joga no chão se não quer que a gente pegue no colo;
- tenta colocar sapato sozinho. Na maior parte das vezes não consegue, mas já entendeu o mecanismo da coisa. E já até consegue com o Crocs!
- AMA pular na minha cama. Eu que ensinei hahaha, e é uma delícia mesmo. Fica de pé, dá as mãos para mim e pulamos;
 - curtiu muito a Copa do Mundo. O pai estava de férias e assistiu a maior parte dos jogos em casa. Pedro viu junto, e foi gostando. Toda vez que a gente ligava a TV e estava passando um jogo, ele ia para frente dela e ficava todo feliz, batendo os pezinhos, e gritando 'gol'; 
- aliás, vê qualquer esporte na TV e grita gol. Até basquete;
- gosta muito de ir para a escola. Nunca mais chorou, vai feliz no colo da tia e volta para casa animadão, cantando;
- canta, minha gente! Eu canto "atirei o pau no gato to, mas o gato to..." e ele repete o fim das palavras, gritando MIAU bem alto no fim;
- tem ficado na escola de manhã e na casa das avós à tarde. Até agora ninguém reclamou (nem Pedro e nem avós), e os tios têm adorado brincar com o maluco beleza;
- aprendeu com a vovó Cris a fazer força para abrir alguma coisa que esteja difícil. Daí faz barulho de força e cara de força hahaha, e olha pra gente pra ver se estamos achando engraçado. Faz o teatrinho até para tirar o sapato e as meias;      
- dançou na festa junina da escola, no meu colo. Eu curti mais do que ele, que não entendeu muito bem o que estava acontecendo;
- fez presentinho de Dia dos Pais na escola e quase fez o papai chorar de emoção;
- brinca com os brinquedos dele no tapete da sala, montando bloquinhos, empurrando carrinhos... e a maior parte das vezes jogando coisas com força na televisão e nas pessoas ao redor;
- ainda não dá a menor bola para desenhos na TV. Nem Pepa Pig, Discovery Kids, nada... Tudo bem, fui eu que quis assim e fico feliz que nem a escola tenha estragado isso;
- não come mais como antes. Não gosta das coisas, não quer nem experimentar, faz cara feia, cospe, faz não com a cabeça;
- mas banana, bolo e doces em geral sempre têm vez com Pedro, o formiguinho;
- Pedro fala. Mais do que a língua dos bebês, Pedro fala palavrinhas agora. É fofo, é legal, é prático! A gente conversa! E ele entende bem tudo o que falamos, então dá para (quase) conversar mesmo;
- está com 81 cm e pesa 11,270 kg.

O Pedro bebê está indo embora. Sei que já falei isso milhares de vezes, mas cada vez mais é verdade. Essa pessoinha agora se parece com uma criança. Marido, que foi viajar a trabalho na semana passada, disse que - apesar de já ter viajado sozinho duas vezes depois que Pedro nasceu - nunca sentiu tanta falta dele. Porque agora ele é uma pessoa, com personalidade visível. Eu, que fiquei aqui com ele, sei disso e garanto que Pedro é um super companheiro.

Bom, só para constar, um pouco do vocabulário do pequeno:
mamã (mamãe) 
babá (papai)
vovô
vovó 
bebê/nenê 
bá (pé)
di (dois)
bolá (bola, a palavra preferida do momento)
bôla (bolo)
ovo
bisa
lelê (tio Lelê)
didi (xixi)
bã (pão)
nánãná (banana)
dedê (tetê)


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Menos mãe

Nem a cesárea, nem ter te colocado na escola quando eu ainda trabalhava em casa, nem ter te dado pão com Nutella mais de uma vez no café da manhã... Nada disso me fez me sentir tão 'menos mãe' como me sinto agora, que consegui um emprego em tempo integral.


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

De repente

Quando foi que você começou a alcançar as coisas em cima da mesa de jantar? 
Em que momento passou a gostar dos seus livros e sentar no chão para lê-los, sabendo exatamente qual fala de cada assunto?
E quem te ensinou a falar 'bola', assim certinho, em vez de 'bó'?
Quando, filho Pedro, que você aprendeu a ajudar a mamãe e entender onde guardamos as coisas na nossa casa?
E subir sozinho e se sentar nas cadeiras altas, de onde veio isso?

Eu estava aqui o tempo todo e ainda assim você cresceu de repente.


Dor de mãe

Agora eu entendo as mães que chegam chorando, cheias de olheiras. As mães que não têm coragem de dar broncas, para não estragar o pouco tempo que resta, as que desistem de brigar para comer o jantar, para escovar os dentes, para guardar os brinquedos. Aquelas que deixam dormir no meio, que conversam com o filho enquanto ele dorme. As que lamentam quando ele dorme tão cedo. As mães que se chateiam com as avós porque elas deram doces demais ao neto, mas fazer o quê? Eram elas quem estavam cuidando, ajudando as tais mães. As que têm inveja da tia da escolinha, que passa tanto tempo com ele. 

Hoje eu voltei a trabalhar fora de casa, filho, depois de 1 ano, 4 meses e 16 dias dedicados a você. Dói cada pedacinho do meu coração. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Desmamou

Provavelmente o Pedro não tenha o menor interesse em saber quando e como desmamou. Eu mesma só soube da minha história de desmame agora, que tive um filho e enchi minha mãe de perguntas. Mas como esse é um tema recorrente - e controverso - na blogosfera materna, resolvi escrever. Até porque esse blog é quase secreto e ninguém vai ler mesmo.

Pedro entrou na escola com 1 ano e 2 meses. Antes disso, só ficava em casa com a mamãe e mamava no peito. Sempre tive leite e nunca passei por dor ou qualquer coisa que atrapalhasse a amamentação. Enfim, uma vez na escola ele começou a tomar leite em pó na mamadeira, uma vez por dia. Pensei que ia recusar, que ia chorar, que ia sei lá, mas não, né. Ele é o Pedro, e o que importa é que seja leite. Qual for, onde for. Em casa, continuou mamando no peito como se nada tivesse acontecido.

Mas aí senti que era uma boa hora para desmamar de vez, sabe. Por várias razões: ele se adaptou bem à mamadeira, vai ter mais independência da mamãe (leia-se "vai poder dormir na casa das avós") e eu vou voltar a ter controle sobre meu corpo. Eu amei amamentar, desde o primeiro minuto. Foi um prazer poder alimentar meu bezerrinho exclusivamente com leite até os 6 meses e continuar depois, a qualquer momento que ele precisasse. Eu me doei para a maternidade por um bom tempo e não me arrependo nem um pouco. Mas agora deu. Eu me quero de novo para mim. Egoísmo? Não acho. Acho que escolhemos (Pedro e eu) a hora certa para essa nossa nova fase. Continuo dando amor, carinho, colinho e a mamadeira, mas não mais o peito.

Não foi um desmame natural, com o bebê recusando o peito. Mas foi uma decisão minha, baseada na minha vontade e em observação do meu filho, que pareceu pronto para desmamar. Considero que foi respeitoso, com nós dois. E quem está adorando é o papai, que agora tem a oportunidade de dar o tetê de antes de dormir e ninar nosso filhinho.