Certo e errado na criação de filhos só existem antes de você virar mãe. Quando você está lá, de boa, só assistindo a vida dos outros e pensando coisas como "eu jamaaaaais faria isso se fosse meu filho". Pois bem, os bebês nascem, crescem e a gente faz tudo o que falou que não faria, estabelece regras, muda de ideia sobre elas... enfim, os conceitos de 'certo' e 'errado' somem, já que cada criança, cada casa, cada família e cada situação são únicas.
Assim sendo, eu descrevo aqui algumas coisas que eu fiz em relação ao Pedro que acho que foram bacanas. Eu chamaria de 'certas', mas daqui a pouco nasce meu segundo bebê e vai que eu mudo de ideia e decido fazer tudo ao contrário...
Ter rotina. Eu tinha lido em algum livro ou algum blog, não lembro mais, que rotina era legal para bebês e crianças porque, sabendo o que aconteceria em seguida, eles ficariam mais calmos e seguros. Achei justo. Claro que nos primeiros meses é quase impossível colocar uma super rotina, já que eles mamam a qualquer momento, não comem e podem precisar de vários banhos por dia. Mas ainda assim já dá pra começar a determinar alguns horários e atividades diárias. Por aqui, Pedro tem horário para comer, tomar banho e dormir. A rotina da noite é, para mim, a mais importante. Garante que ele durma bem e garante uma noite boa para mim também. Como dorme cedo, nós, pobres e cansados pais, ganhamos umas horinhas pra conversar, ver seriados e ficar de boa antes de ir para cama.
A rotina. O jantar acontece às 19h30. Depois disso, ele assiste um pouco de desenho e brinca na sala até às 20h30. Daí, hora do banho, do pijama, da mamadeira, de escovar os dentes e de dormir. Todo dia é assim, desde sempre, então ele nunca se rebela ou se nega a fazer alguma coisa (menos escovar o dente, que ele não gosta). Nos fins de semana, claro, a gente maneira e aos sábados, geralmente, ele dorme mais tarde.
Hora das refeições. Mamãe general também gosta de hora para refeições. Aqui temos café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar. Não existe beliscar comida durante o dia ou fora de hora (água está liberado a qualquer hora hahahha). Isso garante que a gente sempre coma no lugar certo, as coisas certas e com fome (o que, para uma criança de 2 anos, por exemplo, é importantíssimo). As refeições são feitas na mesa da cozinha ou da sala de jantar. Nunca na sala. E nunca com a televisão ligada. Nunca. Sem exceções. E nunca com celular ou tablet ou qualquer coisa do gênero por perto. Quer um brinquedinho? Pode brincar com colheres, copos, luvas de tirar forma do forno. Mas só. Hora de comer é hora de comer. E só é permitido sair da mesa quando todos acabam.
As refeições. Até 1 ano, Pedro só comia o que eu preparava. Frutas, sucos, legumes, verduras, arroz, carnes. Nada de doces ou frituras ou porcarias. Para se ter uma ideia da minha neurose preocupação, levei na festa do primeiro aniversário dele um potinho com papinha. Juro. Enquanto os convidados se acabavam no cachorro-quente, ele comeu abobrinha. Mas aí o tempo passou e eu fui relaxando. Hoje em dia ele come coisas saudáveis em casa e na escola. Na casa dos avós ele come o que quer. Não quer fruta? A vovó dá pão. Quer mais bolo? Pode comer. Bolacha? É pra já! Eu confesso que isso já me deixou bem nervosa, mas casa de vó é assim, é pra ser legal mesmo. Me lembro muito bem quando minha avó chamava a gente na cozinha e dava leite condensado com Nescau em uma xícara, pra comer de colherinha antes do almoço. De qualquer forma, por aqui não compramos doces, bolachas recheadas (só bolacha de maisena), sucos de caixinha, refrigerante (orgulho bobo: 2 anos e 3 meses e NUNCA bebeu refrigerante), frituras, coisas industrializadas em geral. Se não tem em casa, é fácil não comer. Fazemos feira toda semana e Pedro vai junto, para escolher as frutas que quer. O resultado é bom para todo mundo.
(Quando Luísa chegar, eu volto para contar como ficou a história)
Pedro e papai na garagem, observando o céu numa noite estrelada.
- Olha, filho, a lua!
- E as estrelas, papai!
- E um avião! Você viu o avião passando?
- Avião vermelho!
- Ele não é vermelho, a luzinha dele que é vermelha.
- Luzinha no avião não, 'luzinha' tá na barriga da mamãe!
Até pouco tempo você nem se mexia. Vez ou outra eu sentia uma cosquinha na barriga. Mas então você começou a crescer - assim como seu irmão - e virou menina grande. Grande também ficou minha barriga, que não deixa mais dúvidas sobre ter um bebê aqui dentro. Agora tem espaço e você aprendeu a se mexer, dar chutinhos e cambalhotas. Seu pai também consegue sentir, quando coloca a mão na minha barriga. Só Pedro, que ainda não entende bem como essas coisas funcionam e não vê a menor graça de encostar na barriga grande da mamãe.
Aos poucos estou comprando suas coisinhas, um pouquinho de vermelho, um lacinho cor-de-rosa, um vestidinho, um sapatinho dourado. Seu berço também já é seu, com o aval do ex-dono. Já que ele tem cama de menino grande, por que não deixar a cama de bebê para a Luisinha? "Boa ideia, né, filho?", "Boa ideia, mamãe".
E assim a gente vai vivendo, te esperando e pensando como vai ser essa nova vida. Sempre achei que quem tem um filho tem dois, três, quatro... o trabalho mesmo é o primeiro, que é muita novidade. Agora repenso. Será? Chega o segundo, mas o primeiro está lá ainda, dando trabalho! E Pedro tem dado trabalho. Crise dos dois anos? Ciúme de uma barriga que não para de crescer? Tédio? Presença constante da mãe, que agora não trabalha mais? Não sei. Mas sei que ele já te considera alguém da nossa família, Luísa, e nunca esquece de te mencionar. "Casa da mamãe, do papai, do Pebo e da nenê". Independente de como será esse nosso começo, tenho certeza que vai ter muito amor para superar o que for preciso.
A cama de menino grande chegou quando ele estava na escola. Arrumei o lençol de animais, o edredom azul, coloquei o cachorrinho de pelúcia em cima e esperei a reação do meu bebê que, naquela noite, seria promovido a menino grande. Ele chegou, achou tudo legal, e disse que agora tinha duas camas. A noite transcorreu bem, algumas acordadinhas esporádicas, nada além do já esperado, assim como as demais.
Aos poucos, ele foi curtindo a ideia de ver o quarto por outro ângulo ('Olha, mamãe, um quadro de barcos'), de poder subir e descer sozinho (embora na maior parte dos dias ainda nos chama quando acorda), de ter uma mesinha com um abajur e uns poucos brinquedos bem ao lado, ao alcance das mãos. Aos poucos, eu fui parando de sofrer com a ideia, de achar que ele poderia cair a qualquer momento, de pensar que ele vai crescer e nunca mais vai ser um bebê de berço. Mesmo porque já era. Já cresceu. Já é menino grande.
Mas ainda cabe no meu colo.
Quando decidi ver logo no ultrassom que meu bebezinho se tratava de uma menininha, logo começaram a surgir os comentários. O mais comum deles:
- Um casalzinho? Que bom, assim já dá pra 'fechar a fábrica'!
De quem?
Da faxineira.
Da mãe da esposa do meu tio.
Da mãe da esposa do tio do meu marido.
Da moça do caixa das Lojas Americanas.
Da menina do RH da empresa que eu trabalhava.
De uma senhorinha que me viu no supermercado.
Da moça da barraca de caldo de cana da feira de domingo.
Dá pra acreditar? Nunca imaginei que ia ser alvo da patrulha do controle de natalidade. E sobre fechar a fábrica, confesso que quando passei três/quatro meses com enjoo e vômito, e quando a cama chegou e deixou o quarto das crianças bem apertadinho, eu pensei que dois está bom. Mas decidir mesmo eu não decidi. De qualquer forma, é um assunto bem particular, não é não?
Tem umas coisas que a gente vive e diz 'isso é para contar para os filhos'! Então, Pedro e Luísa, conto agora coisas legais que já aconteceram comigo em viagens que fiz:
_ Nadei com tartarugas e arraias no mar de Fernando de Noronha.
_ Vi meu ônibus parar para uma manada de bois atravessar a estrada no Mato Grosso do Sul.
_ Vi meu ônibus parar para um alce atravessar a estrada, desta vez em Alberta, no Canadá.
_ Do alto do Arco do Triunfo, vi anoitecer em Paris e a Torre Eiffel se iluminar.
_ Presenciei panelaços nas praças de Buenos Aires.
_ Assisti, junto com um milhão de pessoas, um show dos Rolling Stones na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
O que restou de fofura no vocabulário de um menino que fala quase tudo certinho:
- titibol = futebol
- caeda = cadeira
- bandão = grandão
- mamimais = animais
- memelho = vermelho
- de conca cabeça = de ponta cabeça
- farofia = farofa
- minhoquia = minhoca
- icultura = cobertura (do prédio, onde vamos brincar de patinete e bolinhas de sabão)