quarta-feira, 4 de novembro de 2020

5 anos

Maria Luísa fez 5 anos no dia 13 de agosto e eu, como sempre, esqueci de vir fazer minhas tradicionais (e atrasadas) anotações sobre ela e essa idade tão legal e engraçada. Muita coisa aconteceu nesse ano inusitado - ou pouca coisa, não sei ao certo - mas pudemos ver um crescimento gigantesco dessa menina maluquinha. 

Festa de aniversário

Como a pandemia ainda estava rolando, decidimos fazer aquele esquema de bolo em casa, só nós quatro mesmo. E com aquela encenação toda de surpresa, que quase nunca dá certo. Mas foi legal! Fizemos o bolo que ela queria, de chocolate com recheio de doce de leite e cobertura de brigadeiro com M&Ms. Estou quase que uma especialista na receita já. No fim da noite, as duas avós passaram por aqui e entregaram presentes para as crianças pelo portão do prédio.

O tema desse ano era criativo, como a própria aniversariante: caça à bailarina. Apesar das piadas do Juliano e do Pedro, não envolvia espingarda nem nada assim. Era, na prática, um esconde-esconde em que ela, vestida de bailarina, se esconderia em um canto da casa e os convidados sairiam para procurá-la. O primeiro a achar ganharia um chocolate. Desafio aceito: preparei uma caixinha com Bis e Batom, que ela ama, achei o collant do balé (que já está apertado, mas tudo bem) e fizemos a brincadeira que ela inventou. 

Teve decoração também! Fizemos alguns desenhos durante a semana e colamos na parede da sala de jantar, junto com bexigas de cores variadas. Na mesa, posicionamos as duas bonecas bailarinas dela, a rosa e a roxa, ao lado do bolo. O Pedro até usou gravata borboleta para a festa hhahahah! Não foi uma festa tradicional, mas foi bem divertida.

Crescimento

Como de praxe, vou fazer algumas anotações sobre o desenvolvimento da Mariazinha para que a gente possa ler no futuro e relembrar desses momentos.

- como não vai ao pediatra há tempos, não sei ao certo quanto está medindo e pesando. A anotação da última consulta, em janeiro, diz 1,06 cm e 17,7 kg. Mas com base na quantidade de bolo que a gente fez na quarentena e nas calças todas curtas na gaveta dela, imagino que já tenha passado disso.

- aprendeu a ler e a escrever em plena quarentena. Eu não aguento de orgulho dessas coisas! Pouco antes de fazer 5 anos, estava muito, muito curiosa sobre letras, palavras e rimas. Então nós fizemos jogos, brincadeiras e cartas uns para os outros, até que ela se sentiu confiante para começar a ler e escrever sozinha. Foi muito legal! A escrita ainda está se desenvolvendo, claro, mas ela consegue se expressar. Mistura C com S e usa QU no lugar do C. Ainda assim consegue escrever cartões para a família toda. 

- com essa nova habilidade, passa bastante tempo lendo gibis da Turma da Mônica no sofá ou na cama, com uma girafa debaixo do braço e uma cobertinha. Apesar de já conseguir ler e se divertir sozinha, nos pede TODO DIA para fazermos uma 'leiturinha' de um gibi para ela. 

- aprendeu a andar de bicicleta sem rodinhas, como eu também já havia contado em outro post. Foi bem rápido, precisou de poucos dias para se sentir segura e ir. Agora corre pra caramba e não tem medo de nada. E caiu pouquíssimas vezes.

- gosta de jogar Beyblade com o Pedro e ganhou uma de presente no Dia das Crianças.

- faz quase tudo sozinha: vai ao banheiro, escova os dentes, toma banho, se veste, penteia o cabelo, corta banana de rodinhas no lanche da tarde, arruma a própria cama, guardar brinquedos, etc etc.

- foi super bem no período de aulas online. Quis fazer todas as atividades e se adaptou bem aos encontros com os professores e os (poucos) amigos que entravam no horário. Não se intimidou com a câmera e nem teve preguiça de assistir todos os vídeos. Dentro do possível, conseguiu aproveitar bem o que foi oferecido. E sempre muito animada e feliz.

- tem uma energia surreal. Está sempre animada, cantando, pulando, chamando a gente pra jogar um futebolzinho no corredor. Aliás, tem jogado futebol super bem!

- está em dúvida se quer mesmo ser presidente do Brasil quando crescer. Considera também ser varredora de rua, dirigidora de retroescavadeira, surfista e jornalista.

- perdeu muita roupa e sapato no último ano. Quando vimos, tudo estava curto e justo. 

- gosta de jogos de tabuleiro (Lince, Tapa Certo, Kariba, Dominó), mas ainda não assimila bem a derrota. Chora, joga tudo pra cima e diz que não quer mais brincar.

- fica chateadíssima se leva alguma bronca. Mas muito. Chora quietinha, sentida, até a gente ir e pegar no colo. Mas tem aprendido a reconhecer quando erra e pedir desculpas. No geral, ela e o Pedro são muito tranquilos e gente boa, não temos trabalho com eles. 

- tem ideias muito criativas e sempre está bolando planos para os ataques de ninja que ela e o Pedro executam em casa. Geralmente eles planejam roubar tomatinhos da mesa antes do almoço ou então ficar passando perto da gente sem que sejam notados. cof cof

- deu uma cansada de Patrulha Canina e está envolvida em uns desenhos de crianças maiores, tipo Jovens Titãs. Ela e o Pedro têm gostado de assistir as mesmas coisas, o que facilita a hora da TV aqui em casa: Mr. Magoo, Art Atak, Irmãos Kratts.

- fica super de boa sem televisão por dias. Ela e o Pedro criaram, no início da pandemia, uma brincadeira chamada Caçadores, em que todos os brinquedos desempenham um papel numa missão e sei lá mais do que (já falei sobre isso em outro post). Agora enjoaram um pouco, mas ficaram entretidos por meses com isso. 

- não faz drama para dormir. Se está com sono, põe pijama e se enfia debaixo das cobertas. Bem resolvida.

- está sempre atenta ao que acontece ao redor, tem uma desenvoltura muito grande e é muito carismática. É esperta e se vira bem sem precisar pedir muita ajuda.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Autoestima elevada? Temos!

Maria Luísa escreveu um livro essa semana. Não é o primeiro, mas um dos mais elaborados. Se chama "O Indiana Jones aventureiro" e tem vários desenhos dele em situações perigosas, de muita aventura. A obra tem capa e várias páginas, coladas delicadamente com fita crepe. Edição limitada.

Eu me encantei com a fofura da grafia dele, "O INDIANA DIONES AVENTUREIRO", e postei no stories do Instagram. Foi uma chuva de likes, como diz o Juliano. Várias pessoas interagiram e tentaram adivinhar o que estava escrito. 

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No jantar, comentei com todo mundo aqui em casa que havia postado e que o livro tinha ficado bem legal. A autora, na mesma hora, levantou da cadeira, deu um sorrisinho e disse: "Tem páginas de ponta cabeça? Sim. Mas ficou bom mesmo assim? Sim também!". 

Já pensou se todas as mulheres do mundo tivessem essa autoestima, gente? Não ia sobrar patriarcado pra contar história. Nem a do Indiana Jones!


Sobre apego e aprendizados

Quando o Pedro era pequeno, comprei um estojo vermelho grande com duas divisórias para guardarmos lápis de cor e giz de cera. Acabou sendo uma excelente compra, porque ele ama desenhar desde sempre. Na quarentena então, é rotina: ele e a Maria Luísa passam o dia inteiro pegando sulfite no escritório para as novas produções artísticas deles.

Daí que na semana passada precisamos nos despedir do tal do estojo vermelho, que estava bem velhinho e rasgado, derrubando giz pela casa inteira. Peguei um estojo do mesmo tamanho que seria usado pelo Pedro na escola, esse ano, e transferi os lápis para lá. Simples e fácil, não? Não, claro, porque Pedro viu o estojo vermelho no lixo e desandou a chorar.

Eu procuro entender esses momentos deles, por mais que eu discorde e ache um absurdo. Num primeiro momento disse que o estojo estava velho e que não estava mais desempenhando a sua principal função, por isso trocamos. Ele continuou a chorar, por dias. Sim, DIAS! Pedro passou uns três dias lembrando do estojo e chorando.

Pedro sofre pelas coisas. Ele odeia doar roupas que não servem mais (doa, mas chora antes e se despede de cada peça) ou jogar fora desenhos antigos. Se apega a tudo que já foi importante para ele e, se pudesse, guardaria tudo para sempre. Mas a vida não é assim, né. A gente mora em um apartamento e ninguém precisa manter roupa apertada na gaveta. As coisas têm que circular e sempre tem gente precisando do que a gente não usa mais.

Em um determinado momento, já no terceiro dia, eu disse a ele que entendia a tristeza dele, que sabia como ele adorava aquele estojo, que foi seu companheiro de desenhos por alguns anos. Mas que aquilo era um objeto, uma coisa. Não poderíamos sofrer como se estivéssemos falando de uma pessoa. É mais legal guardar (ou expressar) nosso amor por pessoas, não por coisas.

"Você pensa isso, mas eu não! Nós somos diferentes! É crime agora ser diferente?", ele gritou meio choroso, sentado na cadeira da sala de jantar. Não, não é. Me agachei ao lado dele e me dei uns minutos para refletir. "Eu deveria ter dito isso para minha mãe quando tinha a idade dele", pensei. Até esqueci do estojo. "Não é, filho, você tem razão. É maravilhoso sermos diferentes, e eu preciso entender isso o quanto antes", disse.

Não tenho apego nenhum a estojo ou calça jeans de dez anos atrás. Não uso mais? Vai para a doação, junto com brinquedos, utensílios domésticos e sapatos. Mas o Pedro não é a Juliana, o Pedro é a minha mãe o Pedro, e ele realmente sente essa ligação pelas coisas dele e se aflige quando temos que nos desfazer de algo. Talvez porque aquilo signifique mudar de fase. Aquele ato de abrir mão de alguma coisa querida quer dizer que ele cresceu, que não cabe mais ali, que não é mais um bebê ou uma criança pequena. E crescer dói mesmo, assusta. 

Não tem um dia que eu não aprenda algo com as crianças, por bem ou por mal. Mesmo nos dias calmos, quase tediosos. A visão de mundo deles, tão fresca e limpa de normas sociais, me abre a cabeça para um enxergar a ingenuidade e a simplicidade que a gente vai perdendo com a vida adulta. Não me irritei de ter que acalmar um menino que chorava pelo estojo rasgado, pelo contrário, achei que eu tinha um papel ali de ensinar. Mas, como quase sempre acontece, acabei aprendendo. E que lindo ver meu filho se posicionando!

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Papo no cafezinho

Já falei que amo minhas conversas com as crianças no lanche da tarde, né?

Hard work

Dia desses a Maria Luísa anunciou, com aquela autoconfiança só dela, que quando crescer vai ser presidenta e policial. Desistiu da ideia de ser varredora de rua, dirigidora de retroescavadora e surfista. E me perguntou:

- E você, o que é, mamãe?

- Eu sou jornalista, filha.

- Só???

- E mãe também.

Ela riu, balançou a cabeça e disse:

- Ah, mãe não é trabalho, é coisa da vida!


Cadê o juiz?

Num bate-papo animado sobre amarelinha, Pedro estava nos explicando que no quadrado antes do 1 vinha o "INFERNO" e no final, depois do 10, vinha o "CÉU". Mas ficou em dúvida.

- O que é inferno?

- É uma crença das igrejas, filho. As pessoas religiosas acham que, quando alguém morre, vai para o céu se foi bom, que é um lugar bonito e divertido, e para o inferno se foi mau, fez coisas ruins na vida. Um lugar quente, cheio de fogo, desagradável.

- Hmmm, mas quem decide quem foi bom ou ruim, hein? Aliás, o que é bom ou ruim para um não é para outro. Qual é a lista do que é bom ou ruim?

Pois é. Eu também não sei, Pedroca.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Lembranças do Pedro

Hoje, durante o almoço, lembramos de duas frases engraçadas do Pedro, de uns anos atrás, e fiquei pensando se já anotei aqui. Se ainda não, aí estão (se já, sorry):

Carioquês?

Quando o primo do Juliano anunciou que mudaria com a família para o Rio de Janeiro, Pedro, que tinha uns 3 ou 4 anos, ficou intrigado e logo perguntou:

- Que língua eles falam lá?

Comida típica

Sempre que viajamos para algum lugar, tentamos experimentar as comidas locais (as não muito exóticas, claro) e as crianças nos acompanham. Quando Pedro tinha uns 3 ou 4 anos, visitamos um amigo do Juliano em Campinas para a tradicional ceia de Natal da turma dele. O prato era nhoque, coisa que eu não costumava dar para as crianças em casa (saudades de quando a vó Maria fazia quase toda semana... mas esse é outro assunto). Ele olhou bem para a travessa e perguntou bem alto:

- Aqui tem essa comida diferente porque viajamos e chegamos em outro país?  

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Eles e nós

Foram seis meses de contato direto, intenso, sem pausa para descanso. Desde março estamos só nós quatro, unidos por força da pandemia, em um esquema 24/7 com raríssimas e rapidíssimas exceções (consulta médica, caminhada matinal, fuga estratégica para o banheiro).

Apesar de estarmos sobrevivendo muito bem e digo até muito felizes, o contato ininterrupto e a presença de duas crianças em um apartamento por tanto tempo me fez esquecer de coisas básicas como o silêncio, a concentração em um trabalho por mais de uma hora, a não necessidade de levantar do escritório para providenciar almoço, jantar, lanchinho. 

Hoje, pela primeira vez, as crianças saíram de casa sem a gente. Fizeram as malinhas e, com uma animação explosiva, se prepararam para dormir na casa do tio José e da tia Mariana. A empolgação foi tanta que a Maria Luísa achou por bem usar a palavra "emocionada" para expressar o que sentia. Eu também fiquei emocionada.

Foram quase 180 dias sem a ajuda da escola ou das avós para dividir os cuidados com eles. A gente merecia essas 24 horas de descanso, livres de crianças. Passei a noite de ontem pensando o que fazer com tal liberdade (e concluí que preciso entregar uns jobs, fazer faxina e lavar roupa).

Quando entregamos eles, a mochila de roupas, a mala de brinquedos, os bichos de dormir e a arena beyblade para meu irmão, na frente do nosso prédio, todo mundo parecia feliz. Imagina só que legal deve ser para eles, que estão há todo esse tempo brincando com os mesmos brinquedos e das mesmas brincadeiras no mesmo lugar, mudar de ares, de pessoas, de comida, de vista da janela.

Subimos de volta para o apartamento, Juliano e eu, nos olhamos e concluímos: eles não dão tanto trabalho assim. Talvez seja mais estranho do que legal ficar sem aquelas duas coisinhas barulhentas e enérgicas, que só sabem falar dando pulinhos e que sobem pelos batentes das portas para se divertir. Olhei as bananas que sobraram na fruteira e pensei que hoje eu não precisaria cortá-las em rodinhas às quatro da tarde. Foi ruim. Escorreu uma lagriminha de saudade.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Mudando de fase

Sempre sofri horrores com as mudanças de fases das crianças. Sentia um luto pelo bebê que estava indo embora e sendo gradualmente substituído por uma criança cada vez mais esperta e independente. Falando assim soa estranho, e é estranho mesmo. Uma coisa que talvez só as mães consigam sentir.

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Mas isso passou. Mesmo porque meus filhos já têm 7 e 5 anos e poucos traços dos bebês que foram. Eles fazem quase tudo sozinhos e eu fui descobrindo que não há porque ficar triste com isso, muito pelo contrário. Quanto maiores são, menos trabalho temos no dia a dia.

Uma das grandes conquistas, para mim, foi quando passaram a tomar banho sozinhos. Um dia Pedro pediu e eu deixei, não lembro nem quando foi. Maria Luísa nem vi como foi. Provavelmente esqueci ela no banheiro com o chuveiro ligado e quando me dei conta a criança já estava enrolada na toalha, no corredor da sala, com o cabelo lavado. Uma tarefa a menos para a gente (e uma tarefa bem molhada, por sinal). 

Outro marco foi quando passaram a colocar cinto de segurança sozinhos no carro. Parece besteira, mas é uma obrigação que levava tempo e precisava de paciência. Quando pequenos porque choravam e não paravam quietos. Já maiores, colaboravam, mas ainda assim dependiam do adulto responsável para ajudar. Adulto esse que normalmente estava atrasado, atrapalhado e cheio de bolsas e mochilas penduradas. Hoje em dia cada uma abre sua porta, senta no seu lugar e coloca seu cinto. Sem drama, sem demora. O paraíso, minha gente.

Com o tempo, eles aprenderam também a preparar o próprio lanchinho da tarde. Claro que quando estou disponível gosto de cortar as frutinhas, preparar uma caneca de leite e um pãozinho para cada um. Mas se estou ocupada ou se estão com o pai, eles se viram sem o menor problema. A Maria, que gosta de banana cortada em rodinhas, prepara sozinha seu potinho. Eles também aprenderam a usar a sanduicheira para esquentar seu pães sem se queimar (na maior parte das vezes). Outra tarefa 'ticada' da lista.  

No dia a dia, pegam os brinquedos e livros que querem na hora que querem e se viram nas brincadeiras, que muitas vezes se espalham pela casa inteira. E como brincam juntos, não ficam o tempo todo nos chamando para ajudar com alguma coisa. Os desenhos também não dependem da gente: eles têm todos os lápis e estojos à mão e sabem onde moram os papéis. O contra dessa situação é que vão, por dia, umas 15 folhas de sulfite para pinturas e bilhetes aleatórios. A independência custa caro.

Mas quando a gente achou que podia descansar, finalmente, das tarefas mais chatas da maternidade (limpar criança no banheiro, por exemplo, que também já foi resolvido aqui em casa), eis que aparece... o fio dental! Por essa ninguém esperava. 

Um belo dia, após o almoço, chamei a Maria para conferir se a escovação dos dentes (responsabilidade também já delegada a eles, exceto a última escovada do dia) estava indo bem e avistei, entre aqueles pequenos e brancos dentinhos, um pedaço de carne do tamanho de um boi. Fiquei em pânico na mesma hora. Desde quando aquilo estava ali? Eu nunca tinha pensando na possibilidade de usar fio dental neles. De qual almoço era aquele fiapo de carne tão bem acomodado naquele cantinho? Coloquei a menina deitada na cama, com a cabeça virada para a varanda para que eu pudesse enxergar bem e fiz uma bela (e demorada) limpeza.

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Mas aí o precedente já estava aberto. A gente não podia mais fingir que não sabia que aquelas boquinhas acumulavam restos de comida. O mesmo com o Pedro, que já tem dente pra caramba. Não teve jeito, tivemos que incluir essa nova obrigação no dia. E que obrigação chata (saudades, cinto de segurança). Imagina enfiar sua mão dentro da boca de alguém (alguém que não para de mexer a língua, por sinal) e ficar tentando tirar pedaços de comida dos vãos dos dentes. Ah, a maternidade...

Pelo visto nosso papel por aqui não acabou. A dentista disse que só dá para confiar neles para passarem o fio dental sozinhos por volta dos 13 anos. Ou seja, tenho mais uns 2976 dias desse trabalho ingrato e melequento pela frente. Maldito dia que resolvi fiscalizar a escovação. 

Como eu disse, tenho achado legal ver os dois crescendo e precisando menos de mim. Mudar de fase pode ser bem legal, no fim das contas. Mas confesso que tem uma tarefa que ainda não consigo abrir mão, mesmo sabendo que eles já conseguiriam encarar sozinhos: segurar as mãozinhas deles antes de dormir. É daqueles momentos que às vezes dá preguiça (Pedro pode demorar uns bons minutos para pegar no sono), mas é tão nosso. Eles se sentem seguros e amados, e eu, mais ainda.