segunda-feira, 11 de agosto de 2014

De repente

Quando foi que você começou a alcançar as coisas em cima da mesa de jantar? 
Em que momento passou a gostar dos seus livros e sentar no chão para lê-los, sabendo exatamente qual fala de cada assunto?
E quem te ensinou a falar 'bola', assim certinho, em vez de 'bó'?
Quando, filho Pedro, que você aprendeu a ajudar a mamãe e entender onde guardamos as coisas na nossa casa?
E subir sozinho e se sentar nas cadeiras altas, de onde veio isso?

Eu estava aqui o tempo todo e ainda assim você cresceu de repente.


Dor de mãe

Agora eu entendo as mães que chegam chorando, cheias de olheiras. As mães que não têm coragem de dar broncas, para não estragar o pouco tempo que resta, as que desistem de brigar para comer o jantar, para escovar os dentes, para guardar os brinquedos. Aquelas que deixam dormir no meio, que conversam com o filho enquanto ele dorme. As que lamentam quando ele dorme tão cedo. As mães que se chateiam com as avós porque elas deram doces demais ao neto, mas fazer o quê? Eram elas quem estavam cuidando, ajudando as tais mães. As que têm inveja da tia da escolinha, que passa tanto tempo com ele. 

Hoje eu voltei a trabalhar fora de casa, filho, depois de 1 ano, 4 meses e 16 dias dedicados a você. Dói cada pedacinho do meu coração. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Desmamou

Provavelmente o Pedro não tenha o menor interesse em saber quando e como desmamou. Eu mesma só soube da minha história de desmame agora, que tive um filho e enchi minha mãe de perguntas. Mas como esse é um tema recorrente - e controverso - na blogosfera materna, resolvi escrever. Até porque esse blog é quase secreto e ninguém vai ler mesmo.

Pedro entrou na escola com 1 ano e 2 meses. Antes disso, só ficava em casa com a mamãe e mamava no peito. Sempre tive leite e nunca passei por dor ou qualquer coisa que atrapalhasse a amamentação. Enfim, uma vez na escola ele começou a tomar leite em pó na mamadeira, uma vez por dia. Pensei que ia recusar, que ia chorar, que ia sei lá, mas não, né. Ele é o Pedro, e o que importa é que seja leite. Qual for, onde for. Em casa, continuou mamando no peito como se nada tivesse acontecido.

Mas aí senti que era uma boa hora para desmamar de vez, sabe. Por várias razões: ele se adaptou bem à mamadeira, vai ter mais independência da mamãe (leia-se "vai poder dormir na casa das avós") e eu vou voltar a ter controle sobre meu corpo. Eu amei amamentar, desde o primeiro minuto. Foi um prazer poder alimentar meu bezerrinho exclusivamente com leite até os 6 meses e continuar depois, a qualquer momento que ele precisasse. Eu me doei para a maternidade por um bom tempo e não me arrependo nem um pouco. Mas agora deu. Eu me quero de novo para mim. Egoísmo? Não acho. Acho que escolhemos (Pedro e eu) a hora certa para essa nossa nova fase. Continuo dando amor, carinho, colinho e a mamadeira, mas não mais o peito.

Não foi um desmame natural, com o bebê recusando o peito. Mas foi uma decisão minha, baseada na minha vontade e em observação do meu filho, que pareceu pronto para desmamar. Considero que foi respeitoso, com nós dois. E quem está adorando é o papai, que agora tem a oportunidade de dar o tetê de antes de dormir e ninar nosso filhinho.

terça-feira, 24 de junho de 2014

País amigável? Qual? (ou Mimimi da Mamãe)

Antes de viajarmos para os Estados Unidos, avisei meu marido: os americanos são frios, não têm o costume de sorrir para criancinhas na rua, e nem gostam que a gente faça o mesmo. Encostar nas crianças, então, proibidíssimo! Então nem ligue se ninguém der bola para as fofuras do Pedroca.

Sério, eu não sei da onde tirei isso. Afinal, eu nunca tinha ido aos EUA (só ao Canadá, serve?). Só achei que seria assim. E fui surpreendida.

Não teve UM semáforo, UM metrô, UMA rua, UMA fila de farmácia que não parasse alguém para admirar meu filhinho. Ele, que adora atenção de desconhecidos, se desmanchava em sorrisinhos, gracinhas, frases na língua dos bebês. E todo mundo sorria de volta, falava com ele em inglês, até chegaram a agradar o cabelinho loiro dele. 

Percebi que andar pelas ruas empurrando um carrinho de bebê em Nova York é a tarefa mais fácil do mundo. Primeiro porque as calçadas são maravilhosas, regulares, sem buracos, matos e cocôs de cachorros, a cidade é plana, há semáforos em TODOS os cruzamentos. Segundo porque as pessoas nos dão passagem, ajudam a levantar o carrinho quando preciso, abrem portas das lojas pra gente, um gentileza sem fim. Pra mim, não há lugar mais baby-friendly do que NY. A maior parte dos restaurantes têm cadeirão, giz de cera, copo com canudinho. Mesmo os mais formais e 'adultos'. Não é a toa que vimos muitas e muitas mães sozinhas com dois, três filhos (ou babás sozinhas com várias crianças, já que NY é o reino das babás), com aqueles carrinhos incríveis (e gigantes) que acomodam todos os filhos de uma só vez.

O mimimi da mamãe aqui começa quando voltamos para casa, e ainda estamos naquele espírito pós-viagem de "ah, em Nova York era tão lindo, ho ho ho, etc etc". Mas pudera, né, sair de casa na minha cidade (e aposto que na maior parte do Brasil) com um carrinho de bebê é pedir pra sofrer. Quando tem calçada, ela é muito estreita/esburacada/cheia de mato/suja com cocô de cachorro ou resto de comida (nojo master)/decorada com graminhas que entalam as rodinhas. E assim por diante. O fato de a cidade ser só subidas e descidas eu relevo, ninguém tem culpa. Mas o cuidado com as calçadas não. Tudo é pensado em carros, e não em pessoas. As pessoas não são bem-vindas nas ruas das cidades. Calçadas são só um espaço entre a rua e a garagem da casa. Não precisa ser decente para pessoas passarem. Como não ficar com raiva? Como não ter saudade de um lugar que te quer na rua? Que a rua te trata bem? Isso porque Pedro usa carrinho até, sei lá, dois, três anos? E cadeira de rodas, quem usa faz o quê? Não sai de casa, né, porque é impossível. Sinto falta de uma cidade mais acessível, mais acolhedora.

Isso porque nem comecei a falar da falta de parquinhos daqui, da falta de educação das pessoas... é mimimi sim, e pareço metida também, eu sei. Mas tudo o que eu queria era que meu filho pudesse aproveitar a cidade em que moramos.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

A busca pela escola perfeita

(texto escrito no começo de maio)

Desde que decidi abandonar minha vida de socialite doméstica babá dona-de-casa-desesperada mãe em tempo integral e procurar um emprego, estamos em busca da escola perfeita para o Pedro. Mas aí nos deparamos com um fato assustador: ela não existe. Assustador para mim, especialmente, que até então nunca tinha pensado em ter que abandonar delegar largar deixar meu filho aos cuidados de estranhos.

Visitamos umas sete escolinhas na nossa cidade. Todas elas com pontos em comum: de bairro, pequenas, poucos alunos, com mensalidades pagáveis. Mas a cada visita eu voltava para casa desolada. Sabe o que é ter que escolher qual 'defeito' é o melhorzinho? Elas não são ruins, é verdade (exceto uma, que era pavorosa. Me deu vontade de resgatar as criancinhas de lá), mas têm detalhes que me deixam desconfortável. 

Por exemplo: horários demais de 'sala de vídeo' ('sala de vídeo' = criancinhas na frente da TV por um tempão vendo Backyardigans ou algo assim), salas pequenas demais para muitas crianças (era um quartinho numa casa e virou 'sala de aula' para uns 15 crianças mais umas três professoras), almoço e lanchinhos dados em um ex-closet (juro-por-deos! Um buraco sem janelas onde tinha um armário de roupas agora tem cadeirões de alimentação), crianças de idades muito diferentes na mesma sala (tipo de 4 meses e quase 2 anos, JUNTAS), parquinhos 'ao ar livre' sem ar livre, sem grama, sem cimento (só aquele onipresente e sem graça carpete de grama sintética), recados e bilhetes espalhados pela escola com erros de português (tá, gente, eu sei que o Pedro não vai aprender a ler e escrever com 1 ano na escolinha, não é meu propósito, mas eu tenho aflição-medo-pânico-pavor de erros de português, especialmente quando vêm de professoras).

A lista é infinita. E só reforça minha tese que lugar de criança pequena é em casa com a mãe. Que ninguém no mundo vai cuidar melhor do que eu. E nem me venham com essa que criança que vai para a escola "fica mais esperta/sabe dividir/come sozinha/fica independente". Criança que vai para a escola fica doente, isso sim.

Hunf!

UPDATE - No fim do mês escolhemos um das escolinhas (curioso para saber qual, entre todas as 'defeituosas'? A que tem tempo demais de TV, mas em compensação tem uma sala grande, com varanda ensolarada, crianças com idade bem próxima, e um pessoal bem bacana e acolhedor). E quer saber? Estamos todos felizes, ele e até eu, que ganhei umas horinhas para mim pela manhã (para arrumar a casa, lavar roupa, catar brinquedos pelo chão). 

(comecei a escrever no início de maio, mas acabei só hoje, meio de junho)

domingo, 15 de junho de 2014

Dicionário da Língua Pedrística

A bem da verdade é que Pedro ainda não fala quase nada, apesar de falar pra caramba. Passa longos minutos cantando e nos contando coisas na sua língua própria. Mas palavrinhas de verdade são poucas (e fofas). Atenção, então, ao Dicionário da Língua Pedrística:

Á-gua - assim, certinho, a palavra inteirinha, só que fala dividido em duas sílabas. Ou cantando, tipo áááá-gua, áááá-gua. 
Déda - papai (o que rendeu momentos engraçados nos EUA, onde as pessoas achavam fofo ele gritando supostamente 'daddy')
Dá - o óbvio, do verbo dar. E vai falando mais alto conforme a gente não dá o que ele pede.
Mamã - que pode ser mamãe ou simplesmente qualquer outra coisa, tipo um brinquedo. 
Vovó - vovó é vovó, e agrada as duas de uma vez.
Odé - falou poucas vezes, e eu deduzi que é José, nome de um dos tios dele.
Au-au - eu morri de ensinar que o animalzinho de chama cachorro, e não au-au. Mas não deu, né, virou au-au mesmo.
Eeeeee - usado para avisar mamãe e papai que ele acordou e já está de pé no berço. Ou para chamar pessoas aleatórias na rua.
Banana - ou algo perto disso. Significa banana mesmo, hahahhaha.

E para finalizar, a professora dele resolveu arrumar briga comigo: "Estou ensinando ele a falar tia!". Fale, Pedro, mas depois de mamãe.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Fome de quê?

Depois de um ano e dois meses alimentando um pequeno viking, que comia tudo o que via pela frente em quantidades gigantes para uma criança, passei por dias tensos vendo Pedro se recusando a comer (exceto quando a comida em questão era bolo ou algo doce, porque ele também não é bobo). Tudo culpa de uma doencinha que veio lá dos Estados Unidos - tosse, nariz escorrendo - e piorou aqui, quando ele começou a ir à escola. Já tinham me falado: é batata, entrou na escola fica doente. E foi. Em três dias na escolinha já tínhamos uma virose para cuidar, com direito a vômito e diarreia, novidade na vidinha dele. 

Aí foi uma semana virando a cara ou cuspindo café, almoço ou jantar. Ontem fomos à pediatra, numa consulta de encaixe (um parênteses: um dos maiores medos - bobos - meus era ser vista como a mãe neurótica que leva o filho no médico por qualquer espirro. Relutei, tentei resolver em casa, mas não deu. Fomos ao consultório e foi ótimo, e claro que ninguém me achou maluca, né, já que meu filho estava de fato doente). Remedinhos e inalação, que Pedro ama-só-que-não, e tchãrã, hoje mandou ver um café da manhã reforçado e um pratinho de comida no almoço, com bife, legumes e arroz. Sucesso!